alberto elias e ana elias
Alberto Elias e Ana Elias. Pai e filha constituíram a CICO em Constância e pretendem divulgar o carrilhão em todo o país. Foto: mediotejo.net

A sexta edição do FICOC – Festival Internacional do Carrilhão e do Órgão da CICO, tem lugar em Constância e Abrantes , evento que decorre entre os dias 22 e 31 de julho sob direção artística de Ana Elias, numa organização da CICO – Centro Internacional do Carrilhão e do Órgão.

Um vasto programa musical para todos os gostos (que pode ser consultado AQUI) será apresentado ao público por carrilhanistas e organistas nacionais e estrangeiros, bem como por vários agrupamentos musicais locais, promovendo e valorizando, na região, a presença do maior e mais pesado carrilhão itinerante do mundo, o Carrilhão LVSITANVS, e das relíquias culturais que são o Órgão Histórico da Igreja Matriz de Constância e os Órgãos Históricos da Igreja de S. Vicente de Abrantes.

Neste festival participarão também, com as suas peculiaridades, as associações concelhias parceiras da CICO por protocolos de colaboração.

Com este evento, pretende-se despertar a atenção dos entusiastas do carrilhão e do órgão dispersos pelo planeta para as peculiaridades da região do Médio Tejo e para a capacidade que esta possui de se afirmar como um local estratégico na valorização do carrilhão e do órgão no mundo.

Recorde-se que Constância possui o maior e mais pesado carrilhão do mundo, o Carrilhão LVSITANVS, relativamente ao qual se têm proferido excelentes opiniões tanto pela sua estética como pela sua concepção e sonoridade. Este instrumento que faz as delícias de quem o ouve, vai despertando também, e em simultâneo, expectativas e desejos de novas experiências na área da musicalidade.

Serão exemplo, durante o VI FICOC, os dois concertos com o uso de faixas sonoras pré-gravadas a acompanhar o som acústico do Carrilhão LVSITANVS: DISCO-CARILLON (Abrantes, 24 julho) e Carrilhão e Electrónica (Abrantes, 28 julho).

Na Igreja Matriz de Constância, encontra-se uma relíquia de índole cultural, o Órgão Histórico de Constância. Instalado no coro alto da Igreja, data de 1827 e é da autoria do organeiro António Xavier Machado e Cerveira, uma das figuras cimeiras da organaria portuguesa. Este órgão tem merecido, da parte de quem o visita, bastantes elogios tanto pela sua qualidade sonora como arquitectónica e pela cuidada manutenção que o tem mantido musicalmente em condições de funcionamento.

A Igreja de S. Vicente de Abrantes possui outras duas relíquias da organaria portuguesa: o Grande Órgão do Evangelho da Capela-mor e um outro amovível – Positivo ou Órgão de Armário – no coro alto. O Grande Órgão data de 1790 e é também da autoria de António Xavier Machado e Cerveira. O Órgão Positivo ou Órgão de Armário foi construído no século XVIII por António Peres Fontanes.

Note-se que estes dois organeiros (António Xavier Machado e Cerveira e António Peres Fontanes) são os dois mais importantes organeiros do seu tempo em Portugal (os que construíram o conjunto dos seis órgãos da Basílica do Palácio de Mafra) e aqui tão bem representados na região do Médio Tejo por estes três instrumentos de qualidades ímpares.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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