Os Quatro e Meia, Táxi, Slow J e Gisela João são os cabeças de cartaz que, até domingo, irão animar mais uma edição do Festival de Gastronomia do Maranho que abriu portas na sexta-feira para celebrar a gastronomia, os produtos endógenos e as tradições do território. Com o festival, está de regresso também mais uma edição do concurso gastronómico “Tradições de Celinda” que visa premiar “O melhor Maranho da Sertã”.
A inauguração oficial do evento decorreu na Alameda da Carvalha, no espaço dedicado ao Pátio das Freguesias, numa sessão que contou com a presença do secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, e a vice-presidente da Turismo do Centro, Anabela Freitas, entre outras entidades, e onde foi sublinhada a importância de promover a gastronomia e os produtos locais para o desenvolvimento do concelho.




Para o presidente da Câmara da Sertã, Carlos Miranda, trata-se de um festival gastronómico e que, simultaneamente, adquire uma vertente musical e promotora da cultura tradicional. “É, acima de tudo, economia em marcha. Sendo um evento festivo para a população, este festival é simultaneamente um investimento e uma aposta do município no seu desenvolvimento”.
Iguaria que remonta ao passado, o maranho encontra-se profundamente ligado ao território e ás formas de vida ancestrais, sendo uma “bandeira da rica gastronomia” da Sertã, com certificação IGP, pelo que “justifica esta aposta”, defende o edil.
Trata-se de uma aposta clara na promoção de produtos endógenos deste território, representando um “peso muito significativo” na economia local, ajudando a criar e a manter postos de trabalho, fixando pessoas em territórios de baixa densidade.
“O Festival do Maranho tem um retorno económico direto para o concelho, no momento em que decorre, através da restauração, das dormidas, do comércio aqui, neste lugar onde decorre o festival, e também fora dele. Mas tem, sobretudo, um efeito a longo prazo, o efeito de comunicar e potenciar ao longo do ano a gastronomia da Sertã, alicerçada no maranho”, frisou Miranda.
Relativamente ao nome escolhido para o festival que em 2024 chega à sua 12ª edição, o autarca sertaginense afirma que este representa um “grande esforço de comunicação do território” por parte da autarquia e que permite “matar dois coelhos de uma cajadada”.





“Comunicamos um evento que dura quatro dias e para o qual pretendemos atrair o maior número possível de pessoas. E comunicamos um produto, bandeira da nossa gastronomia e que está presente durante todo o ano nos nossos restaurantes”, acrescenta.
O secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, começou por referir que já foi “muito feliz na Sertã”, por ocasião das edições anteriores do evento e que é “particularmente relevante perceber a evolução que os municípios têm tido em matéria de desenvolvimento turístico. E mais do que isso, naquilo que representa hoje para as economias locais e para as economias nacionais”, sublinhou.
Afirmando estar perante um “evento que permite fazer economia”, Machado sublinhou a ideia do turismo enquanto instrumento para o desenvolvimento dos territórios e, simultaneamente, enquanto promotor de uma “economia que queremos que seja cada vez mais pujante”.










“O maranho, do meu ponto de vista (…) é, de facto, um produto que pode permitir a cooperação estratégica com Vila de Rei, como permite com Oleiros, como permite com outros municípios (…) o que faz com que haja cooperação estratégica entre os territórios da baixa densidade, mas que acrescentam valor uns aos outros. E o maranho é, do meu ponto de vista, muito mais diferenciador do que qualquer EXPO que nós possamos ter”.
“É bom insistir na promoção de um produto que é diferenciador e singular, desta mesma região, que ajuda a posicionar para criar o tal desenvolvimento. E por isso, esta estratégia, também ela casada com a estratégia de Portugal, é aquela que faz com que a nossa gastronomia seja, de facto, um produto de excelência que vale a pena investir. Ela faz o ciclo da promoção, da divulgação, da notoriedade de um território, mas ela tem economia por trás”.

