SPORT BENFICA E CASTELO BRANCO 4 – SERTANENSE FUTEBOL CLUBE 3
Campeonato de Portugal – Série E – 16ª jornada
Estádio Municipal de Vale do Romeiro em Castelo Branco
12-02-2021
Com a imponente Serra da Estrela como pano de fundo, o Estádio Vale do Romeiro, em Castelo Branco, recebeu o jogo inaugural da 16ª jornada da Série E do Campeonato de Portugal. Com honras de transmissão televisiva este encontro punha frente a frente duas equipas do distrito albicastrense.

Os anfitriões, o Benfica de Castelo Branco, a realizar um campeonato ao nível a que nos habituou, nos lugares cimeiros da classificação. Do outro lado a equipa da Sertã, a braços com muitos problemas de saúde, lesões e castigos, e a lutar para fugir aos lugares de despromoção.

Com a equipa liderada por Pedro Barroso a deter o favoritismo, os sertaginenses quereriam lutar pelos pontos que, teimosamente, lhe vão fugindo. Entregando a iniciativa de jogo à equipa da casa, os pupilos de Natan Costa apostavam na segurança defensiva como arma principal, espreitando a hipótese de lançar o contra golpe.
No ataque pontificavam duas das melhores unidades neste jogo: Katty e Muacir. Sempre muito irrequietos obrigaram a defensiva encarnada a redobrados cuidados.

O Sertanense, na bola de saída, tentou impor respeito. O lance bem delineado foi anulado por posição irregular de Miguel Pinéu.
Os albicastrenses, com maior posse de bola, iam desenhando jogadas com o esférico a girar pelos vários jogadores do meio campo. tentando ganhar a linha de fundo. Só aos cinco minutos surgiu o primeiro remate. O central Bruno Rafael testou a meia distância com a bola a embater num defensor e a sair pela linha de fundo.
Responderam os homens da Sertã através dum remate cruzado de Matheus que não passou longe do poste da baliza à guarda de André Caio.

Aos 12 minutos o possante Júlio Alves foi solicitado nas costas da defesa visitante e ficou na cara de Leo Turossi que, com valentia, “ofereceu o peito às balas”. Defendeu para canto e o choque com o avançado deixou-o combalido, necessitando ser assistido.
Apesar do ascendente da equipa da casa o Sertanense nunca se coibiu de atacar e ao quarto de hora Muacir em boa jogada individual, na área, com o guarda redes já fora do lance, rematou contra um defesa.
Aos 21 minutos, na sequência da marcação dum livre pelo lado esquerdo, a bola foi colocada na área albicastrense ficando toda a equipa e “staff” visitante a reclamar duma mão que parece ter existido. O árbitro do encontro, alegando casualidade, mandou jogar.

Com metade do primeiro tempo jogado, o Benfica de Castelo Branco continuava mais pressionante mas não podia descurar o seu esquema defensivo já que os visitantes assim que conquistavam a bola executavam rápidos passes para as costas da defensiva procurando surpreender.
Aos 24 minutos, um “venenoso” cruzamento de Bruno Pereira, a partir da ala esquerda do ataque albicastrense, obrigou Turossi a afastar para fora com uma palmada. Na reposição o mesmo Bruno obrigou a nova defesa do guarda redes brasileiro do Sertanense.

À passagem da meia hora, após pausa para assistência a Miguel Pinéu, Júlio Alves preparou-se para, isolado, alvejar a baliza de Leo Turossi. Valeu na circunstância o oportuno corte de Luís Martins.
No minuto seguinte, em jeito de resposta, Muacir serviu Miguel Pinéu que, com um remate acrobático, obrigou o guarda redes das”águias” a defender para canto. Grande oportunidade para o Sertanense abrir o marcador.
Na sequência do canto Sunday rematou de fora da área mas muito por alto. Aos 35 minutos Babia Issouf não deu a melhor sequência a um pontapé do quarto de circulo rematando para fora.

Iko Caetano, com uma falta a meio campo, cortando um contra ataque, viu sair do bolso do árbitro o cartão amarelo pela primeira vez. Jogava-se há 38 minutos e outros cartões se seguiriam…
O mesmo Caetano, dois minutos depois, viu o esférico embater-lhe fortuitamente na cabeça, quase marcando de forma caricata.
Já em tempo de descontos Júlio Alves driblou quem lhe saiu ao caminho, entrou na área e rematou para uma enorme defesa de Leo Turossi para canto.
Esgotado o tempo de jogo chegou o descanso com um nulo que não agradava a nenhuma das partes e deixava antever um segundo tempo animado. Faltavam golos para temperar um bom jogo.

