Festa Templária leva Tomar de regresso a 1160 com quatro dias de recriação histórica. Foto arquivo: Luís Ribeiro

A cidade de Tomar regressa a partir desta quinta-feira, 9 de julho, às suas origens com mais uma edição da Festa Templária, este ano dedicada ao tema “1160 – A Fundação do Castelo”. Durante quatro dias, até domingo, o centro histórico e vários monumentos transformam-se num grande palco de recriação medieval, evocando o momento fundador que marcou a identidade da cidade e da Ordem do Templo em Portugal.

Depois de uma profunda renovação anunciada no início do ano, a Festa apresenta-se com um novo recinto principal, uma programação mais abrangente e novas experiências imersivas, afirmando a aposta do Município de Tomar em reforçar aquele que é um dos principais eventos turístico-culturais da região.

A edição de 2026 inspira-se num dos acontecimentos mais marcantes da história nacional. Depois de D. Afonso Henriques ter doado as terras de Tomar à Ordem dos Templários, em 1159, D. Gualdim Pais iniciou, no ano seguinte, a construção do Castelo que viria a tornar-se sede da Ordem em Portugal. É precisamente este episódio que serve de fio condutor a toda a programação.

As atividades arrancam na quinta-feira com a conferência “A Fundação do Castelo”, entre as 14h00 e as 17h00, no Convento de Cristo, propondo uma reflexão sobre o significado histórico e patrimonial daquele momento fundador.

Às 18h00 realiza-se a abertura oficial da Festa, na Praça da República, seguindo-se o Cortejo de Abertura em direção à renovada Vila Templária, instalada no Parque Urbano. O primeiro dia inclui ainda o Jantar Templário, o espetáculo “O Julgamento na Liça”, a estreia do videomapping “A Carta de Gualdim Pais”, projetado na fachada da Igreja de São João Baptista, e termina junto ao Rio Nabão com “Fire Dragons”, um espetáculo que combina fogo, água, luz e efeitos cénicos.

Na sexta-feira, as atenções centram-se no Cortejo Templário Infantil, que anima o centro histórico durante a manhã, enquanto a noite volta a reunir os principais espetáculos da Festa, culminando com o concerto dos Albaluna, grupo reconhecido pela fusão entre sonoridades medievais, orientais e contemporâneas.

O sábado constitui tradicionalmente o ponto alto da programação. Logo pela manhã realiza-se a visita encenada “1160 – O Dia em que Nasceu o Castelo”, proporcionando aos participantes uma viagem ao contexto militar e político da época.

Ao longo do dia decorrem apresentações das Estátuas Vivas Medievais e o percurso teatral “Lugares com História – Da Utopia à Extinção”, produzido pelos Fatias de Cá, que percorre diferentes espaços da cidade revisitando vários momentos da história templária.

O momento mais aguardado acontece às 22h00, com o Grande Cortejo Noturno, que parte do Castelo Templário em direção à Igreja de Santa Maria do Olival.

Guiado simbolicamente por D. Gualdim Pais, o desfile recria o espírito da fundação da cidade e da construção daquela que viria a tornar-se uma das mais importantes fortalezas templárias da Europa. A noite encerra novamente com o espetáculo Fire Dragons, junto ao Rio Nabão.

No domingo regressam as visitas encenadas, as Estátuas Vivas e o percurso teatral, culminando às 18h00 com o Cortejo de Encerramento, que liga a Vila Templária à Praça da República, encerrando quatro dias dedicados à história, à cultura e ao património.

Uma das principais novidades da edição deste ano é a renovada Vila Templária, instalada no Parque Urbano, concebida como centro nevrálgico da Festa. O espaço reúne acampamentos templários e sarracenos, demonstrações de combate, ofícios históricos, feira medieval, artesanato, tabernas, refeitório, liça, animação permanente e personagens que circulam continuamente pelo recinto.

Grupo Sellium ensina e leva habitualmente as danças medievais à Festa Templária Foto arquivo: Luís Ribeiro

Os mais novos dispõem de um espaço próprio, o Castelo dos Escudeiros, com parede de escalada, jogos tradicionais, fosso de bolas, experiências com trajes medievais e um carrossel temático.

Fora do recinto principal, o Complexo Cultural da Levada recebe a Casa da Tortura, uma exposição que apresenta 86 instrumentos históricos, complementada por cenografia, sonoplastia e estímulos sensoriais que procuram contextualizar um dos períodos mais sombrios da história da humanidade.

Tomar evocou D. Gualdim Pais com Cortejo Templário. Foto arquivo: CMT

O acesso à Vila Templária faz-se mediante pulseira. A pulseira diária custa três euros e a pulseira geral, válida para os quatro dias, cinco euros, sendo gratuita para crianças até aos 10 anos, inclusive.

Existe ainda um Kit Templário, por 7,50 euros, que inclui pulseira geral, saco de pano, copo, lápis e programa oficial. O Jantar Templário tem o custo de 25 euros para adultos e 15 euros para crianças entre os três e os dez anos, enquanto as visitas culturais encenadas custam cinco euros por participante.

Os espetáculos de videomapping “A Carta de Gualdim Pais”, Fire Dragons e os vários cortejos têm acesso livre, reforçando a aposta da organização em envolver toda a cidade na celebração da sua identidade templária.

Organizada pelo Município de Tomar, em parceria com a ADIRN, o Instituto Politécnico de Tomar e o Convento de Cristo, a Festa Templária volta assim a afirmar-se como um dos maiores eventos de recriação histórica do país, procurando aliar rigor histórico, animação cultural e valorização do património num programa pensado para residentes e visitantes de todas as idades. Programa completo AQUI.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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