O maranho é uma das iguarias identitárias do concelho da Sertã. Foto: mediotejo.net

O Festival de Gastronomia do Maranho da Sertã abriu ontem, dia 13 de julho, as portas da sua 11.ª edição. Com um programa recheado com muita música e animação, o destaque vai para os prazeres da mesa, nomeadamente do maranho certificado da Sertã, que é já um dos ícones do concelho.

A sessão de apresentação do Festival contou com a presença da Ministra da Habitação, Marina Gonçalves, e da Secretária de Estado, Fernanda Rodrigues, que se encontravam no concelho a propósito da assinatura do acordo de colaboração entre o município e o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), referente à Estratégia Local de Habitação.

O início da sessão ficou marcado pela atuação da Filarmónica União Sertaginense, sob a direção artística do maestro Daniel Frazão, a que a comitiva assistiu atentamente e aplaudiu no final da atuação. De seguida, convidados e visitantes encaminharam-se para o espaço de “boas-vindas”, instalado na Alameda da Carvalha, e onde foi oficializada a inauguração do certame.

“Estamos a inaugurar a 11ª edição do Festival do Maranho, um evento festivo para a população e que é simultaneamente um investimento e uma aposta do município para o seu desenvolvimento”, começou por referir o Presidente da Câmara Municipal da Sertã, Carlos Miranda.

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O maranho é uma iguaria que vem do passado, profundamente “ligada ao território e às formas de vida ancestrais”. Com certificação de Indicação Geográfica Protegida (IGP), corresponde a uma “bandeira da nossa gastronomia rica e justifica esta nossa aposta”, disse. “Tem hoje um peso já muito significativo na nossa economia, ajudando a criar muitos postos de trabalho”, acrescentou o autarca.

No ano de 2021, o concelho da Sertã produziu para comercialização, através dos produtores referenciados, mais de duzentas toneladas de maranho, correspondendo a cerca de 2 milhões e meio de euros decorrentes da sua produção.

Carlos Miranda, Presidente da CMS. Foto: mediotejo.net

“Entretanto, a produção tem crescido estando há venda também em grandes superfícies por todo o país, por isso, temos a certeza que neste momento corresponderá a um volume de negócios muito maior”, destacou o edil.

ÁUDIO | Inauguração do Festival do Maranho pelo presidente da CMS, Carlos Miranda

Embora a gastronomia seja uma importante bandeira para o desenvolvimento do concelho, esta “não basta por si só”. O responsável autárquico considera que um território só pode ser verdadeiramente competitivo se conseguir proporcionar a quem o visita uma “uma verdadeira experiência imersiva, oferecendo de forma simples e articulada o que mais nos distingue: albufeiras e ribeiras, floresta, património, cultura e tradições”.

A Ministra da Habitação, Marina Gonçalves, afirmou não ser possível uma vida em comunidade sem que esteja garantida a capacidade de atração e fixação no território, e de “dar qualidade e garantir a quem visita, mas também a quem aqui vive, o aproveitamento daquilo que o território nos dá, daquilo que é natural e que são as suas mais valias e riquezas”.

ÁUDIO | Intervenção da Ministra da Habitação, Marina Gonçalves

O certame irá “mostrar a riqueza do território, as potencialidades e, ouvindo os recados do presidente, é também mostrar como é que o governo pode ser parte nesta promoção do território (…). Tem de ser mesmo uma parceria contínua, nas várias vertentes, (…) Não podemos falar só em coesão territorial, temos mesmo de ser capazes de a concretizar”, vincou Marina Gonçalves.

Marina Gonçalves, Ministra da Habitação, marcou presença na inauguração do festival. Foto: mediotejo.net

As tradições, usos e costumes estão patentes pelos expositores da mostra que à tradição aliaram a inovação, apresentando até domingo o resultado das suas criações.

Serão vários os espaços de restauração e tasquinhas que, até dia 16 de julho, lançam o convite para a degustação do Maranho da Sertã, mas também outras especialidades locais como o Bucho Recheado ou os Cartuchos de Amêndoa de Cernache do Bonjardim. Em simultâneo com o certame, os restaurantes do concelho da Sertã estarão também abertos para que a experiência gastronómica seja ainda mais autêntica.

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O mediotejo.net foi à procura da tradicional iguaria sertaginense – o maranho – e num dos expositores encontramos Telma Santos, da Dom Casel – Iguarias de Origem Portuguesa, uma empresa que já conta mais de quatro décadas de história ligadas à produção de carne de porco e à confeção de iguarias tradicionais, como o maranho e o bucho recheado.

Passada de geração em geração, é agora Telma quem segura o leme da marca, dando continuidade à receita e ao fabrico que haviam sido criados pelos pais há mais de 45 anos atrás.

“O meu pai tinha criação de porcos e a minha mãe abriu os talhos. Na altura ainda só se vendia maranho nos restaurantes, mas começou também a fazer-se o fabrico nos talhos (…). Eles já fazem maranhos há pelo menos 35 anos”, explicou ao mediotejo.net.

Telma Santos, Dom Casel – Iguarias de Origem Portuguesa. Foto: mediotejo.net

Os segredos da sua produção mantêm-se protegidos até aos nossos dias, mas para se conseguir um bom maranho, Telma afirma que são necessários os ingredientes e a receita certa, ter muito cuidado com a matéria-prima e fazê-lo “conforme se faz desde sempre, com a tradição associada”.

