Materiais Diversos leva dança, flores e cinema a Alcanena. Foto arquivo: Materiais Diversos

Até domingo, 12 de outubro, Alcanena e Minde acolhem a 13.ª edição do festival Materiais Diversos (FMD), que apresenta um diversificado programa, com propostas no domínio da dança, performance, música, conversas, caminhadas, atividades para famílias e ações de formação. O festival afirma-se como “um organismo” vivo que propõe olhar o passado como “herança”, o presente como “prática ativa de cuidado e desejo”, e o futuro como um “espaço aberto à reinvenção”.

Esta quinta-feira, dia 9, o pinhal da praia fluvial d’Os Olhos de Água recebe a estreia nacional de “Conversaciones con lo invisible” de Carolina Cifras. Trata-se de um “espetáculo que, de um ponto de vista necropolítico, questiona as nossas ligações com a natureza”.

Já o Mercado Municipal de Alcanena acolhe a estreia nacional de “to be possessed” de Chara Kotsali, uma performance a solo, física e sonora, que “evidencia aspetos materiais e esotéricos de um arquivo heterogéneo DIY (“do it yourself”) de mulheres “possuídas”, reunidas a partir de diversos contextos culturais”.

No dia 10, no Cine-Teatro São Pedro de Alcanena, Vânia Rovisco apresenta “No Corpo: Assim se conhece o mundo”, uma experiência imersiva onde cada pessoa é a peça fundamental da roda que escolher.

No Mercado Municipal de Alcanena, Gaya de Medeiros leva a palco “Pai para Jantar”, um jogo onde o público investiga os pormenores da masculinidade “com poesia e bom humor”. Ao final da noite, no Cine-Teatro São Pedro de Alcanena, a DJ e produtora brasileira King Kami assegura-se da festa.

O sábado, dia 11, começa com “Uma Conspiração Animista”, de Sofia Dias & Vítor Roriz, no Polje de Mira-Minde. Trata-se de “uma meditação pessoal e uma experiência coletiva que questiona a nossa relação com o meio envolvente”.

Segue-se a estreia nacional de “Comidas Crioullas”, de nyamnnyam (projeto de Iñaki Álvarez e Ariadna Rodríguez), na Antiga EB1 de Minde, “uma série de refeições com um pequeno grupo de pessoas que combina materiais textuais, objetuais, visuais e, acima de tudo, experienciados, que atravessaram todo o trabalho centrado numa faca tradicional”.

Foto: Materiais Diversos

Também no sábado decorre o concerto de Líquen, em parceria com o Festival Bons Sons, no Museu de Aguarela Roque Gameiro (MARG), em Minde; a estreia nacional de “To be schieve or a romantic attempt”, de Fanny Brouyaux, no Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro (CAORG), em Minde; a estreia nacional de “Spine of Desire: Wounds Without Tears, Out of One Skin in Diamonds and Shit” de Stanley Ollivier, no Mercado Municipal de Alcanena.

O sábado encerra com o DJ set do Casal Maravilha (Foguinho e Tita Maravilha) no Cine-Teatro São Pedro de Alcanena, “um encontro pós-apocalíptico de referências para dançar nas mil e uma noites”.

O último dia do festival acontece no domingo, dia 12, com a estreia absoluta de “Sofreh-e del – Spread of the Heart (Mesa do Coração)”, de Rebecca Moradalizadeh, no Museu Municipal de Alcanena, uma performance que cria um território híbrido onde gesto, palavra, som e comida se entrelaçam.

Segue-se “Blackbox”, do Estúdio de Dança de Alcanena, no Jardim da República em Alcanena; “Taranto Aleatório”, de La Chachi, no Cine-Teatro São Pedro de Alcanena, um encontro entre dança e cante; e uma festa pelo Coletivo Entwined — suburbae (também conhecido como Stanley Ollivier).

Paralelamente aos espetáculos, o festival materiais diversos promove, ainda, o clube de espetadores “Ver no Escuro”, até sábado, um projeto de “criação de uma comunidade mais crítica, incentivando o diálogo e a reflexão sobre as artes performativas”; a conversa “Matérias do Agora #5: Como abordar o direito à identidade e expressão de género em família?” com Manuela Ferreira, AMPLOS, no dia 9, e “Matérias do Agora #6: Que papel desempenha o jornalismo na propagação dos discursos de ódio e do populismo?”, com Filipa Subtil, dia 10, no Cine-Teatro São Pedro de Alcanena.

Tem lugar ainda uma Aula de Minderico (património cultural imaterial originário da vila de Minde), no MARG, dia 11, a apresentação do livro “Linhas de Tensão. Arte, Dança e Ecologia”, de Daniel Tércio e Liliana Coutinho, na Pia do Povo, Serra de Santo António; e uma visita ao Museu de Aguarela Roque Gameiro, único museu do país totalmente dedicado à aguarela e à obra de Alfredo Roque Gameiro, no dia 12 de outubro.

Pela edição de 2025 do festival materiais diversos vão passar artistas de nove nacionalidades (Portugal, Brasil, Irão, Chile, Grécia, Bélgica, França, Espanha e Itália). A ligação ao território e a conexão com a natureza, em “representação de um ecossistema mutável”, continuam a ser elementos centrais da identidade do fmd. Ao mesmo tempo que se ancora no local, o festival mantém uma “visão aberta ao mundo”, refletindo sobre a contemporaneidade e as práticas globais das artes performativas.

Foto: Materiais Diversos

Com a missão de descentralizar o acesso à dança e às artes performativas, promove experiências que aproximam artistas e públicos de diferentes contextos, criando espaços de convivência, reflexão e experimentação. “O conceito curatorial expandido, aliado a uma identidade híbrida e a uma singularidade linguística, transforma o festival numa plataforma única em Portugal, capaz de desafiar paradigmas, convocar múltiplas vozes e estimular a imaginação coletiva”, refere a organização em nota divulgada.

O festival é organizado pela Materiais Diversos, uma estrutura artística independente, sediada em Alcanena, com atuação nacional e internacional. Desenvolve um “programa plural e descentralizado” nas artes performativas, com foco na dança contemporânea, afirmando-se como um “projeto vivo, inclusivo e dinâmico, capaz de enfrentar os desafios contemporâneos. Sustenta-se em relações duradouras e momentos essenciais de convivência, que alimentam a sua nova abordagem”. 

A Materiais Diversos é um “espaço de programação comprometido com a transformação”, concretizada ao longo do ano e potenciada pelo festival materiais diversos, realizado desde 2009, e agora em formato bienal e que durante cerca de 10 dias percorre diferentes espaços entre Minde e Alcanena. Produz e acompanha projetos artísticos que circulam dentro e fora do país e apoia artistas em diferentes fases dos seus percursos, desde a pesquisa até à apresentação.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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