Emoção no Municipal de Abrantes.

SPORT ABRANTES E BENFICA 2 – ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA DE MAÇÃO 2
Campeonato Distrital da AFS – 1ª Divisão – 23ª jornada
Estádio Municipal de Abrantes
26-03-2022

Jogou-se ao final da tarde de sábado, em jogo antecipado da 23ª jornada, mais um derbi entre equipas de concelhos vizinhos. Apesar da equipa maçaense ocupar o terceiro lugar da tabela e o Abrantes e Benfica estar um pouco abaixo, não se poderia atribuir favoritismo a qualquer das equipas. Estes derbis são sempre de resultado imprevisível e a vitória da equipa de Abrantes na primeira volta, em Mação, pela margem mínima, o atestava.

Boa moldura humana nas bancadas, com muitos atletas de outras equipas e muitos adeptos de Mação a fazerem a curta viagem desde a Catedral do Presunto.

Bancadas compostas no Municipal.

Com as equipas a apresentarem algumas ausências de peso cedo se percebeu que a equipa comandada por Paulo Séninho queria “arrumar” a questão o mais cedo possível. Desde o apito inicial de Diogo Martinho que o Abrantes se lançou em “raides” sucessivos à baliza de Chico Sousa.

O Mação desde muito cedo se lançou em porfiada defesa, tentando manter a inviolabilidade da sua baliza. Só que o jovem irrequieto Parreira, aos cinco minutos, ganhou a linha de fundo e cruzou com boa conta para Zé Pedro inaugurar o marcador.

Zé Pedro abriu o ativo aos cinco minutos.

Este golo madrugador galvanizou a equipa da casa e os comandados de Francisco Correia, a ver o jogo na bancada com o seu adjunto Diogo Jesus a liderar no banco, a assumirem uma postura completamente defensiva, espreitando o contra ataque.

Jogadores não complicaram contribuindo para uma arbitragem positiva

Logo após o golo, Parreira galgou terreno pelo flanco direito e disparou em arco um verdadeiro “míssil” que passou muito perto da baliza de Chico Sousa. Aos dez minutos Parreira voltou a fazer das suas…

Foi cruzar à linha de fundo, em lance tirado a papel químico do golo, cruzou para Zé Pedro que rematou forte contra um contrário, ganhando um canto. Na transformação, Zé Pedro subiu mais alto que toda a gente e, de cabeça, fez o segundo golo da sua conta pessoal e dos “encarnados” de Abrantes.

Da cabeça de Zé Pedro saiu o 2-0.

A perder por dois golos aos onze minutos a equipa de Mação começou a tentar construir jogadas que levassem perigo à baliza de João Rosa, até aí um mero espetador. Iam-se revelando inconsequentes…

Entretanto as “águias” iam-se mostrando mais acutilantes. Ao quarto de hora, Miguel Séninho, na cobrança dum livre, tentou assistir Zé Pedro mas Chico Sousa “amarrou” nas alturas. Pouco depois Séninho voltou a estar em foco ao combinar com Parreira. A defesa maçaense esteve bem e afastou o perigo.

A reação da equipa de Mação tardou mas chegou. Aos 22 minutos, Bruno Lemos, na transformação dum livre, levou o esférico a passar muito perto dos ferros da baliza de Rosa.

Demorou a reação maçaense.

Foi o “grito do Ipiranga” da equipa visitante. O Mação entrou no seu melhor período, passando o Abrantes a adotar uma postura mais expectante. Aos 27 minutos Miguel Luz cruzou obrigando a um corte pela lateral. Dois minutos volvidos, Leider entrou duro sobre Zé Pedro e este reagiu de forma exuberante. O árbitro, salomonicamente, admoestou verbalmente ambos os jogadores.

Já para lá da meia hora de jogo, aos 32 minutos, Hélio Ocante dispôs duma excelente ocasião para marcar. O melhor marcador dos maçaenses cabeceou rente à trave da baliza defendida por João Rosa.

Hélio Ocante foi a referência do ataque maçaense.

