A época de Natal e Ano Novo é normalmente motivo para um curto período de regresso às origens.

Esse reencontro pode ser através da visita à terra natal, ou de adoção, ou pode ser uma viagem pelas memórias, através das vivências que se proporcionam nesta quadra de especial.

Os territórios despovoados do interior ganham novas dinâmicas e alegrias firmadas nos reencontros de familiares e amigos em torno da magia do espirito desta época.

A natureza também assume um protagonismo renovado ao contribuir para a beleza das festividades, com os musgos e os cenários dos tradicionais presépios, os cepos gigantescos que alimentam as seculares fogueiras de comunidade, e as gastronomias anualmente recriadas, que nos chegam à mesa.

Nos últimos anos muitos municípios têm apostado numa estratégia de visibilidade desta quadra tentando colocar nos roteiros turísticos iniciativas que contribuam para as suas dinâmicas sociais e económicas, como as iluminações, concertos, animação de praças e espetáculos para as crianças.

Estas iniciativas, apoiadas por fundos comunitários, envolvem as entidades representativas dos comerciantes locais e pretendem gerar contributo para a revitalização das atividades do comércio tradicional, em contraponto com a competitividade e massificação dos grandes centros comerciais.

Tais campanhas de natal, “territorializadas”, podem não alcançar os objetivos de relançar a pequena economia local ou sequer contrariar a sazonalidade da procura por turista ou visitantes, mas contribuem para trazer a população para o espaço público, e consequente interação entre pessoas de diferentes gerações.

Felizmente, esta dinâmica começa a disseminar-se e faz-nos acreditar que estes ciclos se manterão no futuro.

Em tempo de grande apelo ao consumo é fundamental desenvolver iniciativas que vão para além do efémero, que toquem verdadeiramente o coração das pessoas fazendo-as sentir parte de uma comunidade numa partilha de valores identitários.

Nesta época de magia, muitos encontram o conforto na sua terra … esse espaço muito especial rodeado de cenários familiares, de pessoas e afetos….tudo tão íntimo e tão acarinhado por esse sentimento de pertença que é afinal a expressão máxima da identidade!

Vêm ao meu encontro as palavras de António Lobo Antunes no seu Quarto Livro de Crónicas: “Tanto ruído no interior deste silêncio: são as vozes dos outros a falarem em mim, pessoas de quem gostei, pessoas que perdi, gente que tenho ainda”.

Afinal talvez seja isso que vale a pena nesta quadra festiva.

Bom Ano de 2017!

 

José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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