Ao longo da última semana, temos assistido a uma notável narrativa e a uma triste realidade. Por um lado, António Costa e a máquina de propaganda do governo têm vindo a tentar “vender” pequenas vitórias de crescimento, de queda do desemprego ou execução orçamental, por outro assistimos à desaceleração do crescimento, à desaceleração da queda do desemprego, da desaceleração da criação de emprego ou das exportações.
Ou seja, há uma realidade e uma narrativa. As expectativas sobre a desgraça da geringonça eram tão baixas que qualquer coisa que não corra tal mal é uma vitória, mas a deterioração da situação económica é indesmentível. Mas vamos aos dados para comparar as realidades de 2015 e 2016 e dissipar qualquer dúvida.
1 – A procura interna, há um ano, estava a crescer 3,7%; está, neste momento, a crescer 0,6%;
2 – As exportações estavam a crescer 7,1%; agora estão a crescer 1,5%;
3 – As importações estavam a crescer 12,5%; agora estão a crescer 0,9%;
4 – O consumo das famílias, o suposto motor do crescimento, estava a crescer 3,3%; está a crescer 1,7%;
5 – O investimento, que é o dado mais negativo e impressionante de todos, estava a crescer, 5,2%; agora está a cair 3,1%;
Há algum motivo para o otimismo do Governo?
A estratégia de António Costa é clara: manipular os números para dar ideia que estão a melhorar, a crescer, mas a realidade é que o ritmo de melhoria ou abrandou ou se inverteu.
O país continua a crescer? Sim, mas muito mais devagar. O desemprego continua a cair? Sim, mas muito mais lentamente. O emprego continua a crescer? Sim, mas muito mais suavemente. No fundo, o resultado de quase nove meses deste governo é um atrasar da melhoria que se vinha a verificar e quiçá um andar para trás em muitos indicadores da qualidade de vida dos portugueses.
É por isso que não compreendemos a festa de António Costa e o silêncio dos seus seguidores, em especial de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. Se crescer 1,5% em 2015 era anémico, o que será crescer 0,5 %? Se o investimento a crescer 5,2% era “criminoso” para a economia portuguesa, o que será um investimento a cair 3,1%? O que terá acontecido à Catarina Martins de 2015? Ou ao Jerónimo de Sousa de 2015? Ou ao António Costa de 2015? Pois.
O preço do negócio de António Costa com o PCP e BE para ser Primeiro-Ministro de Portugal é hoje muito claro: há menos portugueses a recuperar o emprego mais depressa, a economia não cresce tão depressa, o investimento não recupera tão depressa, a dívida pública não desce tão depressa, Portugal e os portugueses não recuperam tão depressa.
São, no fundo, os custos do populismo.
Apetece perguntar: quem é afinal o Governo da austeridade? O Governo anterior é que era de “austeridade”, mas é o atual que tem um crescimento mais lento, uma queda do desemprego mais suave. Em que ficamos? Haverá assim razões para tanta festa?
Pois.