Aos 34 minutos o jovem Parreira, uma verdadeira dor de cabeça para os visitantes, assistiu Manuel Vítor que cabeceou à trave. O jogo já havia sido interrompido por posição irregular do abrantino. No minuto seguinte Bernardo Bento travou Parreira que se esgueirava e viu ser-lhe exibido o cartão amarelo.

Na transformação do livre Miguel Séninho bateu tenso para o primeiro poste. A defensiva maçaense cedeu canto. Aos 37 minutos uma boa transição do Mação foi inviabilizada por posição irregular de Miguel Luz. Pouco depois os visitantes beneficiaram dum canto, Ocante saltou em desequilíbrio, o esférico ganhou altura e a defensiva “encarnada” completou o alívio pela lateral.

Mação cresceu no jogo mas não marcou.

Já com o descanso no horizonte, aos 41 minutos, Parreira tentou lançar o rápido contra golpe mas foi travado por Filipe Falua à margem das leis. O juiz da partida, Diogo Martinho, voltou a ir ao bolso e exibiu a cartolina amarela a Falua. Pouco depois ordenava aos protagonistas o regresso aos balneários para o merecido intervalo.

Foi uma primeira parte interessante, com o maior ascendente da equipa da casa a justificar a obtenção dos golos e com o Mação a ter muita dificuldade em ameaçar a baliza de João Rosa. Aceitava-se sem rebuço o resultado ao intervalo e esperava-se a reação da equipa orientada por Francisco Correia.

Parreira foi uma dor de cabeça para a defesa visitante.

Como seria de esperar o técnico do Mação mexeu no xadrez da sua equipa, deixando no banho Bernardo Bento e Simão Moreno. Lançou no jogo Saúl e João António e o jogo do Mação ganhou qualidade. Logo no recomeço, numa transição muito rápida, Miguel Luz rematou para defesa atenta de João Rosa.

A resposta dos abrantinos surgiu minutos depois, através dum canto, com Salgueiro a surgir no segundo poste e a rematar por cima. Aos 50 minutos, Miguel Séninho ganhou a linha de fundo e cruzou para o remate de Parreira contra Chico Sousa. A emenda do mesmo Parreira saiu ao lado.

Entretanto Saúl via o amarelo por entrada dura a travar o contra ataque dos benfiquistas.
Aos 55 minutos Bruno Lemos tentou o remate da meia distância que sobrevoou a baliza de Rosa. Pegou mal a bola e ficou com queixas musculares.

Bruno Lemos reduziu de livre direto.

Aos 59 minutos Hélio Ocante, de cabeça, obrigou João Rosa a boa defesa mas a bandeirola do auxiliar assinalava a posição irregular do ponta de lança maçaense.

Quando o cronómetro assinalava a hora de jogo exata o Mação beneficiou dum livre em zona frontal, à entrada da área. Chamado à conversão, Bruno Lemos, um especialista, fez o esférico sobrevoar a densa barreira defensiva e anichar-se nas redes da baliza dos abrantinos. O jogo estava relançado…

Apenas foi necessário esperar dois minutos para ver Miguel Luz, num remate cruzado, repor a igualdade no marcador e aumentar a incerteza quanto ao desfecho final da partida.

Miguel Luz repôs a igualdade.

Com o segundo golo do Mação o jogo começou a ficar “quentinho”. Num canto aos 64 minutos Zé Pedro queixou-se de ser derrubado mas o árbitro mandou jogar. Minutos volvidos Miguel Luz tentou repetir o remate vitorioso mas desta vez Rosa não lho permitiu.

Aos 68 minutos Zé Pedro esteve muito perto do “hat trick”. Na sequência dum canto cabeceou sobre os ferros mas muito perto de marcar. As ocasiões eram agora divididas e o jogo, algo partido, ganhou emoção.

Aos 71 minutos um cruzamento do lado direito do ataque do Mação levava “veneno” e a defesa da casa cedeu canto. No minuto seguinte Hélio Ocante acorreu a um cruzamento na área abrantina e acabou no solo. Pediu-se grande penalidade mas o árbitro mandou jogar.

