Os aromas doces que se sentem no ar não enganam: está aberta a 36.ª Feira Nacional dos Frutos Secos e a 19.ª Feira do Figo Preto, um fruto endógeno de Torres Novas. No centro histórico, entre broas, licores e mel, música ao vivo e espaços gastronómicos, são muitos os produtos que se podem encontrar nos cerca de 80 expositores, quer de Portugal, quer de outras partes do mundo.
A Feira dos Frutos Secos é o resultado do trabalho de “muitos torrejanos e torrejanas que fizeram o seu sacrifício no campo”, lembrou o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, no discurso de abertura.
O autarca frisou a importância histórica do figo preto de Torres Novas, “único” a nível mundial, e que era muito usado no fabrico da aguardente, um aroma que em tempos “enchia as ruas” da cidade.

A produtora Michele Rosa, da aldeia torrejana de A-do-Freire, participa na Feira dos Frutos Secos há 11 anos e faz “parte de um grupo que começou, de alguma forma, a dinamizar o figo”, explica, referindo-se ao consórcio GoFigo, que nos últimos anos estudou técnicas de cultivo “racionais”que pudessem revitalizar e ajudar a promover o figueiral, um setor muito rico mas em decadência no concelho de Torres Novas.
O figo preto “é único no mundo” e “tem de ser mais valorizado”, considera Michele Rosa, que destaca a qualidade deste fruto, quer seja fresco, seco ou transformado. Uma das missões da GoFigo, de que Michele Rosa é porta-voz, é avançar para a criação de uma Denominação de Origem (DO) ou Indicação Geográfica (IG) do figo preto torrejano.

Este ano a produção não correu da melhor forma, explica, porque choveu numa altura pouco favorável e não havia também mão de obra suficiente para fazer a colheita.

O presidente de Turismo do Centro, Raul Almeida, esteve presente na abertura da Feira, com a sua vice-presidente, Anabela Freitas, que cessou no mês passado funções na Câmara de Tomar. Ambos tomaram posse em setembro e Raul Almeida referiu a importância da realização destes eventos para potenciar a visita de turistas à região e lembrou que o desenvolvimento do turismo “é uma alavanca” no setor da economia, mas, também, no setor da agricultura.

Um facto igualmente destacado pela ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, enaltecendo o papel da produção local como “atividade principal” de muitas famílias ou como importante “complementaridade” na economia familiar.
A ministra apontou a necessidade de “valorizar a pequena agricultura”, que “não tem dimensão para ganhar escala”, nomeadamente em mercados locais.

É o caso de Carla Aguiar, que segue o legado da mãe, Antónia Aguiar, “uma das primeiras fundadoras da feira”. É da aldeia de Ribeira Ruiva, a “capital do doce de Torres Novas”, diz com orgulho. A doceira considera que hoje “as pessoas vêm mais” à Feira e gostam de conhecer “as raízes” do que é tradicional.
Mas nem sempre visitar é sinónimo de comprar… José Canhoto, produtor de Pinhal Novo, diz que apesar da afluência de visitantes, a situação do país “obriga toda a gente a fazer uns determinados cortes”.
Em relação à concorrência dos outros expositores, nomeadamente de produtos importados, José Canhoto entende que cada um tem as suas qualidades e que “quantos mais produtos houver, mais valorização tem a Feira”.

Dividida entre a Praça 5 de Outubro e a Praça dos Claras, a Feira acolhe cerca de 80 expositores de frutos secos e derivados, artesanato e produtos alimentares, bem como uma área de restauração e um programa de animação ao longo do certame. A entrada é gratuita.
PROGRAMA
4 de outubro, quarta-feira
22h30 | Xarepa Band comemora 55 anos de carreira
5 de outubro, quinta-feira
Tarde | TorresFarra
16h00 | Rancho Folclórico de Torres Novas
17h00 | Ceirões Passas e Barrões
18h00 | Rancho Folclórico ‘Os Camponeses’ de Riachos
20h00 | Ricardo Monteiro acústico
6 de outubro, sexta-feira
22h30 | Teresa Tapadas
7 de outubro, sábado
Tarde | TorresFarra
Tarde | Bandinha Mirense
17h00 | Ceirões Passas e Barrões
22h30 | Sónia Mota comemora 30 anos de carreira
8 de outubro, domingo
Tarde | TorresFarra
17h00 | Ceirões Passas e Barrões
19h30 | Ana Filipa Rosado acústico
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
Praça 5 de Outubro | quarta 17h-24h; quinta (feriado) 11h-21h; sexta
17h-24h; sábado 11h-24h; domingo 11h-21h
Praça dos Claras | quarta 17h-01h; quinta (feriado) 12h-22h; sexta
17h-01h; sábado 12h-01h; domingo 12h-21h
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Bom dia como posso comprar figos pretos de Torres sem ter que ir a Torres.