SPORT ABRANTES E BENFICA 7 – C.C.R.D. MOÇARRIENSE 0
Campeonato Distrital AFS – 15ªjornada (última)
Estádio Municipal de Abrantes
06-06-2021
O domingo, 06 de junho, estava destinado a fazer história no Municipal de Abrantes. Não só pelos 20 anos sobre a inauguração do Estádio como também pelo carimbar do regresso de uma equipa de Abrantes à Taça de Portugal…

Muitos anos, cerca de década e meia depois do extinto Abrantes Futebol Clube ter marcado presença na Taça de Portugal, outra equipa da cidade voltava a ter o mesmo destino. Para isso teria de vencer o seu adversário, o despromovido Moçarriense, na etapa derradeira do Campeonato Distrital, garantindo a segunda posição, e onde o Coruchense já havia garantido o primeiro lugar e a promoção aos Nacionais.

Que o Sport Abrantes e Benfica tinha o favoritismo ninguém duvidava. Mas o Moçarriense, apesar de ter caído para a Divisão secundária não estava na disposição de abrilhantar a festa. Em vão…
Os comandado de Paulo Seninho, na bancada devido a questões de natureza disciplinar, queriam muito atingir este feito e foram uma verdadeira máquina, oleada e afinada.
Sem jogar no limite, golearam a equipa que viajou da Moçarria, a sonhar com as férias e a refazer projetos.

Os da casa, com Nuno Mata no comando no banco, começaram ao ataque desde o apito inicial de Rui Inácio. Miguel Catarino foi à linha, pelo lado direito, cruzar para as mãos de João Dias, deixando o primeiro aviso.
A equipa de Nuno Guerra tentou sacudir a pressão e ganhou uma falta a meio campo. Na conversão do livre, descaído pela direita, o experiente Pelarigo cabeceou por cima.
Aos quatro minutos João Marchão, moralizado na busca do golo, remata cruzado, obrigando João Dias a arrojar-se ao solo para agarrar à segunda.

No contra golpe o Moçarriense ganhou vantagem com Bruno Duarte a ganhar posição para rematar contra a cortina defensiva da equipa da casa. Estava o aviso de que não se podia facilitar. Minutos depois a equipa do Benfica tentou chegar ao golo de bola parada. O canto acabou afastado pela defesa.
À passagem dos dez minutos caiu a resistência dos forasteiros. Miguel Catarino foi à linha de fundo cruzar para o coração da área obrigando a defesa a afastar de forma incompleta. A bola ficou à mercê de Seninho que rematou para defesa a punhos de João Dias. Na segunda vaga Rafa encheu o pé à entrada da área e rematou fora do alcance do guarda redes, abrindo o marcador.

A equipa da casa diminuiu o grau de ansiedade mas precisava do golo que a tranquilizasse e a colocasse a salvo de alguma surpresa. À passagem do quarto de hora Marchão ganhou a linha de fundo e cruzou para cima da baliza. A bola, impulsionada pelo vento, criou dificuldades mas a defesa dos visitantes rapidamente resolveu.
Foi preciso esperar pelos 21 minutos para ver a baliza do Moçarriense ameaçada. Num livre, muito bem batido ao segundo poste, onde Rui Sousa recebeu com mestria e rematou forte. Perto, mas para lá da linha de fundo.

Entretanto Miguel Catarino ia tendo liberdade para subir até à área contrária onde foi abalroado sem que o árbitro, Rui Inácio vislumbrasse qualquer falta.
Entretanto Damas foi servido à entrada da área e não se fez rogado. Rematou colocado, fora do alcance do guarda redes, aumentando a contagem para dois golos de diferença.
No minuto seguinte, o 26º, João Marchão recebeu sobre o meio campo, galgou metros deixando adversários para trás e sentou o guarda redes rematando para as redes desertas. Classe pura num golo de antologia…

Com a goleada a ganhar forma era por demais evidente que a equipa visitante apenas podia jogar o jogo pelo jogo, apresentando uma enorme inferioridade em todas as componentes do jogo. A equipa da casa nem teve de se esmerar, fez um jogo abaixo das suas capacidades, para controlar o jogo.
Do outro lado estava uma equipa “macia” incapaz de grandes feitos. Só aos 34 minutos, na conversão dum livre chegou à área dos abrantinos. Francisco Atela ainda ameaçou o guarda redes Canais que, nas alturas, ganhou o duelo.

João Marchão queria muito ficar na história dum jogo que já se sabia que iria ficar gravado a ouro nos anais do velhinho Sport Abrantes e Benfica. Aos 36 minutos trabalhou bem sobre os defesas ganhando espaço para o remate que só não teve êxito porque um defensor se interpôs no último momento. Mas estava escrito…
João Marchão marcou mesmo no minuto seguinte. Recebeu, solto de marcação, puxou para o pé esquerdo e da entrada da área bisou na partida fazendo o 4-0 com que se atingiu o intervalo.

Apesar de Miguel Seninho e João Marchão terem ficado em boa posição para marcar e ampliar a contagem, o “placard” manteve-se inalterado.
O descanso chegou e com ele duas ideias: a presença na Taça de Portugal era uma realidade e o marcador ia avolumar-se já que os comandados de Paulo Seninho continuavam a criar várias ocasiões para marcar.