O tempo complementar começou, logo na bola de saída, com um bom remate de Miguel Lopes para defesa do guarda redes visitante.
A equipa de Pedro Barroso entrou muito forte após o intervalo e Bruno Pereira subiu na ala esquerda e cruzou para o coração da área. Os homens mais adiantados da sua equipa chegaram um pouco atrasados e o esférico perdeu-se pela lateral.
Com 50 minutos jogados uma boa iniciativa benfiquista na área do Sertanense foi cortada de forma faltosa, com a mão, por Hugo Meira e o árbitro não hesitou. Apontou a marca dos onze metros e Murillo abriu o marcador para a equipa da casa.

A equipa de Natan Costa tardou em reagir e o Castelo Branco apossou-se do jogo, criando novos ensejos para ampliar a contagem. Aos 54 minutos Iko Caetano obrigou Turossi a aplicar-se. Um remate muito colocado obrigou o guarda redes a voo impressionante. Grande momento de futebol.
Os “encarnados” não descansavam e queriam um resultado seguro. Aos 56 minutos Turossi defendeu para a frente um remate de Caetano e Clayton, na recarga, ampliou para o 2-0.

Complicava-se a vida para os visitantes e Natan Costa começava a pensar em mexer no xadrez da sua equipa de modo a dar uma resposta ao resultado adverso. Na reposição Buby Katty rematou perto da baliza de Caio.
Pinéu continuava a subir muito bem pela ala direita e os cruzamentos iam “açucarados”. Aos 61 minutos serviu na perfeição Katty que desperdiçou, rematando por cima.

No minuto seguinte, após livre favorável aos visitantes, o contra ataque surgiu por Daniel Rodriguez. O colombiano foi até à linha e cruzou para cima da baliza obrigando Turossi a defesa atenta.
Aos 63 minutos Buby Katty cruzou largo para o segundo poste onde apareceu Muacir nas alturas, a “pentear” e a bater o guarda redes Caio e a reduzir para 2-1. Grande golo a relançar a partida…

O golo teve o condão de galvanizar a equipa da Sertã que começou a sacudir a pressão e a assumir o comando do jogo.
Aos 66 minutos Muacir, com um bom trabalho na ala esquerda, retribuiu a assistência e Katty de cabeça quase imitava o seu companheiro. O empate esteve à vista no Vale do Romeiro.
No minuto seguinte, após um roubo de bola, os mesmos protagonistas e o mesmo resultado. Katty, servido por Muacir, rematou contra o guarda redes Caio.

Enquanto o Sertanense atravessava o melhor período do jogo os donos da casa assumiam uma postura mais expectante, espreitando o contra golpe. Ainda assim, aos 70 minutos, um cruzamento bem medido apanhou Júlio Alves em boa posição mas não conseguiu a emenda.
Pouco depois Cyrille, acabado de entrar no jogo, caiu na área do Benfica em disputa com um defesa. Pareceu tocado nas costas mas o árbitro mandou jogar…
Pediu-se grande penalidade e o certo é que ficaram muitas dúvidas a pairar.

Aos 74 minutos Buby Katty entrou em dribles na área contrária e valeu o corte precioso dum defesa para o seu guarda redes. Em dificuldade devida à pressão alta a defensiva de Castelo Branco acabou por afastar. Dois minutos depois Cyrille cruzou sesgado à baliza e Caio com os punhos, a meias com a trave, afastou.
Aos 78 minutos uma rápida transição dos albicastrenses permitiu um remate nas “orelhas” da bola que ganhando uma trajetória estranha foi ter com Kalunga do lado direito. Não se fez rogado e o remate fez balançar as redes de Turossi pela terceira vez, repondo uma vantagem de dois golos para a equipa da casa.

Quem pensou que a história do jogo estava escrita enganou-se redondamente.
Aos 81 minutos o Sertanense ganhou um livre quase no meio campo e foi batido longo por Miguel Pinéu para cabeçada certeira de Sunday que havia subido ao segundo poste.
Estava feito o 3-2, relançado o jogo, e a incerteza no resultado final era uma realidade.

