Argentina-Brasil, Mundial de 1982 | Foto: Getty Images

Aprecio a ironia. Considero-a mesmo uma das mais nobres e inteligentes formas de olhar de maneira crítica para a vida. Acho-lhe ainda mais piada quando é a vida que a utiliza para dar respostas ou passar mensagens.

Em 1982, estava eu perto de completar 12 anos, jogou-se o mundial de futebol organizado “aqui ao lado” pela Espanha. Apesar de algumas memórias do Argentina 78, este é o primeiro mundial de futebol que recordo com nitidez. Recordo o Naranjito. Recordo o Argélia-Alemanha. Recordo os jogos da seleção dos Camarões. Recordo os três empates da Itália na fase de grupos. Recordo a vergonha que foi o Alemanha-Áustria. Recordo o Paolo Rossi. Recordo a épica meia final entre a França e a Alemanha. Recordo a final entre a Itália e a Alemanha. Recordo os festejos do Marco Tardelli quando marcou o segundo golo na final. Mas tenho que confessar que as recordações mais nítidas e mais empolgantes são em relação aos jogos do Brasil.

Nessa altura era normal Portugal ficar fora das grandes decisões falhando invariavelmente o apuramento para as fases finais, tanto de europeus como de mundiais, com a honrosa exceção do saudoso mundial de 1966. Provavelmente por causa disso, era natural que a maioria dos portugueses tivessem preferência pela seleção do país irmão. Eu não era exceção e em 82 vibrei com os jogos, as exibições e as estrelas do Brasil.

Mais de três décadas e meia depois, percebo hoje que nesse longínquo ano de 1982, tão longínquo que nessa altura no Verão ainda fazia calor, tive o privilégio de ver jogar a seleção que provavelmente melhor tratou bola e que futebol mais empolgante praticou até aos dias de hoje. Com alguma proximidade apenas consigo encontrar paralelismo com a laranja mecânica que foi campeã europeia em 1988.

Foi um verdadeiro prazer ver o futebol espetáculo praticado por Sócrates, Zico, Falcão, Éder, Toninho Cerezzo, Junior e companhia. Foi um prazer tão grande que ainda hoje recordo com alguma nostalgia os jogos e as exibições com a União Soviética, a Escócia, a Nova Zelândia, a Argentina e a Itália.

Apesar da qualidade e do futebol espetáculo, esta seleção não ganhou nada e acabou por ser eliminada num jogo onde lhe bastava um empate, por uma Itália fria, prática e objetiva.

Com as devidas distâncias e muito longe do perfume daquela seleção canarinha de 82, consigo vislumbrar semelhanças em relação ao que se passou no último sábado em relação ao jogo de Portugal.

De forma subliminar, quase como uma fina ironia parece que a vida quis enviar uma mensagem a tantos que sabem tanto… e depois de tantas críticas em relação às exibições da nossa seleção, provavelmente pela primeira vez neste mundial Portugal foi superior ao seu adversário, mas, ironia das ironias, apesar dessa superioridade, ao contrário do sucesso alcançado nos jogos em que jogou pior que os seus adversários, desta vez Portugal não conseguiu atingir os seus objetivos e acabou por perder o jogo e ser eliminada por um Uruguai que soube ser frio, prático e objetivo.

A moral desta história podia ser que na vida o pragmatismo forja vencedores. Essa devia ser a lição e a ilação. Mas num mundo onde tantos sabem tanto e muitos sabem mesmo tudo, deixou de haver espaço para aprender e a moral desta história acabará por se perder no enleado de tantas outras conclusões que se repetiram e repetirão ao longo dos anos.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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