Michele Rosa faz parte de um grupo de produtores torrejanos que procura manter dinamizar a produção e manter a tradição do figo nesta região. Foto: mediotejo.net

Os aromas doces que se sentem no ar não enganam: está aberta a 36.ª Feira Nacional dos Frutos Secos e a 19.ª Feira do Figo Preto, um fruto endógeno de Torres Novas. No centro histórico, entre broas, licores e mel, música ao vivo e espaços gastronómicos, são muitos os produtos que se podem encontrar nos cerca de 80 expositores, quer de Portugal, quer de outras partes do mundo.

A Feira dos Frutos Secos é o resultado do trabalho de “muitos torrejanos e torrejanas que fizeram o seu sacrifício no campo”, lembrou o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, no discurso de abertura.

O autarca frisou a importância histórica do figo preto de Torres Novas, “único” a nível mundial, e que era muito usado no fabrico da aguardente, um aroma que em tempos “enchia as ruas” da cidade.

ÁUDIO | PEDRO FERREIRA, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE TORRES NOVAS
(da esq. para dir.) Elvira Sequeira, vereadora da CM Torres Novas, Anabela Freitas, vice-presidente do Turismo do Centro, Pedro Ferreira, presidente da CM de Torres Novas, Maria do Céu Antunes, ministra da Agricultura, Raul Almeida, presidente do Turismo do Centro, Luís Alves, vice-presidente da CM Torres Novas. Foto: mediotejo.net

A produtora Michele Rosa, da aldeia torrejana de A-do-Freire, participa na Feira dos Frutos Secos há 11 anos e faz “parte de um grupo que começou, de alguma forma, a dinamizar o figo”, explica, referindo-se ao consórcio GoFigo, que nos últimos anos estudou técnicas de cultivo “racionais”que pudessem revitalizar e ajudar a promover o figueiral, um setor muito rico mas em decadência no concelho de Torres Novas.

ÁUDIO | MICHELE ROSA, PRODUTORA DE FIGO PRETO DE TORRES NOVAS

O figo preto “é único no mundo” e “tem de ser mais valorizado”, considera Michele Rosa, que destaca a qualidade deste fruto, quer seja fresco, seco ou transformado. Uma das missões da GoFigo, de que Michele Rosa é porta-voz, é avançar para a criação de uma Denominação de Origem (DO) ou Indicação Geográfica (IG) do figo preto torrejano.

Michele Rosa é a porta-voz da GoFigo, que quer ver renascer a aposta nos figueirais em Torres Novas. Foto: mediotejo.net

Este ano a produção não correu da melhor forma, explica, porque choveu numa altura pouco favorável e não havia também mão de obra suficiente para fazer a colheita.

Expositores na Feira de Frutos Secos, em Torres Novas. Foto: mediotejo.net

O presidente de Turismo do Centro, Raul Almeida, esteve presente na abertura da Feira, com a sua vice-presidente, Anabela Freitas, que cessou no mês passado funções na Câmara de Tomar. Ambos tomaram posse em setembro e Raul Almeida referiu a importância da realização destes eventos para potenciar a visita de turistas à região e lembrou que o desenvolvimento do turismo “é uma alavanca” no setor da economia, mas, também, no setor da agricultura.

Visita aos expositores na abertura da 36ª Feira dos Frutos Secos, em Torres Novas. Foto: mediotejo.net

Um facto igualmente destacado pela ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, enaltecendo o papel da produção local como “atividade principal” de muitas famílias ou como importante “complementaridade” na economia familiar.

A ministra apontou a necessidade de “valorizar a pequena agricultura”, que “não tem dimensão para ganhar escala”, nomeadamente em mercados locais.

É o caso de Carla Aguiar, que segue o legado da mãe, Antónia Aguiar, “uma das primeiras fundadoras da feira”. É da aldeia de Ribeira Ruiva, a “capital do doce de Torres Novas”, diz com orgulho. A doceira considera que hoje “as pessoas vêm mais” à Feira e gostam de conhecer “as raízes” do que é tradicional.

ÁUDIO | CARLA AGUIAR, DOCEIRA DE TORRES NOVAS

Mas nem sempre visitar é sinónimo de comprar… José Canhoto, produtor de Pinhal Novo, diz que apesar da afluência de visitantes, a situação do país “obriga toda a gente a fazer uns determinados cortes”.

Em relação à concorrência dos outros expositores, nomeadamente de produtos importados, José Canhoto entende que cada um tem as suas qualidades e que “quantos mais produtos houver, mais valorização tem a Feira”.

ÁUDIO | JOSÉ CANHOTO, PRODUTOR NACIONAL
Entre cerca de 80 expositores, José Canhoto considera que a concorrência dinamiza a Feira e é boa para os clientes. Foto: mediotejo.net

Dividida entre a Praça 5 de Outubro e a Praça dos Claras, a Feira acolhe cerca de 80 expositores de frutos secos e derivados, artesanato e produtos alimentares, bem como uma área de restauração e um programa de animação ao longo do certame. A entrada é gratuita. 

PROGRAMA

4 de outubro, quarta-feira

22h30 | Xarepa Band comemora 55 anos de carreira

5 de outubro, quinta-feira

Tarde | TorresFarra

16h00 | Rancho Folclórico de Torres Novas

17h00 | Ceirões Passas e Barrões

18h00 | Rancho Folclórico ‘Os Camponeses’ de Riachos

20h00 | Ricardo Monteiro acústico

6 de outubro, sexta-feira

22h30 | Teresa Tapadas

7 de outubro, sábado

Tarde | TorresFarra

Tarde | Bandinha Mirense

17h00 | Ceirões Passas e Barrões

22h30 | Sónia Mota comemora 30 anos de carreira

8 de outubro, domingo

Tarde | TorresFarra

17h00 | Ceirões Passas e Barrões

19h30 | Ana Filipa Rosado acústico

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

Praça 5 de Outubro | quarta 17h-24h; quinta (feriado) 11h-21h; sexta
17h-24h; sábado 11h-24h; domingo 11h-21h

Praça dos Claras | quarta 17h-01h; quinta (feriado) 12h-22h; sexta
17h-01h; sábado 12h-01h; domingo 12h-21h

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Apaixonada pelo mundo do jornalismo, é licenciada em Comunicação Social pelo Instituto Politécnico de Tomar / Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Acredita que "para chegar onde a maioria não chega, é necessário fazer o que a maioria não faz".

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