O Centro Interpretativo de Molinologia de Foros de Arrão, no concelho de Ponte de Sor, promove no sábado uma iniciativa artística que inclui teatro e pintura, ou seja, uma peça de teatro ‘O saber não ocupa lugar’ e a exposição ‘A coragem também se pinta’, com obras de arte alusivas a Catarina Eufémia.
Assim, no sábado 28 de junho, o Centro Interpretativo de Molinologia de Foros de Arrão recebe o Teatro Amador do Couço, às 15h00, para levar ao palco a peça de teatro “Dos 8 aos 80 – O saber não ocupa lugar”. Uma hora e meia depois será inaugurada a exposição “Olhar Plural – A coragem também se pinta”.
Catarina Efigénia Sabino Eufémia nasceu em Baleizão, no Alentejo, a 13 de fevereiro de 1928. Foi uma ceifeira pobre e quase analfabeta que, durante uma greve de catorze mulheres assalariadas rurais, a 19 de maio de 1954, morreu assassinada a tiro, pelas costas, pelo tenente João Tomaz Carrajola, da Guarda Nacional Republicana. Tinha 26 anos, três filhos, um dos quais de oito meses (ao seu colo quando foi baleada) e estava grávida de um quarto.
A sua trágica história acabou por personificar a resistência ao regime salazarista, sendo adoptada pelo Partido Comunista Português como ícone da resistência no Alentejo. Dedicaram-lhe poemas autores como Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos ou Maria Luísa Vilão Palma.
Nessa greve nove camponeses acabaram por ser presos, tendo sido julgados e condenados a cerca de dois anos de prisão. O tenente Carrajola levado a julgamento, foi absolvido, sendo a morte da camponesa justificada por um disparo acidental da arma. Depois transferido para Aljustrel, onde faleceu de causas naturais em 1964. Carrajola veio a ser agraciado com a ordem de Avis, grau Cavaleiro em 27 de setembro de 1958.
Quanto ao Centro Interpretativo, a forte ligação histórica do território de Foros de Arrão, aos moinhos de vento e de água, deu o mote para o nascimento.


