6 de junho de 2016, 17 horas, Pego
Campeonato Distrital da 2ª Divisão de Seniores da Associação de Futebol de Santarém
Apuramento de Campeão – 10ª jornada (última)
Casa do Povo do Pego 2 – Sport Clube Ferreira do Zêzere 1
Numa tarde de sol e muito calor, pegachos e ferreirenses jogavam para voltarem ao patamar mais alto do futebol distrital. Para os homens da casa só a vitória interessava e depois de a conseguirem teriam que saber o resultado da União de Santarém para se fazerem as contas à diferença de golos marcados e sofridos. Aos homens da “Capital do Ovo” uma vitória dava-lhes a subida, sem mais contas, enquanto que o empate obrigaria a saber o resultado dos escalabitanos para se apurar a diferença acima falada.
Com uma boa moldura humana no Parque de Jogos do Pego e de ambos os lados, cedo se percebeu, pelas noticias vindas da Glória do Ribatejo que as duas equipas se tinham mesmo era que se preocupar com o seu jogo, pois à União de Santarém estava a sair tudo ao contrário.
Os minutos iniciais são de ascendente dos forasteiros que pareceram mais tranquilos, fazendo uma melhor circulação de bola e tendo um ligeiro domínio territorial, mas sem criar perigo na área pegacha. Paulatinamente os homens da casa vão assentando o seu jogo, equilibram-no e passam mesmo a ter mais posse e a jogar mais tempo no meio campo adversário. Se os comandados de Rui Bugalhão pareciam ter as operações controlados quanto ao perigo para a baliza de Joel, não se livraram de três valentes sustos no primeiro tempo, aos minutos 19, 32 e 34. No primeiro lance é Fábio Santos que em zona frontal, e já na área de rigor, atira ao lado.

Depois foi João Lopes que no coração da área e com a baliza mesmo á sua frente, cabeceia para fora e depois voltou a ser Fábio Santos que consegue isolar-se mas como a bola lhe fugiu para o piro pé, o esquerdo, perdeu o tempo de remate a ajeitar o esférico para o pé direito. Por parte do Ferreira do Zêzere o mais perigoso que conseguiu foi um remate em arco de Rafael, para defesa fácil de Norberto.


Ao intervalo registo para um empate a zero que, pelo que se ia sabendo, colocava o Ferreira do Zêzere na 1ª Divisão Distrital. No entanto, para a importância do jogo e para o que as duas equipas já tinham demonstrado ao longo da época, o nulo sabia a pouco, ficando no ar que, nos primeiro 45 minutos tinha havido mais preocupação em não sofrer que em marcar.
No segundo tempo voltam a entrar melhor os homens de amarelo, tendo mesmo aos 50 minutos posto à prova Norberto, com um remate traiçoeiro de fora da área de João Ramos, que o guardião pegacho teve que se arrojar ao pelado para suster.
Certo é que Nando Costa faz duas alterações que transformam o jogo da equipa da casa. Retira João Salgueiro e Tiago Marchante e coloca Diogo e André Neves. Ambos os jogadores entraram bem na partida. Diogo colou-se à linha do lado direito do ataque pegacho e ajudou a criar alguns lances de perigo, enquanto que André Neves entrou para ser o organizador de jogo, conseguindo a partir dai a equipa do concelho de Abrantes ter um jogo mais pensado e fluido, ajudando também Bioucas a ter um pouco mais de descanso, porque até ai tinha sido ele o principal motor pegacho. Até que ao minuto 61 surgem dois cantos seguidos para os pegachos. No primeiro, André Neves bate ao primeiro poste onde Fábio Santos cabeceia para trás e Pedro Almeida atira para fora. No segundo, o mesmo André Neves bate ao segundo poste e o mesmo Pedro Almeida cabeceia a contar. Certo que o defesa do Pego tem mérito na obtenção do golo, mas Joel e Diogo Gaspar ficaram mal na fotografia.


Com 1-0 as coisas viraram-se ao contrário. Agora eram os pegachos em vantagem nas contas da subida e o Ferreira do Zêzere tinha que começar a fazer pela vida, mas quando Rui Bugalhão tenta dar novo desenho à sua equipa, voltam a surgir André Neves e Diogo no jogo. O primeiro inicia a jogada e o segundo assiste João Lopes para o 2-0. Tinham passado apenas 3 minutos desde o primeiro golo, ou seja, eram jogados 64 minutos.