Com o jogo empatado foi tempo de segurar o resultado.

Aos 74 minutos, um livre favorável à equipa da casa, obrigou Chico Sousa a sair a punhos de forma corajosa perante a entrada de Zé Pedro. Passados três minutos o Mação desenhou uma jogada de envolvimento, protagonizada por vários jogadores. Evitando males maiores a defensiva abrantina cortou para canto.

Já ultrapassados os 81 minutos os benfiquistas, em boa jogada de insistência, permitiram o remate de Rui Sousa à figura de Chico Sousa. A um minuto do tempo regulamentar pediu penalti por alegada mão na área do Abrantes e Benfica. O juiz da partida optou pela legalidade do lance e mandou jogar.

Lances reclamados em ambas as áreas.

Esgotado o tempo subiu a placa indicando que ainda se havia de jogar mais quatro minutos. No primeiro deles, num rápido contra ataque, Chico Sousa teve de usar os seus dotes acrobáticos. Quando a bola já lhe fugia, sem a poder agarrar por estar fora da área,  executou um arriscado pontapé de bicicleta que ainda atingiu Miguel Séninho de forma involuntária.

No minuto seguinte um cruzamento de Miguel Luz obrigou João Rosa a subir ao “primeiro andar” para agarrar. Com a compensação a esgotar-se, novo desvio com a mão, desta feita na área do Mação, levou a reclamações. O árbitro Diogo Martinho, mantendo o critério, não atendeu e deu o jogo por terminado.

Derbi bem disputado.

Resultado justo num jogo em que o Benfica abrantino entrou a mandar e a marcar. Aos onze minutos já vencia por dois golos sem resposta. A equipa de Paulo Séninho podia ter “acabado” com o jogo marcando o terceiro. Não o fez e foi surpreendida no início da segunda parte por um Mação transfigurado que marcou por duas vezes em dois minutos.

Com este resultado o Mação mantém o terceiro lugar à condição, podendo ser ultrapassado pelo Fazendense. O Abrantes e Benfica conserva o quinto posto, podendo cair várias posições caso os adversários diretos pontuem.

Arbitragem em bom plano mesmo nas decisões fraturantes. Manteve o critério e soube conduzir o jogo de forma sóbria mesmo quando o jogo “aqueceu”. Positivo.

Ficha do jogo:

SPORT ABRANTES E BENFICA:
João Rosa, Miguel Catarino, Manuel Vítor, Diogo Mateus, Rui Sousa, Pedro Miguel, Pedro Damas (João Pires), Parreira (João Reis), Salgueiro (João Nogueira), Miguel Seninho e Zé Pedro.
Suplentes não utilizados: Canais, Bernardo Carola, Elísio Menezes e Pedro Cardoso.
Treinador: Paulo Seninho.

Sport Abrantes e Benfica.

ASSOCIAÇÂO DESPORTIVA DE MAÇÃO:
Chico Sousa, Filipe Falua, Bernardo Bento (Saúl), Bruno Lemos, Luís Esteves, Hélio Ocante (André Loureiro), Leider (Camilo), Miguel Luz, João Freitas, Paulito e Simão Moreno (João António)
Suplentes não utilizados: Diogo Jesus e Tiago Pereira.
Treinador: Francisco Correia.

Associação Desportiva de Mação.

GOLOS:
Zé Pedro [2] (Abrantes), Bruno Lemos e Miguel Luz (Mação).

EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Diogo Martinho, João Faria e Adriano Sousa.

Equipa de Arbitragem: Diogo Martinho, João Faria e Adriano Sousa com os capitães.

No final os treinadores falaram à Comunicação Social:

PAULO SÉNINHO (Abrantes)

Paulo Séninho, treinador do Sport Abrantes e Benfica. Foto: mediotejo.net

FRANCISCO CORREIA (Mação)

Francisco Correia, treinador do Mação. Foto: mediotejo.net

*Com David Belém Pereira (multimédia).

Jorge Santiago

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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