Festa do Espírito Santo (ou do Bodo) em Sardoal. Créditos: CMS

“Esta festa tem uma importância muito grande porque segue o ciclo pascal e é uma tradição bastante enraizada aqui na nossa comunidade”, disse hoje o presidente da Câmara de Sardoal, Pedro Rosa.

Segundo o autarca, existem registos de que a celebração “já se realizava antes de 1470”, sendo atualmente organizada pela Câmara Municipal e pela Paróquia de São Tiago e São Mateus, com o apoio da Santa Casa da Misericórdia, juntas de freguesia, bombeiros, GNR e associações locais.

A Festa do Espírito Santo, incluída em 2023 no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial pela Direção-Geral do Património Cultural, realiza-se 50 dias após a Páscoa e decorre de dois em dois anos.

“Temos tentado manter esta tradição e queremos continuar a mantê-la”, afirmou Pedro Rosa, considerando que a distinção patrimonial “veio realçar e dignificar ainda mais a importância e beleza desta manifestação”.

As cerimónias começam na manhã de 24 de maio com uma eucaristia campal na Praça da República, acompanhada por Guarda de Honra dos Bombeiros Municipais e da Filarmónica União Sardoalense.

Durante a celebração, vinte jovens vestidas de branco transportarão à cabeça os tabuleiros com pão benzido, simbolizando a dádiva às populações mais desfavorecidas, tradição associada às antigas festividades do Espírito Santo.

“Estas meninas vão transportar o pão que simboliza esta dádiva às pessoas mais desfavorecidas”, explicou o autarca, acrescentando que o pão benzido “normalmente é guardado e só é consumido no ano seguinte”.

ÁUDIO | PEDRO ROSA, PRESIDENTE CÂMARA MUNICIPAL DE SARDOAL:

Após a missa terá lugar a procissão até ao Convento de Santa Maria da Caridade, integrando figurantes trajados à maneira do final do século XIX, numa recriação histórica das celebrações antigas do concelho.

“É uma procissão que tenta retratar um bocadinho aquilo que era o Sardoal à época, com voluntários trajados de acordo com esse período”, referiu Pedro Rosa.

A procissão culminará com o tradicional Bodo, um almoço comunitário aberto à população e visitantes, preparado em parceria com a Santa Casa da Misericórdia.

“Quem quiser participar pode participar”, afirmou o presidente da câmara, sublinhando que o município pretende manter “a celebração desta memória” associada à partilha alimentar que marcava historicamente a festa.

Segundo Pedro Rosa, a iniciativa enquadra-se também na estratégia municipal de valorização do turismo religioso e cultural.

“Hoje em dia fala-se cada vez mais de turismo religioso e sabemos a importância que este turismo tem, não só para os crentes, mas também para os não-crentes”, afirmou.

O autarca destacou ainda que o Sardoal é já conhecido pelas celebrações da Semana Santa, pelas procissões e pelos tapetes de flores, considerando que a Festa do Bodo “é igualmente importante neste calendário religioso”.

A Câmara Municipal disponibiliza transporte gratuito de ida e volta para residentes do concelho que pretendam participar nas celebrações, mediante inscrição até 19 de maio.

c/Lusa

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply