Alice Marto foi condecorada no passado dia 30 de maio, no Palácio de Belém, em Lisboa. Fotografia: DR

José Saramago disse um dia que, em sua honra, deviam criar um Prémio Nobel da Gastronomia. Ainda não houve essa decisão nos palácios de Oslo, mas do Palácio de Belém chegou esta semana outra distinção para a decana cozinheira de Fátima: Maria Alice Rodrigues Marto recebeu, aos 86 anos, a condecoração de Oficial da Ordem do Mérito Empresarial, na Classe de Mérito Industrial.

A condecoração à fundadora do restaurante “Tia Alice”, imposta pelo Presidente da República no dia 30 de maio, em Lisboa, foi uma forma de agradecer “a criação de valor” da sua cozinha, e “o seu contributo para a imagem do país além-fronteiras, enquanto digno representante da cozinha tradicional portuguesa”.

Na cerimónia, “o Presidente mencionou a resiliência da minha mãe, o facto de nunca ter baixado os braços depois de vir de Moçambique, em 1973”, contou um dos filhos, António Marto, ao Expresso. “Deu significado ao facto de uma pessoa, tendo vindo sem nada, continuar a criar os filhos e ter recomeçado de novo, abrindo um restaurante [em Fátima] aos 53 anos, em 1988.”

Aos 86 anos, Alice Marto continua a ser a alma da cozinha do restaurante que fundou em Fátima. Fotografia: DR

Maria Alice Marto ficou, naturalmente, “muito feliz”. Já muitos lhe disseram que o seu dom é especial, mas ela, humilde, nunca acreditou. “Quem cozinhava bem era a minha mãe e a minha avó”, disse em entrevista ao mediotejo.net.

Marcelo Rebelo de Sousa tem um carinho especial pela cozinheira, sendo cliente do seu restaurante há mais de 30 anos – local onde continua a ir com frequência, quer sozinho quer em família.

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Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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1 Comentário

  1. Merecido, sem dúvida. Parabéns à Exma. Sra. Maria Alice Marto, pela dedicaçāo e trabalho incrível na sua cozinha e ao Exmo. Sr. Presidente da República pela sua fantástica sensibilidade e atenção a estes temas.

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