ÁUDIO | Telma Santos, Dom Casel – Iguarias de Origem Portuguesa

“Cada um tem o seu maranho, são todos bons, mas eu acho que aquilo que diferencia o nosso maranho dos outros é porque é feito com carne de cabra e toucinho entremeado de porco. Nós somos criadores de porco e a nosso carne é incrível, o toucinho entremeado de porco dá-lhe um sabor único, tanto que mudámos a nossa forma de fazer a carne há 3 anos e desde essa altura o nosso maranho ficou incrivelmente melhor”, acrescenta.

Quanto às expectativas para mais uma edição, Telma Santos refere que não podiam ser melhores e que a marca nutre um grande carinho pela mostra, pelos mais variados motivos.

“Primeiro, vemos os nossos clientes mais próximos, vêm os nossos colaboradores, vêm os nossos fornecedores. Vem toda a gente e ainda vêm as pessoas que vêm visitar a feira. Portanto, é uma feira onde nós podemos comunicar a terra, comunicar a região, comunicar a nossa alma. Não é bem uma feira de vendas, mas sim de divertimento e de gente junta”, concluiu.

Com uma zona de entrada completamente renovada, tanto em termos gráficos como de circulação pedonal, o Festival de Gastronomia procura, este ano, imprimir novas dinâmicas e dar a conhecer aos visitantes alguns dos marcos turísticos da não só da vila da Sertã, mas de todas as dez freguesias que constituem o município.

Embora a gastronomia seja a rainha da festa, o autarca do concelho da Sertã referiu um festival que para além de dar a conhecer aquilo que de melhor se produz na região, é também uma montra das tradições do território.

À semelhança da edição anterior e em complemento a este espaço, mantém-se o Pátio das Freguesias, local onde será possível assistir a recriações de antigos usos e costumes, espetáculos culturais, atuações de ranchos folclóricos e de outros grupos musicais.

“O Pátio das Freguesias é uma pequena praça que tem um palco no centro e é onde existe toda uma programação que é feita pelas Juntas de Freguesia em si e por associações que elas convidam. São recriadas tradições, há espetáculos de música tradicional… É um momento de grande autenticidade e de grande cultura popular, que é também muito importante para nós”, explicou.

ÁUDIO | Declarações de Carlos Miranda sobre o “Pátio das Freguesias”

De acordo com o edil, o espaço vai permitir aos visitantes um contacto único com as tradições e os costumes da Sertã, num Festival marcado por uma vasta programação musical para agradar a miúdos e graúdos.

“Este Festival é muito inclusivo. Tem desde a animação musical para um público mais jovem, à animação noturna com DJ’s e tasquinhas e restaurantes, mas depois também tem esta faceta de mostrar a nossa tradição que é muito importante para a caracterização do território. Tentamos ter tudo isto neste espaço, fazer daqui uma grande festa para todos e que seja ao mesmo tempo um momento de grande promoção da gastronomia e do território do concelho da Sertã”, concluiu Carlos Miranda.

O programa inclui ainda atividades para toda a família, que vão do desporto à cultura, passando pelos jogos tradicionais e pelos insufláveis destinados aos mais pequenos.

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Programa da 11ª edição

O programa da 11.ª edição do Festival de Gastronomia do Maranho da Sertã, que se realiza até 16 de julho, domingo, apresenta muitas novidades, além dos habituais espaços dedicados às tradições locais e à gastronomia. Na música, os cabeças de cartaz são Richie Campbell e The Legendary Tigerman. Destaque ainda para a aposta em DJ’s de topo para animar todas as noites do evento, uma marca já incontornável deste festival.

The Legendary Tigerman atua no Festival do Maranho, na Sertã, a 14 de julho. Foto: ©Ana Viotti_The Legendary Tigerman

14 de julho, sexta-feira

O showcooking do chef Rui Lopes abriu o programa de atividades para esta sexta-feira, seguindo-se pelas 19h00 a atuação do Grupo de Música Popular de Cernache do Bonjardim e, às 20h00, o Grupo de Fado “Maio”. O palco principal recebe, às 21h30, o conjunto Popxula e The Legendary Tigerman atua a partir das 23h00. Os Dj’s Gonçalo Guedes e I Love Reggaeton entram em ação quando soar a meia-noite.

15 de julho, sábado

O programa do terceiro dia do Festival de Gastronomia, 15 de julho, arranca com animação de rua na vila da Sertã, a cargo dos Brass Fusion (10h30), seguindo-se um showcooking com o chef José Júlio Vintém, pelas 12h00. Ao final da tarde, regista-se a atuação do Grupo Seca Adegas (20h00), que antecede os concertos de Marco Figueiredo & Os Revivalistas (21h30) e de Richie Campbell (23h00). O término da noite cabe aos Djs Hugo Rafael e Smells Like 90’s.

16 de julho, domingo

No último dia, as atividades começam logo pelas 9h00, com a Mini-Maratona do Maranho, que ligará as vilas de Cernache do Bonjardim e da Sertã. A tarde será dedicada às famílias, com muitas atividades para miúdos e graúdos (canoagem, jogos tradicionais, jogos infantis e insufláveis) e a atuação dos três ranchos do concelho: Rancho Folclórico de Pedrógão Pequeno (15h00), Rancho Folclórico e Etnográfico de Cernache do Bonjardim (15h45) e Rancho Folclórico e Recreativo do Clube Bonjardim (16h30).

Pelas 19h30, atua a Escola de Acordeão da Sertã. À noite, o cartaz conta com espetáculos da Santana Tribute Band (21h30) e um concerto da Sociedade Filarmónica Aurora Pedroguense com o cantor norte-americano Chuck Wansley, pelas 23h00.  

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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