A época de Natal e Ano Novo é normalmente motivo para um curto período de regresso às origens.
Esse reencontro pode ser através da visita à terra natal, ou de adoção, ou pode ser uma viagem pelas memórias, através das vivências que se proporcionam nesta quadra de especial.
Os territórios despovoados do interior ganham novas dinâmicas e alegrias firmadas nos reencontros de familiares e amigos em torno da magia do espirito desta época.
A natureza também assume um protagonismo renovado ao contribuir para a beleza das festividades, com os musgos e os cenários dos tradicionais presépios, os cepos gigantescos que alimentam as seculares fogueiras de comunidade, e as gastronomias anualmente recriadas, que nos chegam à mesa.
Nos últimos anos muitos municípios têm apostado numa estratégia de visibilidade desta quadra tentando colocar nos roteiros turísticos iniciativas que contribuam para as suas dinâmicas sociais e económicas, como as iluminações, concertos, animação de praças e espetáculos para as crianças.
Estas iniciativas, apoiadas por fundos comunitários, envolvem as entidades representativas dos comerciantes locais e pretendem gerar contributo para a revitalização das atividades do comércio tradicional, em contraponto com a competitividade e massificação dos grandes centros comerciais.
Tais campanhas de natal, “territorializadas”, podem não alcançar os objetivos de relançar a pequena economia local ou sequer contrariar a sazonalidade da procura por turista ou visitantes, mas contribuem para trazer a população para o espaço público, e consequente interação entre pessoas de diferentes gerações.
Felizmente, esta dinâmica começa a disseminar-se e faz-nos acreditar que estes ciclos se manterão no futuro.
Em tempo de grande apelo ao consumo é fundamental desenvolver iniciativas que vão para além do efémero, que toquem verdadeiramente o coração das pessoas fazendo-as sentir parte de uma comunidade numa partilha de valores identitários.
Nesta época de magia, muitos encontram o conforto na sua terra … esse espaço muito especial rodeado de cenários familiares, de pessoas e afetos….tudo tão íntimo e tão acarinhado por esse sentimento de pertença que é afinal a expressão máxima da identidade!
Vêm ao meu encontro as palavras de António Lobo Antunes no seu Quarto Livro de Crónicas: “Tanto ruído no interior deste silêncio: são as vozes dos outros a falarem em mim, pessoas de quem gostei, pessoas que perdi, gente que tenho ainda”.
Afinal talvez seja isso que vale a pena nesta quadra festiva.
Bom Ano de 2017!
