ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA DE MAÇÃO 1 – SPORT LISBOA E CARTAXO 1
Campeonato Distrital da AFS – 1ªDivisão – 5ª jornada (em atraso)
Campo Agostinho Pereira Carreira, em Mação
27-12-2020
No final duma gélida manhã de Inverno, com o sol a tentar romper o manto de nuvens baixas, enquanto a geada da noite ia derretendo, o Agostinho Pereira Carreira preparou-se para receber a partida em atraso da 5ª jornada do Distrital maior de Santarém entre os donos da casa, o Mação, e o Benfica cartaxense.

Com ambas as equipas a ocuparem lugares cimeiros na tabela classificativa, este jogo revelava atrativos que levou aos muros do Municipal maçaense umas dezenas de adeptos fervorosos a desafiarem o frio matinal.

A Associação Desportiva de Mação, após as vitória caseira com o Entroncamento, encetou um “ciclo negro” de três derrotas do qual saiu para um período de cinco jogos sem perder, cedendo apenas um empate em casa do União de Tomar.
O seu opositor deste domingo, o Sport Lisboa e Cartaxo, alternou vitórias com derrotas nas primeiras quatro jornadas para embalar para um percurso de quatro vitórias e um empate em Torres Novas. Estes resultados colocavam os cartaxeiros a “pisar os calcanhares” aos primeiros e o Mação logo atrás, com menos três pontos.

A equipa de Francisco Correia tinha aqui uma excelente oportunidade de igualar pontualmente o seu adversário e logo na bola de saída Ganso fez todo o corredor esquerdo e executou um perigoso centro remate, muito perto da baliza de Gonçalo Guerra.
A resposta dos visitantes não tardou e um remate de meia distância apanhou Francisco Sousa desprevenido e a defesa de recurso enviou a bola à base do poste, saindo para canto. Na cobrança, Gonçalo Benavente rematou forte mas ao lado.

Entretanto as equipas encaixaram e passou a jogar-se mais sobre o meio campo, superpovoado e com alguns jogadores a experienciarem novas posições, a maior parte deles sem grandes resultados práticos.
Só à passagem do quarto de hora o perigo rondou as balizas. Simão Moreno percorreu toda a ala direita sem oposição e rematou de pé esquerdo. A bola não atingiu o alvo.
O minuto 16 trouxe ao jogo magia e alta nota artística. O jovem Quarenta, no seu primeiro ano de sénior, desenvencilhou-se de Iuri, sentou Saúl no relvado e com um perfeito remate em arco introduziu o esférico “onde dorme o mocho”, ou seja, abaixo da interseção do poste com a trave, à direita de Francisco Sousa, impotente para travar um remate tão colocado. Grande golo!

A perder, o Mação começou a “correr atrás do prejuízo” mas não com o discernimento necessário gorando-se maior parte das ocasiões de criar perigo.
Aos 23 minutos, na sequência duma reposição lateral, Ganso rematou muito perto da baliza adversária mas por cima.
O Cartaxo reagiu e no minuto seguinte Serginho rematou, já na área, obrigando o guarda redes da casa a defesa apertada para canto. Aos 27 minutos os da casa reclamaram penalti por queda de Wemerson na àrea. O árbitro João Conde, bem posicionado, terá avaliado bem e mandou jogar.

À passagem do 33º minuto Ganso rasteirou João Quarenta, inviabilizando uma rápida transição ofensiva e levando à amostragem da primeira cartolina amarela da partida.
Aos 39 minutos o Mação beneficiou dum pontapé de canto que a defensiva do Cartaxo afastou para a zona de tiro onde estava Ganso. O forte remate saiu muito por alto.
Dois minutos depois a equipa maçaense esteve muito perto de marcar por João Freitas. Recebeu na área, muito perto do poste do lado direito, rodou sobre o marcador direto e disparou às malhas laterais.

Já com o descanso no horizonte, aos 42 minutos, Samuelzinho fugiu à marcação de Simão Moreno mas o guarda redes Francisco Sousa resolveu.
Pouco depois o Mação beneficiou dum livre em zona perigosa. Miguel Luz, especialista neste tipo de lances, rematou forte obrigando o guarda redes Gonçalo Guerra a defesa apertada com os punhos.
No último minuto regulamentar o mesmo Miguel Luz cruzou com boa conta. Na área Freitas e Wemerson não conseguiram concluir da melhor forma e João Conde apitou para o intervalo. Resultado acertado pela maior acutilância dos visitantes.

O treinador maçaense, Francisco Correia, não podia estar satisfeito e deixou Diogo Rosa nos balneários, lançando no jogo Diogo Rosado, encostando Miguel Luz à ala esquerda.
O Mação começou a jogar a toda a largura do terreno tornando-se uma equipa mais atacante.
Logo aos 49 minutos um forte remate de Miguel Luz obrigou o guarda redes Gonçalo Guerra a defender para canto. Na cobrança Saúl, com uma grande cabeçada, levou o esférico a rondar a baliza. A defensiva tirou para canto enquanto no banco dos da casa já se gritava golo.
O perigo voltou a ameaçar na reposição do quarto de círculo. O esférico sobrou para Diogo Rosado que rematou desenquadrado, perdendo-se a bola pela linha de fundo.