O segundo tempo começou com os abrantinos a conquistarem um canto e com Diogo Mateus a subir à área contrária para rematar para longe da baliza. Na resposta, o Moçarriense dispôs duma excelente ocasião com Pelarigo a fugir à marcação e a ficar em boa posição para alvejar a baliza de Canais. Não foi lesto e permitiu o corte.
Os visitantes, sem nada a perder, procuravam o golo “de honra” que Isas teve na cabeça na sequência dum canto. Mais uma vez a defensiva da casa demonstrou qualidade e atenção.
Aos 53 minutos Miguel Seninho fez todo o corredor esquerdo e o centro remate fez o esférico anichar-se nas redes à guarda de João Dias pela quinta vez.

Pouco depois, aos 57 minutos, Rui Sousa, na cobrança dum livre, levantou para a área onde Manuel Vitor e Diogo Mateus se “embrulharam” permitindo a intervenção dum defensor visitante.
Dois minutos depois Miguel Seninho ganhou sobre um contrário no meio campo, lançou a velocidade de Marchão pela ala esquerda e foi receber já dentro da área. Marchão, nada egoísta, devolveu ao seu companheiro só um tudo nada comprido, perdendo-se o esférico pela linha de fundo.
Na reposição Marchão voltou a ganhar a posse de bola, ganhou posição e assumiu ele as “despesas”…Foi o sexto golo da partida, terceiro do jogador, atirando o resultado para números pouco habituais.

Entretanto Paulo Seninho, através do seu adjunto Nuno Mata, ia lançando no jogo jovens com poucos minutos, refrescando assim a sua equipa. Pior estava Nuno Guerra que apenas tinha no banco dois suplentes.
Aos 64 minutos Rui Sousa tentou assistir Seninho que entrava na área mas o passe saiu demasiado longo. Passados três minutos um novo canto para as “águias” deixou Diogo Miguel em boa posição para o remate que saiu muito por alto. Pouco depois um livre tipo canto curto obrigou a defensiva visitante a aplicar-se.
À passagem dos 70 minutos Miguel Catarino fez todo o corredor esquerdo, tinha havido troca posicional dos alas, e cruzou de forma perigosa. O defesa dos visitantes, Tiago Vitoriano, cortou para a trave…

Minutos depois Marchão voltou a acelerar o jogo e ganhou um canto. Na cobrança Rafa colocou na área mas Diogo Miguel não conseguiu a emenda.
Já em cima dos oitenta minutos uma boa transição dos donos da casa, com o esférico a girar velozmente por vários jogadores, permitiu a Toni o cruzamento largo para Seninho que surgia em velocidade à entrada da área. O remate, na passada, saiu que nem uma bomba mas por cima.

Entretanto o jovem Will que rendeu Manuel Vitor quis para si algum protagonismo. Aos 82 minutos um centro remate a partir da extrema direita quase traia o guarda redes João Dias. Passou muito perto.
No minuto seguinte o mesmo Will entrou em dribles sucessivos na área, levou demasiado longe a iniciativa e acabou por rematar com o guarda redes bem posicionado.
Aos 87 minutos o remate de Seninho foi defendido para a frente onde estava João Marchão em boa posição para fazer o “póker” de golos. Nada egoísta, devolveu a Miguel Seninho que bisou na partida.

Já havia muito pouco para jogar e apenas se aguardava o derradeiro apito de Rui Inácio no encontro. E no final foi uma verdadeira explosão de alegria…
O Sport Abrantes e Benfica havia conquistado por direito próprio a presença na primeira eliminatória da Taça de Portugal, algo que há cerca de dezena e meia de anos nenhum clube do concelho de Abrantes ousara almejar.
O jogo em si teve pouco que contar para além dos sete golos sem resposta. Ainda ficaram alguns por marcar. Arbitragem sem problemas de Rui Inácio e seus pares.

Ficha do jogo:
SPORT ABRANTES E BENFICA:
Canais, Miguel Catarino (Rodrigo Carraceno), Toni, Diogo Mateus, Barrocas, Manuel Vitor (Will), Rafa (Elísio Menezes), Miguel Seninho, Rui Sousa (Diogo Nandingna), Damas (Jota) e João Marchão.
Suplentes não utilizados: Elisbão e João Pires.
Treinador: Paulo Seninho.

C.C.R.D. MOÇARRIENSE:
João Dias, Tiago Vitoriano, Bruno Duarte (Tiago Laranjeira), Rodrigo Matias, Isas, Sandro, Pelarigo (Mário Matias), Sérgio Laranjeira, João Maria, Francisco Atela e Leonardo Matias.
Treinador: Nuno Guerra.

GOLOS:
João Marchão [3], Miguel Seninho [2], Rafa e Damas (Abrantes e Benfica).
EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Rui Inácio, Rui Cabeleira e Pedro Rosa.

No final fomos ouvir os dois treinadores:
PAULO SÉNINHO (Abrantes e Benfica)

NUNO GUERRA (Moçarriense)

Ouvimos ainda o presidente da direção do Sport Abrantes e Benfica:
PAULO NETO (Abrantes e Benfica)

Com David Belém Pereira (multimédia).