Aos 83 minutos uma decisão demasiado rigorosa da parte do árbitro Pedro Ramalho desequilibrou as equipas em termos numéricos.
Após Iago ter sofrido falta não sancionada, o seu colega Miguel Pinéu parou o contra ataque com uma falta dura passível de sanção disciplinar. Quando toda a gente esperava ver subir a cartolina amarela foi o vermelho que surgiu para desespero de todos os que viajaram da Sertã.
Houve dualidade de critério já que faltas semelhantes tinham-se ficado por diferentes tipos de admoestação.

A jogar com dez, a equipa de Natan Costa não deitou a toalha ao chão e foi à luta.
Em cima do tempo regulamentar um cruzamento de Katty levou perigo à baliza de Caio.
Após subir a placa a conceder cinco minutos de compensação o Sertanense cruzou para dentro da área adversária onde um erro coletivo da defensiva da casa permitiu a Bruno Eduardo empatar a partida quando ninguém esperava. Estava feito o 3-3 num jogo com emoções ao rubro.

Com o tempo de desconto esgotado e após perdas de Amadú Turé e Paulo Moreira, a rematarem por cima da baliza de Turossi, um remate contra o braço de Buby Katty veio a ser decisivo para o resultado final.
O árbitro entendeu que o braço não estava em posição anatómica e apontou a marca de penalti pela segunda vez na partida.
Chamado à marcação Amadú Turé fez valer a sua experiência e não vacilou. O Benfica de Castelo Branco chegou à vitória no último lance do jogo.
A bola ainda foi a meio campo e o relógio marcava 98 minutos quando Pedro Ramalho deu o jogo por terminado.

Foi um jogo agradável de seguir com sete golos na segunda parte, alguns de belo efeito.
Ganhou a equipa que marcou mais golos, sendo o empate talvez o resultado que mais se ajustasse ao que se passou dentro das quatro linhas, e que premiaria o labor e mérito de ambas as equipas. Mas o futebol é assim mesmo.
O árbitro da partida usou dualidade de critérios na expulsão de Pinéu e deixou muitas dúvidas nas penalidades. No final o desalento nas hostes sertaginenses aliou-se à revolta pelas últimas arbitragens.

Ficha do Jogo:
SPORT BENFICA E CASTELO BRANCO:
André Caio, Daniel Rodriguez, Bruno Rafael, Babia Issouf, Bruno Pereira, Guilherme Campos, Murillo (André Cunha), Iko Caetano (Paulo Moreira), Miguel Lopes (Miguel Abreu), Clayton (Kalunga) e Júlio Alves (Amadú Turé).
Suplentes não utilizados: Miguel Assunção e Miguel Campos.
Treinador Pedro Barroso.

SERTANENSE FUTEBOL CLUBE:
Leo Turossi, Miguel Pinéu, Luís Martins, Hugo Meira (Iago), Sunday, Bruno Torres (Tiago Santos), Vitor Pisco (César Rafael), Muacir, João Silva (Cyrille), Buby Katty e Matheus (Bruno Eduardo).
Suplente não utilizado: Lucas Bento.
Treinador: Natan Costa.

GOLOS:
Daniel Rodriguez, Murillo, Clayton e Amadú Turé (Castelo Branco); Sunday, Muacir e Bruno Eduardo (Sertanense).
EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Pedro Ramalho, Jorge Roque e João Marques (AF Évora).

DISCIPLINA:
Cartão amarelo: Babia Issouf, Guilherme Campos, Iko Caetano e Trein. Pedro Barroso (Castelo Branco); Bruno Torres e Vitor Pisco (Sertanense).
Cartão vermelho: Miguel Pinéu (Sertanense).
No final o estado de espírito de ambos os técnicos era antagónico por razões óbvias.
O presidente do Sertanense Futebol Clube, Paulo Farinha, fez questão de falar aos orgãos de Comunicação Social e deixou sérios avisos à Federação e responsáveis pela Arbitragem:
PEDRO RAMALHO (Treinador do Benfica de Castelo Branco)

NATAN COSTA (Treinador do Sertanense)

PAULO FARINHA (Presidente do Sertanense)

*Com David Belém Pereira (multimédia).