“Porque é que a gastronomia tem tanta força?”, questionou Carlos Miranda. “Porque o que comemos tem para nós um valor emocional, não é uma simples opção do momento. Está nas nossas memórias, está ligada à nossa história, à nossa cultura. O que comemos tem a ver com o que somos e com a forma como viveram os nossos antepassados. A gastronomia é a melhor porta de entrada para o território, a melhor forma de questionar e descobrir um território, por isso é tão importante quando falamos de turismo”, defende.
Novidade face a anos anteriores, este ano o festival contempla um “Espaço Vinícola” onde são dados a conhecer os seis vinhos certificados, produzidos no concelho da Sertã, nomeadamente Albergue Bonjardim, Alto dos Cucos, Casal Borrelos, Quinta Vale do Cabo, Serradas do Nesperal Terras de S. Simão e Terra de São Nuno.
De acordo com o edil, trata-se de uma aposta no local, associando produtos endógenos à iguaria que dá nome ao festival. “Na sequência do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em parceria com a APROSER, mostramos hoje ao concelho e ao mundo, e será certamente uma surpresa para muitos, os vinhos produzidos no nosso território”, afirma.
Pedro Machado acrescenta que o vinho “tem esta dimensão de um casamento perfeito com a gastronomia e o casamento perfeito para se fazer, de facto, num Festival de Gastronomia. Juntamos ainda à gastronomia e aos vinhos aquilo que são também as atividades, as festividades e o que diz respeito à cultura local”.
Para além do maranho e do vinho, aqueles que visitarem o evento têm ainda a oportunidade de degustar enchidos, queijos, azeite, mel, aguardentes, licores e doçaria produzidos localmente.
“É indispensável começarmos a ver os nossos produtos nas ementas dos nossos restaurantes, nas prateleiras dos nossos comércios, bem destacados e bem-apresentados. Qualidade não nos falta, relembro que ainda recentemente tivemos azeite e vinhos premiados em grandes concursos internacionais”, recorda o autarca da Sertã.
A aposta pelo local baseia-se, de acordo com Carlos Miranda, em quatro principais razões, nomeadamente a qualificação da oferta, oferecendo experiências “autênticas e diferenciadas” aos visitantes, através de produtos produzidos no território.
“Outra razão para consumirmos local tem a ver com um raciocínio puramente economicista ou egoísta. Quando nós compramos localmente o dinheiro que gastamos, fica aqui dentro da nossa comunidade, vai reforçar a nossa economia de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente, vamos ter retorno pelo que investimos na nossa economia”, defende.
Além disso, existem ainda razões ambientais, evitando deslocações de produtos, com uma pegada ambiental insustentável e a própria segurança do território. “O dinamismo dos nossos pequenos produtores não é apenas benéfico para a economia local, também é fundamental para a segurança das nossas vilas e aldeias. Se tivermos à volta das povoações, vinhas, olivais, hortas ou pastagens, estaremos certamente mais protegidos contra os incêndios”, acrescenta.
Dirigindo-se ao secretário de Estado do Turismo, Carlos Miranda sublinhou o “elevado potencial turístico” dos territórios do interior, nomeadamente do concelho da Sertã, afirmando que é preciso que “Lisboa passe a olhar estes territórios ditos de baixa densidade de outra forma”.
“Até aqui a regra tem sido a proibição liminar das atividades económicas em zonas com grande potencial turístico e com procura por parte de investidores, como as margens das albufeiras, por exemplo. Mas é preciso olhar com outros olhos. A conservação e a economia devem andar de mãos dadas. Um território sem economia é um território sem pessoas e um território sem pessoas é, na nossa região, um território de risco”.
Para o autarca, é necessário defender a preservação do ambiente, uma das maiores riquezas do território, com um “investimento responsável”, que possa gerar riqueza, criar postos de trabalho, atrair e fixar pessoas no território.
“Sabemos que não será uma transformação fácil, décadas de legislação intrincada e de procedimentos burocráticos cada vez mais complexos tornam a nossa administração intermédia, muitas vezes, um obstáculo em vez do apoio que procuramos. (…) O desenvolvimento consciente e ambientalmente responsável é, certamente, objetivo de todos”.
Ao governante, o autarca da Sertã lembrou ainda a necessidade de “investimentos básicos” no território, nomeadamente a Estrada Nacional 238, investimento “fundamental para tornar o território mais competitivo, ligando o IC8 e o Pinhal Interior a Tomar e daí a Lisboa e ao litoral”.
Também fundamental para o desenvolvimento do território, afirmou ser necessário “não descurar” o investimento em cobertura de rede móvel e internet, “determinante para a atratividade” nos territórios de baixa densidade.
Para José Pedro Ferreira, presidente da Assembleia Municipal da Sertã, o festival corresponde a um “momento marcante” na divulgação de um produto endógeno e um dos principais pratos gastronómicos do concelho, que permite levar o nome da Sertã a todo o país e internacionalmente.
“O Festival não se resume ao prazer de saborear a iguaria, é bem mais do que isso. É um momento anual de divulgação a todos aqueles que nos visitam e, felizmente, são cada vez mais. Iremos ter oportunidade durante os próximos dias de ver neste recinto dezenas de milhares de pessoas. É o momento de divulgar a cultura, as tradições, os produtos endógenos e regionais de elevada qualidade”, acrescentou.
O evento arrancou na quinta-feira, com milhares de pessoas a encherem o recinto, tendo como ponto alto a atuação do grupo musical Quatro e Meia. A festa contou ainda neste dia com a atuação da Sociedade Filarmónica Aurora Pedroguense, do grupo Seca Adegas, e do projeto “Canta-me como Foi”, composto por Paloma del Pillar e Soraia Farinha. A noite encerrou com os We are the 90’s Kid’s e DJ Valelo.




