Num dia como hoje não tenho muita pachorra para escrever. Abrantes está a arder, Sardoal, Mação, Sertã também… todos lugares que conheço bem e em que dei aulas vários anos… uma região linda e calma que escolhi para viver em paz… e agora queimada. Não sei as causas e os objectivos, se existem… mas perder parte da natureza, até uma pequena árvore, é um ataque à herança da futura humanidade. Posso dizer que o meu coração chora, como numa canção que ouvi.
Por esta razão vou falar só um pouco de um grande Artista Mexicano, David Alfaro Siqueiros, que foi um dos grandes muralistas (ou graffiteiros) do passado, e escolhi-o porque ele sempre defendeu a sua terra e o seu povo.
O movimento muralista mexicano foi um dos mais importantes ocorridos no século XX e certamente um marco na história da arte, que exerceu uma forte influencia em todo o continente e no mundo, sobretudo hoje que o muralismo, a arte urbana e os graffiti, são muito comuns.
Siqueiros foi um dos principais membros integrantes desse movimento, juntamente com Diego Rivera e José Orozco. Nascido no final dos anos 1800, Siqueiros faleceu em 1974 tendo vivido uma vida de participação em muitos movimentos e com actividades distribuídas de uma forma quase inesgotável. O homem não parava e ao mesmo tempo foi um dos maiores pintores de sua época.
Seu grande tema foi o povo mexicano e a revolução. Dono de técnica aprimorada foi também um experimentador, criando novos métodos e novos materiais, (temos de agradecer aos muralistas Mexicanos a evolução das tintas para exterior e o continuo progresso da industria deste sector).
Seus quadros são carregados de um simbolismo e uma eloquência incomuns. E são belos. Os estilos são capazes de grande variedade trazendo lembranças diferentes e mostrando o domínio de técnicas que permitem ao pintor enveredar por diferentes caminhos com muita facilidade. Prospectivas excessivas, cores extravagantes, domínio da anatomia e volumetria são pontos fulcrais nas suas obras
Sua vida toda foi uma verdade clara. Você pode discordar dele, não gostar dele e das suas obras, mas não duvide da sua postura. O artista foi um grande guerreiro, um grande lutador, independentemente de concordarmos ou discordarmos dos seus ideais e metas, e é bom lembrar que metas e ideais são duas coisas diferentes.
Podemos ter ideias diferentes mas defender a nossa identidade e a natureza deveria ser a base de cada um de nós. Artistas ou não.
