Festival Dançarão regressa a Ortiga com dança, música e atividades comunitárias. Foto arquivo: Carlos Álvares

“Este ano, o ‘”É o q’á cá!”’ tem a ver com aproveitar o que de melhor se faz na região, envolvendo associações, instituições e população local no festival de danças tradicionais”, explicou a presidente da Associação Dançarém, entidade que organiza o Dançarão nesta freguesia ribeirinha do Médio Tejo.

Segundo Fátima Vargas, o festival volta a espalhar-se por vários espaços da freguesia de Ortiga, incluindo a Praia Fluvial, o Bairro EDP da Barragem de Belver e o jardim da Liga Regional de Melhoramentos, num modelo que cruza natureza, cultura e participação comunitária.

Ao longo dos três dias, a programação inclui oficinas de dança, bailes e concertos, num cartaz que junta projetos de vários países europeus, como Bélgica, Itália e Espanha, além de propostas nacionais.

Entre os grupos musicais convidados, entre nacionais e internacionais, destacam-se o Duo De Schepper-Sanczuk, Duo Gambetta-Sanczuk, Flo, Filippo Gambetta e Dos, A Batalha do Modesto Camelo Amarelo, Bardos, Forró do Silas e Rusga Zuca-Truca.

A música prolonga-se pela noite com DJs de folk como Yuri (Espanha), Arinto e Limonada (Portugal), após os bailes que ocupam o centro da programação.

As oficinas decorrem diariamente e incluem propostas de iniciação ao folk, mazurka, danças do Congo de Captieux, danças do mundo, danças do Ribatejo, forró, kizomba, salsa, danças japonesas contemporâneas, bretãs e minhotas.

Durante o dia, o festival propõe ainda caminhadas com as Rotas de Mação, caminhada sonora e ensemble de música, yoga, tai chi, oficina de bicicletas, jogos tradicionais, arruadas, batidas de fado e o espaço infantil Dançarinho.

A organização, na apresentação do evento, sublinhou o envolvimento de várias entidades locais, desde juntas de freguesia a associações culturais e sociais, que participam na logística e programação, a par de dezenas de voluntários no apoio diário ao evento.

“Há sempre um lado de improviso na organização, porque um festival desta dimensão implica lidar com muitos desafios, mas existe um grande espírito de entreajuda e um forte apoio da comunidade local”, referiu Fátima Vargas.

Por seu lado, o presidente da Câmara de Mação, José Fernando Martins, agradeceu à Associação Dançarém por ter escolhido Ortiga para acolher o festival, recordando que o evento cumpre este ano a quinta edição no concelho. O autarca destacou também o papel da Junta de Freguesia, da EDP e das restantes entidades parceiras, considerando que “só com um trabalho coletivo é possível realizar uma grande organização”.

O autarca defendeu a importância do festival para a promoção e dinamização do território, apontando a capacidade de atrair visitantes e gerar movimento económico numa zona marcada pela baixa densidade populacional. “Ter isto no território é importante porque vai trazer gente nova ao território, vai trazer movimento ao território”, afirmou, considerando que iniciativas desta natureza ajudam a projetar o nome de Mação e a valorizar os recursos locais.

Festival Dançarão regressa a Ortiga com dança, música e atividades comunitárias. Foto: CMA

O presidente da Câmara garantiu ainda a continuidade do apoio municipal ao Dançarão e manifestou confiança no futuro do evento. “Acho que o festival veio para ficar”, declarou, mostrando-se convicto de que a edição deste ano contribuirá para reforçar a notoriedade do concelho.

“Aquilo que nós queremos é que aconteça aqui uma grande atividade, que traga pessoas e que dê nome ao nosso território”, concluiu.

O festival tem vindo a afirmar-se como um encontro internacional de dança tradicional e social, reunindo participantes de vários países europeus, com destaque para Espanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Suíça, além de público de norte a sul de Portugal.

A organização sublinha o perfil intergeracional do evento, com participação de famílias, jovens e praticantes do movimento europeu de danças folk e balfolk, que combina aprendizagem, baile e convívio em espaço aberto.

Um dos momentos comunitários envolverá a participação do Grupo Etnográfico de Ortiga com danças tradicionais e uma recriação história do “Bater o Fado”.

O impacto do festival estende-se também à economia local, com pressão positiva sobre alojamentos, restauração e comércio em Ortiga e noutras zonas do concelho de Mação, bem como em municípios vizinhos.

Em representação do presidente da Junta de Freguesia de Ortiga, Rui Dias, Cláudia Cordeiro destacou a parceria que tem sido desenvolvida com a organização ao longo dos últimos anos, sublinhando o apoio prestado pela autarquia local na manutenção dos espaços públicos utilizados pelo festival, nomeadamente a zona envolvente à Praia Fluvial e o parque de campismo. Referiu ainda que a Junta procura facilitar contactos e articular respostas com outras associações locais, numa lógica de proximidade e colaboração.

A representante da Junta considerou que o Dançarão é um evento que “honra a terra”, salientando o comportamento dos participantes e o impacto positivo que o festival deixa na freguesia. “É de todos os eventos que alguma vez vi aquele que deixa menos marca invasiva, aquele que deixa uma pegada melhor”, afirmou, acrescentando que a presença de centenas de visitantes nos dias que antecedem e decorrem durante o festival “enaltece muito o nosso nome e dá-nos muito orgulho”.

“Descobrimos em Ortiga o nosso local ideal e não queremos sair daqui. Há uma beleza natural muito forte e uma comunidade que nos faz sentir em casa”, afirmou a responsável.

Festival Dançarão regressa a Ortiga com dança, música e atividades comunitárias. Foto arquivo: Carlos Álvares

Com origem em Santarém, a Dançarém visa promover as tradições através da dança, organizando eventos mensais com oficinas de dança e concertos-baile e colaborando com entidades como câmaras municipais e escolas, em eventos pontuais.

O Dançarão, que com apoios institucionais do município de Mação e EDP, entre outros, integra-se no movimento europeu de danças folk e balfolk, afirmando-se como um dos eventos de referência neste setor na Europa, num cruzamento entre tradição, criação contemporânea e dinâmica comunitária, sendo a localidade de Ortiga um espaço onde o festival assentou raízes.

“Descobrimos em Ortiga o nosso local ideal e não queremos sair daqui. Há uma beleza natural muito forte e uma comunidade que nos faz sentir em casa”, afirmou a responsável pela organização do evento.

Mais informações sobre o programa e o evento em www.dancarao.pt

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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