O concelho de Mação tem uma densa mancha florestal tendo sido particularmente fustigado por incêndios de grandes dimensões. Foto arquivo: DR

Volto ao tema porque não podemos desperdiçar nenhuma oportunidade para lembrar, para exigir, para pedir, para fazer ouvir a nossa voz sobre a absurda discriminação que os concelhos do Médio Tejo afetados pelos fogos de 2017 estão a ser sujeitos por parte do Governo.

Se o caso de Mação é o mais gritante, a verdade é que também o Sardoal, Abrantes, Ferreira de Zêzere ou Vila de Rei (mas também Gavião ou Nisa) estão a ser prejudicados. A Sertã é um caso diferente porque teve a “sorte” do fogo de Pedrogão ali ter chegado e por essa via tem tido direito a todas as benesses, justas ou não, que têm sido dadas aos concelhos da Tragédia de Pedrogão e dos fogos de 15 de outubro.

Ao dia de hoje, ainda há empresas nesses concelhos que têm uma redução de 50% nas responsabilidades para com a Segurança Social, gozam de maior flexibilidade no pagamento de coimas e prestação à Autoridade Tributária só por terem sede social num desses concelhos. Mesmo que não tenham ardido ou mesmo que não tenham sido afetados de alguma forma pelos fogos. Já as empresas que arderam nos concelhos do Médio Tejo, mesmo que tenham ardido total ou parcialmente, não gozam de nenhuma destas facilidades do Estado. É uma vergonha.

Recordo que, já este ano, a Assembleia da República aprovou uma alteração à Lei que estende a mais concelhos (desde que preencham determinados critérios) os apoios dados aos municípios afetados pela tragédia de Pedrogão. Nesses critérios cabem os concelhos do Médio Tejo acima referidos. O Governo tem ignorado olímpicamente esta Lei. Mesmo se esta Lei 13/2018, de 9 de março, não existisse, a própria Constituição obrigaria a agir de forma proporcional e não discriminatória.

Recordo ainda que os prejuízos de todos estes concelhos que acima referi foram incluídos na candidatura portuguesa ao Fundo de Solidariedade da União Europeia por sugestão que eu fiz ao Governo após saber oficiosamente que a candidatura de “Pedrogão” teria sido chumbada. Só contabilizando os prejuízos dos concelhos do Médio Tejo foi possível ver aprovada a ajuda de 50, 6 milhões de euros da UE. Qual não é o meu espanto, já para não dizer revolta, quando venho a saber que nem um cêntimo destas verbas vai chegar aos concelhos do Médio Tejo.

Estranho o silêncio de tanta gente com responsabilidades onde a exceção parecem ser os autarcas de Mação e do Sardoal.

Exige-se mais, exige-se mais ao governo, exige-se mais ao Presidente da República, mas se também se deve exigir mais aos poderes locais e em particular à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Apetece perguntar: se isto se passasse num governo PSD a liderança da CIM estaria assim tão calada? Admite-se que a CCDR-Centro assista impávida e serena a um tratamento tão desigual entre concelhos da mesma região Centro?

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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