“Este é um festival multidisciplinar, que tenta criar, em torno do mote ‘Fantasiar o futuro’, um lugar para isso… para que a comunidade e visitantes consigam pensar num outro futuro ou imaginar novos futuros”, explica Luís Ferreira, coordenador artístico do Festival Vapor. “Essa ideia vem muito da ideia do steampunk que é, no fundo, o mote de raiz do festival.”
O responsável recorda que, no tempo da revolução industrial, “artistas, cientistas, técnicos sabiam que o mundo iria mudar com esta revolução, mas não sabiam ainda como, então imaginaram uma série de gadgets, ideias e modelos para pensar esse futuro”.
“Neste momento, estamos a tentar também viver uma mudança tecnológica gigante com a AI e afins e queremos que também se comece a pensar noutras alternativas de futuro, porque no fundo, o mundo também vai mudar”, afirma Luís Ferreira.
O programa desta 5ª edição, que decorre de 12 a 14 de setembro, inclui concertos de Selma Uamusse, Expresso Transatlântico, Mão Morta e Bia Maria + Coro dos Comuns. A novidade passa pela primeira programação internacional, com destaque para o espetáculo francês “Dragon Time”, em estreia nacional, da companhia francesa “Elixir”. Trata-se de um “espetáculo de grande escala” no exterior do Museu Nacional Ferroviário, onde luz, fumo, desenhos de fogo e fibra ótica se combinam numa coreografia com proezas acrobáticas e malabarismos.
“Estamos a fazer um caminho, sabemos que ainda há muito a fazer, mas temos um programa muito forte” este ano, garante Luís Ferreira.
A ligação à comunidade é uma das marcas desta edição, que contará com quatro projetos comunitários na programação. Num dos projetos comunitários, anunciou a organização, será desenvolvido um modelo de cocriação entre o Colectivo Espaço Invisível e “dezenas largas” de participantes, em que “o resultado será um espetáculo multidisciplinar”, que cruza música, dança, artes visuais e teatro, “a partir do território habitado e do seu lugar no futuro”.

Outro projeto comunitário intitula-se “refleƆtion”, uma criação de Alexandra Fernandes, e que tem por base um projeto fotográfico que “propõe uma nova forma de olhar o território”, envolvendo jovens locais num “cruzamento entre arte e consciência ambiental”.
O resultado será apresentado numa exposição coletiva durante o festival, “mapeando boas práticas” no Entroncamento “através da imagem”.
Direcionado para as escolas e famílias, o Vapor convida ainda a ‘Mais Uma Volta… Mais Uma Viagem”, uma instalação lúdica e intergeracional, num projeto que integra um espetáculo-concerto protagonizado por um grupo de jovens músicos ucranianos refugiados em Portugal.
Ainda no âmbito artístico e comunitário, o Leirena Teatro, por sua vez, vai desenvolver um “projeto teatral, inclusivo e multidisciplinar”, em parceria com o CERE – Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento e a Carruagem 23 – Artes do Entroncamento, que envolve o público em momentos de contacto e interatividade através de ações performativas de rua onde “todos têm voz, todos têm lugar e todos podem seguir caminho”.
O trabalho de inclusão é assumido como prioridade. “Este projeto diz às pessoas com deficiência que este festival é para elas e que elas fazem parte dele efetivamente. Tem sido um projeto muito interessante e que está também a ser trabalhado nas últimas semanas. Portanto, são quatro projetos que reforçam a ligação do festival às suas comunidades”.
Para além dos concertos e dos projetos artísticos, a programação oferece atividades para famílias durante a tarde, oficinas de steampunk, uma feira do livro com lançamentos, exposições, feira de artesanato e tasquinhas dinamizadas por associações locais. Também as escolas da região terão atividades dedicadas no primeiro dia do festival.

“Estamos a tentar criar um momento de festa, de aproveitamento também daquilo que é o Museu com o seu potencial, com estas referências históricas que vêm das outras edições do Festival”, destaca Luís Ferreira.
“O festival está-se a consolidar, portanto, sentimos que poderá vir a ser uma referência da região centro (…). Esta ideia de inclusão, de diversidade e de vários públicos em comunhão nesta ideia de ‘imaginar o futuro’ é o que nos interessa efetivamente”, conclui Luís Ferreira.
A organização indicou ainda que, no campo musical, ao já anunciado concerto de Bia Maria, junta-se o Coro dos Comuns, projecto criado no âmbito dos ‘Caminhos do Médio Tejo’ e que reúne comunidades de Constância e Entroncamento num “exercício de canto livre e partilhado”, sob direção do maestro Vítor Ferreira.
Já no cinema, em parceria com o Planos Film Fest, o festival apresenta uma seleção de curtas-metragens numa “viagem por diferentes culturas”, propondo “vários olhares sobre o tema da esperança”.