Com pouco mais de 25 minutos para jogar os ferreirense eram agora obrigados a mostrar o que só em curtos espaços tinham feito, mandar no jogo e atacar. Rui Bugalhão faz o que lhe competia. Passa a jogar com três defesas, coloca quatro homens no meio campo e três na frente. Estava encontrada a formula para dar a volta aos acontecimentos, mas como nem tudo o que parece é, a calma e a clarividência para fazer as coisas bem não ia aparecendo, e o melhor que conseguiram foi reduzir aos minuto 70 por César num belo apontamento de cabeça, na sequência da marcação de um livre lateral a meio do meio-campo defensivo pegacho.


Até final os lances de maior perigo foram protagonizados por Diogo (minuto 78), quando em plena área acerta de raspão na bola, perdendo a oportunidade de “matar o jogo” e por Mauro, ao dez minutos do fim, que de fora da área remata forte e em jeito, levando as hostes pegachas a suster a respiração, pois a bola saiu a pouca distância do poste direito de Norberto.


Após quatro justificados minutos de compensação (mais um também não ficaria mal), surge o apito final com a festa do lado pegacho e a desilusão do lado ferreirense.



Em suma, pode dizer-se que a vitória do Pego é correta, pois foi a equipa que mais fez para vencer. Mostrou união e querer ser feliz, sabendo ir à procura dessa felicidade. Errou menos que o adversário e soube tirar partido dos erros alheios. Em nossa opinião o Ferreira do Zêzere teve uma atitude passiva em demasia. Faltou-lhe um pouco mais de ousadia, para de quando em vez, tentar atacar um pouco mais e deixar “em sentido” e preocupada a equipa da casa. Em três minutos foi atingida duas vezes e o tempo já não abundava. No entanto nada pode ser apontado aos seus jogadores que tudo fizeram, correndo até não poder mais para inverter a adversidade.
Contas finais a Casa do Povo do Pego sobe ao Campeonato Distrital da 1ª Divisão, enquanto que o Sport Clube Ferreira do Zêzere permanece na 2ª Distrital.
Quanto ao trio de arbitragem podia dizer-se que não se tinha dado por ele e que isso é o melhor que se pode escrever sobre a arbitragem. No entanto vamos dizer que seu deu e bem pela sua presença em campo. Tranquilidade, movimentações corretas, sinalética quase exemplar e controlo de todas as situações foram o que deixaram que se notasse. Até em pequenos detalhes de gestão do jogo e de compensação de algumas ocorrências se nota um outro nível e experiência. Não é em vão que são três dos melhores árbitros do nosso distrito, sendo também de louvar o Conselho de Arbitragem, pela preocupação em mandar os seus melhores elementos para um jogo de tamanha importância.
Ficha do jogo
Parque de Jogos do Pego
Árbitros: João Mendes, Jorge Maia e Paulo Raposo

CP Pego
Norberto, João Ruivo, Zé Tomé, Pedro Almeida, Igor, Tiago Garrido, João Bioucas, Tiago Marchante (André Neves), João Salgueiro (Diogo), Fábio Santos (António Sanches) e João Lopes
Suplentes: Caio, Nuno Felício, André Neves, António Sanches e Diogo
Treinador: Nando Costa

SC Ferreira do Zêzere
Joel, Mantorras, César, Espada, Diogo Gaspar, Gerardo, João Mendes (Filipe), António Marques (Celso), Rafael (Mauro), João Ramos e Rato
Suplentes: João Pedro, Celso, Duarte Gaspar, Mauro e Filipe
Treinador: Rui Bugalhão

Marcadores: Pedro Almeida (61′) e João Lopes (64′) ; César (70′)
Cartão Amarelo: João Bioucas (79′) e Igor (90’+1) ; Mantorras (34′)
A opinião dos treinadores:
Nando Costa (Pego)
Rui Bugalhão (Ferreira do Zêzere)
Entrevista a Carlos Cadete Presidente da Casa do Povo do Pego
