“Em termos programáticos destacamos o ‘Programa Cujo Nome Estamos Impedidos de Dizer’, a nossa cabeça de cartaz, e nomes de referência da literatura e da cultura portuguesas como Sérgio Godinho, Eduardo Sá, Fernando Ribeiro, André Carrilho ou Tânia Clímaco”, indicou à Lusa a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Alcanena, nomes a que se juntam ainda Lúcia Moniz, Pedro Lamares ou Fernanda Borghetti, entre muitos outros.
Com um orçamento na ordem dos 30 mil euros, Marlene Carvalho indicou que o FALA, na sua terceira edição, apresenta este ano um “cartaz mais ambicioso na relevância dos convidados e na diversidade dos temas”, tendo perspetivado uma afluência “acima das 3.000 pessoas” ao longo do evento.
“As duas primeiras edições do FALA permitiram-nos perceber o modo como as pessoas se relacionam com o Festival. Procurámos ser mais consistentes no planeamento e na organização, bem como rever a estratégia de comunicação, e evoluímos nas escolhas programáticas, com grandes nomes de referência da Literatura, enriquecendo os encontros e as performances com nomes de outras áreas como a História, a Psicologia ou as Artes”, destacou a responsável, tendo ainda indicado a aposta numa “sessão vocacionada para os autores locais”, naquele que se pretende seja “um festival para todos” os públicos.
“Vocacionamos a programação para diferentes públicos, com oferta específica para as escolas e as famílias, viajamos da leitura à escrita criativa, da ilustração à música, e integramos ainda um programa de homenagem aos 50 anos de democracia”, indicou, tendo destacado ainda atividades relacionadas com a “importância das redes sociais na promoção da leitura e dos livros, através do papel dos novos booktubers, bookstrangrammers e booktokers”.
Durante quatro dias, o FALA leva a Alcanena encontros com escritores, sessões de contos, exposições, oficinas de ilustração, clube de leitura, laboratórios de escrita, palestras, mesas redondas, caminhadas literárias e arruadas poéticas, encontros com tiktokers, instagrammers e youtubers, jogos florais, teatro de rua, uma feira do livro, animação infantil e musical, e espaços de ’street food’.
“O FALA pretende continuar a desenvolver e promover um projeto cultural que reclama, entre outros desafios, contribuir para a construção de públicos, hábitos culturais e a valorização da identidade cultural de território, através da promoção de ações integradas numa programação devidamente enquadrada”, sublinhou Marlene Carvalho.
Segundo a vereadora, o projeto é também uma aposta no “desenvolvimento” do território.
“É um eixo principal na estratégia de desenvolvimento económico do município na medida em que constitui mais um fator de atratividade para quem escolhe Alcanena para se fixar, investir ou visitar”, declarou.
“O Festival Literário nasce na vontade de aproximar a cultura das pessoas e vice-versa. Inspirados pela força da literatura oral que tanto caracteriza o património cultural do povo português e, em particular o nosso território, na sua vertente etnográfica, quisemos trazer essa força para a génese do festival. Quisemos que o festival se fizesse ouvir, entoasse pelas ruas e trouxesse gente para o lugar dos livros e das histórias. E assim surgiu o nome FALA”, disse Marlene Carvalho, à margem da apresentação do evento, que decorreu em Lisboa.
“Realizar a apresentação do programa do Festival Literário na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, o médico colecionador e filantropo que Alcanena viu nascer em 1888, é uma honra para o Município de Alcanena. A escolha do local é evidente – António Anastácio Gonçalves nasceu em Alcanena em finais do século XIX e, embora tivesse passado a sua vida fora da vila ribatejana, não esqueceu as suas origens, o que se percebe pelo legado que deixou. Homem com uma coleção de excelência, investe também numa Biblioteca que permite conhecer os seus interesses”, notou a responsável.
“A sua relação com o concelho, os livros e a arte foi o que nos desafiou a encontrar nesta Casa-Museu um lugar de eleição para a apresentação do Festival, potenciando, assim, também uma maior projeção do evento”, concluiu.
As atividades previstas, todas de entrada gratuita, decorrerão em vários equipamentos e espaços municipais, nomeadamente entre o espaço da Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes, o Cine-Teatro São Pedro, o Jardim da Biblioteca e o Jardim das Lagoas.
O programa completo pode ser consultado na página do Facebook do FALA – Festival Literário de Alcanena.

c/LUSA