Saltava à vista que o Mação estava melhor no jogo e a equipa de Mário Ruas queria defender a todo o custo o magro pecúlio de um golo. Espreitava, no entanto, o contra golpe.
Aos 52 minutos João Freitas testou a meia distância com o esférico a sobrevoar a baliza cartaxense. Poucos minutos depois Ganso ganhou a linha de fundo e tentou servir Miguel Luz que chegou um pouco atrasado, não dando seguimento ao lance.
Aos 55 minutos Ganso voltou a estar em foco ao assistir Wemerson que se desenvencilhou dum adversário e cruzou atrasado, demasiado, para as costas dos colegas na área, ficando o lance inviabilizado.

O Cartaxo limitava-se a reforçar a sua defensiva e poucas hipóteses teve de reação.
Aos 56 minutos conseguiu reagir, por Couves, ao rematar de muito longe para defesa fácil de Francisco Sousa.
À passagem da hora de jogo um cruzamento solicitou a cabeça de Samuelzinho. Cabeceou fraco para defesa fácil do guarda redes de Mação que rapidamente lançou o contra golpe. Wemerson rematou para defesa fácil de Gonçalo Guerra.
Pouco depois, Iuri, ainda com marcas da cirurgia aos dedos fraturados, cruzou muito tenso e com perigo para a baliza do Cartaxo. A bola por pouco não enganava toda a gente e quase entrava junto ao segundo poste.

Os maçaenses tudo faziam para chegar ao golo do empate. A ansiedade e as más decisões acabavam por ser altamente penalizadoras mantendo-se o Cartaxo na frente do marcador.
Ao minuto 64 Wemerson ganhou posição na área adversária e obrigou a defensiva a ceder canto. Na cobrança, Gonçalo Lelé ficou no chão a queixar-se do rosto. Poderá ter ficado uma grande penalidade por assinalar e uma expulsão poupada. A velocidade do lance e o posicionamento quer de João Conde, quer do auxiliar em relação ao local do lance não permitiu ajuizar com certezas. Damos o benefício da dúvida.

Sem grandes soluções para inverter o resultado negativo, mesmo após lançar Ivan Alves no jogo, a equipa da casa começou a ceder ao cansaço fisico e anímico.
Aproveitou a equipa do Cartaxo, subindo e começando a criar situações para “matar” o jogo. Aos 73 minutos Samuelzinho executou um bonito pontapé de bicicleta respondendo Francisco Sousa com defesa atenta para canto. Bom momento de futebol…

A faltarem dez minutos para se esgotar o tempo regulamentar João Quarenta, autor do único golo da partida, tentou de trivela bater de novo o guarda redes local. Sem sucesso, o esférico passou longe do objetivo.
Com o Mação totalmente balanceado no ataque, o Cartaxo recuperou a bola e lançou o contra golpe. Desamparado, Francisco Sousa, saiu da sua área e perante vários adversários conseguiu resolver, colocando o esférico para lá da linha lateral.
Aos 88 minutos um livre batido com força por Miguel Luz embateu na barreira e perdeu-se mais uma oportunidade para os homens da casa.

Entretanto, subia a placa com o algarismo “cinco”. Eram esses o minutos para jogar a título de compensação. No primeiro deles Ganso ensaiou a meia distância com resposta positiva do guarda redes Guerra.
Com dois minutos na compensação, o Mação encetou uma jogada de entendimento entre vários jogadores com Saúl, em dia de aniversário, a estar no sítio certo para encostar e alcançar o empate que a sua equipa já justificava.
Com o tempo esgotado a equipa da casa beneficiou dum canto e Saúl voltou a estar em foco ao cabecear muito perto da baliza. Foi o último lance do desafio.

Foi um jogo disputado entre equipas do topo da tabela, com ascendente dos “benfiquistas” na primeira metade. O Mação após o descanso corrigiu algo e, com uma segunda parte bem conseguida, minimizou estragos e obteve um justo empate.
O Cartaxo, beneficiando da derrota do seu congénere abrantino em Coruche, alcançou o segundo posto em igualdade pontual com a equipa de Abrantes (20 pontos) e o Mação mantém o sexto posto com 17 pontos em dez jornadas.
Bom trabalho de João Conde e auxiliares. Sóbrio e parcimonioso, soube gerir os cartões.
Ficaram dúvidas no lance em que Lelé terá sido tocado na cara na área aos 64 minutos mas era humanamente impossível de avaliar. Positivo.

Ficha do Jogo:
ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA DE MAÇÂO:
Francisco Sousa, Simão Moreno, Saúl, Luís Esteves, Gonçalo Lelé, Iuri Alves, Diogo Rosa (Diogo Rosado), João Freitas (Ivan Alves), Ganso, Miguel Luz e Wemerson.
Suplentes não utilizados: João Rosa, Ezequiel, Miguel Domingues, João Rui e Flávio Calado.
Treinador: Francisco Correia.

SPORT LISBOA E CARTAXO:
Gonçalo Guerra, Edmilson, Couves. Caniço (Jota), Samuelzinho, Gonçalo Benavente, Pratas, Rui Simões, Serginho, Quarenta (Bernardo Tavares) e Diogo Martins.
Suplentes não utilizados: Rúben Carreira e Emanuel Coxi.
Treinador: Mário Ruas.

GOLOS:
Saúl (Mação) e Quarenta (Cartaxo).
EQUIPA DE ARBITRAGEM:
João Conde, Adriano Sousa e Afonso Silva.

DISCIPLINA
Cartão amarelo: Ganso e Wemerson (Mação); Diogo Martins, Gonçalo Benavente, Caniço, Pratas e Couves (Cartaxo).
No final, como é hábito, fomos ouvir os responsáveis técnicos das equipas:


*Com David Belém Pereira (multimédia).
