A Assembleia de Freguesia de Serra/Junceira divulgou um comunicado, no qual apresenta a sua tomada de posição relativamente à identificação das freguesias nas fitas das raparigas, tendo decidido “reverter as deliberações” tomadas a 23 de dezembro de 2022 e em 22 de abril de 2023, aprovando a proposta de “omissão da identificação das freguesias nas fitas das raparigas, mas mantendo a cor vermelha na representação da Serra e a cor rosa na representação da Junceira”.
No entanto, embora aprovada a proposta, o documento enviado ao mediotejo.net dá conta da intenção de “mandatar” a Junta de Freguesia de aferir a “legitimidade da tomada de posição por parte dos decisores quanto à imposição da omissão da identificação das freguesias nas fitas das raparigas”. A Assembleia de Freguesia informa ainda que irá avançar com a “necessária ação” no tribunal competente.
Recorde-se que a União de Freguesia de Serra e Junceira havia decidido não abdicar da identificação da freguesia nas fitas das senhoras, indo contra a proposta da Comissão Central. O documento veio agora contrariar esta decisão, pelo que a freguesia irá mesmo sair à rua “sem o nome nas fitas”, conforme havia confirmado ao nosso jornal o mordomo Mário Formiga.
Este ano a Comissão Central propôs que a identificação das localidades não constasse nos trajes mas, em Assembleia de Freguesia, a população da União de Freguesias de Serra e Junceira tinha decidido não abdicar da identificação.

Decorrente da situação, foi ainda criada uma comissão que defendeu o afastamento da União de Freguesias de Serra e Junceira grande do cortejo, que acontece no dia 9 de julho, pelas 16h00. O mordomo da festa deste ano, Mário Formiga, confirmou ao nosso jornal que a freguesia irá sair as ruas no cortejo, mas sem a identificação nas fitas das senhoras.
“Isso foi uma questão que foi levantada internamente e de dentro para fora, foi resolvido. As pessoas vão sair com as fitas, o adereço são as fitas e as todos vão sair com a fita, mas sem os nomes”, explicou o mordomo.
De acordo com o comunicado enviado pela Assembleia de Freguesia, a “ausência de regras” quanto à tradição e “alguma falta de rigor”, levaram a que a Festa tenha sido alvo de “profundas mutações nos últimos sessenta anos”. Como exemplos, o órgão aponta a montagem dos tabuleiros e dos materiais utilizados, “numa lógica de modernização absolutamente inaceitável”.
“Como em muitos dos casos as decisões não têm tido rosto, as alterações vão surgindo naturalmente com imposições policromáticas de maneira a diluir as freguesias rurais num todo, com o único objetivo de limitar a Festa à cidade, como, aliás, já se verifica com o número de tabuleiros”, acrescenta a mesma nota.
A deliberação critica ainda a atuação do mordomo Mário Formiga, relativamente à “decisão e imposição da omissão” da identificação nas fitas. De acordo com a mesma, esta foi “ilegitimamente tomada pelo atual Mordomo e os Presidentes de Junta”, sendo que além de “incompreensível dificilmente será enquadrável na fidelização tradicional”.
“As tradições, usos e costumes não se podem ir mudando conforme o ponto de vista de cada um em determinado momento”, sublinha a Assembleia de Freguesia de Serra/Junceira.

A Festa dos Tabuleiros é a celebração mais importante na cidade de Tomar e o atual figurino data de 1950, ano em que o diretor da Fábrica da Fiação, João Santos Simões, recuperou a festa e colocou as funcionárias a confecionar fatos, envolvendo a participação de todas as freguesias, inovando com a colocação das fitas nos trajes das senhoras.
Comunicado enviado pela Assembleia de Freguesia de Serra/Junceira ao nosso jornal
“Embora em 1950 as freguesias rurais tenham sido chamadas a participar na Festa dos Tabuleiros, conforme diplomas de que muito nos orgulhamos, só na edição seguinte, em 1953, então com a grande reforma da festa, as freguesias passaram a ser identificadas pela cor da fita das raparigas e da gravata dos rapazes, a que mais tarde se adicionou a inscrição do nome da própria freguesia.