Na sexta-feira, 19 de julho, o showcooking da chef Joana Barrios abriu o programa de atividades, seguindo-se a atuação do Grupo de Música Popular de Cernache do Bonjardim e dos Marauders. O palco principal recebeu, às 22h00, os Wakadelics e os lendários Táxi atuam às 23h00. Os Djs Let’s Control the 80s’ e White entram em ação quando os relógios marcavam a meia-noite.
O programa de sábado, terceiro dia do Festival de Gastronomia, arrancou com animação de rua na vila da Sertã, a cargo dos Brass Fusion (10h30), seguindo-se um showcooking com o chef Fábio Bernardino, pelas 12h00. Ao final da tarde, teve lugar a atuação da Escola de Acordeão da Sertã, que antecedeu os concertos de Lika (21h00), o tributo ao Bruno Mars (Super Mars, 22h00) e o concerto de Slow J (23h00). O término da noite esteve por conta dos Funkelada e DJ Kadiv.
Este domingo, as atividades iniciaram às 9h00, com a Mini-Maratona do Maranho, ligando as vilas de Cernache do Bonjardim e da Sertã. A tarde será dedicada às famílias, com atividades para miúdos e graúdos, nomeadamente canoagem, jogos tradicionais, jogos infantis e insufláveis).

Ainda este domingo, dia 21, atuam os três ranchos do concelho – Rancho Folclórico e Recreativo do Clube Bonjardim (15h00), Rancho Folclórico e Etnográfico de Cernache do Bonjardim (15h45) e Rancho Folclórico de Pedrógão Pequeno (16h30). À noite, o cartaz conta com espetáculos da cantora Gisela João (21h30) e um concerto da Filarmónica União Sertaginense com o cantor Manuel Antunes, finalista do The Voice Portugal’24 (23h00).
Esta é já a 12º edição do festival que promove uma iguaria que surgiu há mais de 200 anos e cuja base é a carne de cabra e/ou ovelha, animais cuja criação é muito frequente por todo o concelho da Sertã. Entram na sua confeção o presunto, chouriço, hortelã, arroz, sal e vinho branco. Ganhou fama, sobretudo durante o século XX, sendo um prato habitual nos dias de festa.
Ao longo dos quatro dias do Festival de Gastronomia do Maranho da Sertã, a área expositiva Pátio das Freguesias apresentará também uma programação própria, recriando-se tradições, usos e costumes das freguesias do concelho da Sertã.
No recinto do evento, de entrada gratuita, estão ainda restaurantes, tasquinhas, bares e inúmeros stands de várias empresas locais.










































