O Festival Z regressa no domingo a Ferreira do Zêzere, cinco meses após a tempestade Kristin, com um orçamento reduzido em 90%, mas assumindo-se como um sinal de recuperação do concelho e de continuidade da aposta na cultura.
“Foi sempre objetivo que o Festival Z fosse um momento de encontro, de troca de experiências e de partilha”, disse o presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, tendo destacado a importância das dinâmicas culturais e turísticas para o reerguer do território.
O evento decorre no Jardim dos Sentidos, com entrada gratuita, e tem como principal destaque o concerto da cantora e compositora Luísa Sobral, marcado para as 17:30, integrando ainda mercado criativo, oficinas, artes performativas e atividades para diferentes públicos.
Segundo o autarca, a edição deste ano realiza-se num contexto particularmente exigente, marcado pelos danos provocados pela tempestade Kristin, que atingiu o concelho em janeiro e obrigou o município a canalizar recursos financeiros para a recuperação de infraestruturas e apoio à população.
“Tivemos que fazer uma redução de verba de cerca de 90%, mas não deixará de ser por isso que o festival não terá o seu espaço para se consolidar e para se enraizar naquilo que é a nossa dinâmica cultural”, afirmou.
Bruno Gomes explicou que a autarquia reduziu em cerca de 200 mil euros as verbas destinadas a atividades culturais e desportivas, montante que pretende direcionar para um fundo municipal de emergência destinado a responder a futuras situações de crise.
No âmbito desse esforço financeiro, o município cancelou o Festival do Fado e outros eventos de menor dimensão, enquanto as associações locais optaram por não realizar este ano iniciativas tradicionais como as Marchas Populares e os Círios.
“As associações entenderam não ter condições para continuar com esses projetos em agenda e nós respeitámos essa decisão”, afirmou.
Apesar das restrições orçamentais, o município decidiu manter o Festival Z, que considera um dos eventos estratégicos da programação cultural local, embora reduzido a um dia.

Segundo Bruno Gomes, o festival assume também uma dimensão simbólica numa altura em que o concelho continua a recuperar dos efeitos da intempérie.
“Queremos continuar a normalizar o concelho e queremos muito que este cartaz também ajude a isso”, declarou.
O presidente da Câmara defendeu que os eventos culturais podem contribuir para apoiar setores como a restauração, a hotelaria e o comércio local, fortemente afetados pelos prejuízos causados pela tempestade.
“Temos o comércio, a restauração e a hotelaria que precisam também da ajuda do município para mostrar que o território está bem, que se recomenda e que se está a reerguer”, afirmou.
O autarca considerou igualmente que a cultura desempenha um papel importante na recuperação social e emocional da comunidade.
“A nossa comunidade precisa de sair à rua, de partilhar momentos bons e de conviver para que tudo aquilo que foi um trauma duro e difícil possa ser amenizado”, sustentou.
O programa do Festival Z arranca às 11:00 com a abertura do Mercado Circular, seguindo-se, às 15:30, a iniciativa “Toca dos Sons”. Entre as 16:00 e as 19:00 decorrem oficinas promovidas pelo Aviário Studio e, às 16:30, está prevista uma atuação da Associação de Marinheiros de Ferreira do Zêzere.
Após o concerto de Luísa Sobral, a programação prossegue com o espetáculo do Palhaço Petrúcio Sonhador, às 18:15, encerrando às 19:00 com “Sons de África”.
Bruno Gomes revelou ainda que o Festival Z deverá voltar a promover atividades noutros locais do concelho ao longo do ano, numa lógica de descentralização cultural.
“O Festival Z servirá também para dar conta de que estamos vivos, que estamos o melhor possível e que continuamos focados em resolver tudo aquilo que ficou danificado e a preparar o futuro”, afirmou.

c/Lusa