Ao introduzirem e complementarem estas e outras alterações pretenderam os seus autores, ilustres e destacadas figuras da sociedade tomarense, que a festa passasse de modesta expressão local a dimensão concelhia, com o envolvimento da população em geral.
E para reforçar tal desiderato em 1960 a Câmara Municipal ofereceu coroas do Divino Espírito Santos às freguesias rurais – (que a partir de então passaram a integrar as saídas das coroas que antecedem o grande cortejo) – para assim e ainda mais as envolver naquilo que hoje é: a maior Festa da região e uma das maiores do País.
Por ausência de regras quanto à tradição e alguma falta de rigor, a Festa tem sido alvo de profundas mutações nos últimos sessenta anos, desde a montagem dos tabuleiros aos materiais utilizados, numa lógica de “modernização” absolutamente inaceitável, por contrária aos usos, costumes e tradições, facilmente percetível em vídeos e reportagens fotográficas de “fontes” abertas.
Como em muitos dos casos as decisões não tem tido rosto, as alterações vão surgindo naturalmente com imposições policromáticas de maneira a diluir as freguesias rurais num todo, com o único objetivo de limitar a Festa à cidade, como, aliás, já se verifica com o número de tabuleiros.
A decisão e imposição da omissão do nome das freguesias nas fitas das raparigas ilegitimamente tomada pelo atual Mordomo e os Presidentes de Junta, além de incompreensível, dificilmente será enquadrável na fidelização tradicional, suporte à inscrição da Festa dos Tabuleiros no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, já aceite, e futura candidatura Património Imaterial da Unesco. As tradições, usos e costumes não se podem ir mudando conforme o ponto de vista de cada um em determinado momento.
Em sessão ordinária de 23dez22, reiterada em sessão de 22abr23, a Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Serra e Junceira, enquanto órgão representativo do povo da sua área geográfica, único com competência para se pronunciar acerca desta matéria, deliberou pela “manutenção da identificação das freguesias de Serra e Junceira nas fitas das raparigas que levam tabuleiro”
Porém, a 24mai23, em reunião na sede da Comissão Central da Festa dos Tabuleiros – Casa Vieira Guimarães – o Mordomo, alguns elementos da Comissão dos Cortejos e dez Presidentes de Junta, reafirmaram não só a sua posição quanto à omissão do nome das freguesias nas fitas das raparigas, como a consideraram obrigatória para todos os participantes, sem o mínimo rebuço de tal poder vir a ser entendido como inqualificável desafio à população da Serra e da Junceira.
A Festa dos Tabuleiros é o orgulho de todos nós. As pessoas passam, a Festa fica. Neste sentido, porque a Festa dos Tabuleiros é muito maior que os interesses corporativos ou individuais de cada um; porque os naturais e residentes das freguesias da Serra e da Junceira são pessoas de bem, ordeiras, responsáveis e acima de tudo tomarenses; e para evitar qualquer situação que possa manchar o brilho que se pretende para a Festa de todos nós, em sessão ordinária de 24jun23, a Assembleia de Freguesia de Serra e Junceira, com quatro votos a favor, dois votos contra e três abstenções, deliberou:
1 – Reverter as deliberações de 23dez22 e 22abr23, aprovando a proposta de “omissão da identificação das freguesias nas fitas das raparigas”, mas “mantendo a côr vermelha na representação da Serra e a côr rosa na representação da Junceira”
2 – Mandatar a Junta de Freguesia para aferir da legalidade da tomada de posição por parte dos decisores quanto á imposição da omissão da identificação das freguesias nas fitas das raparigas, com a necessária ação no tribunal competente.
Junceira, 24 de junho de 2024
O Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia”
