A festividade riachense realiza-se de quatro em quatro anos, mas a pandemia ditou o adiamento por dois anos consecutivos, pelo que só seis anos depois Riachos volta a ter a sua festa maior, de tradição rural em honra de S. Silvestre, patrono dos lavradores, dos campos e protetor dos animais, cuja tradição, religião e o peso da história a levam a ser classificada como um dos rituais populares mais característicos da região, naquela que “é uma festa tão antiga que a sua origem perde-se na memória do tempo”.
Para este ano as expetativas são “bastante boas”, de uma forte adesão em geral e em Riachos em particular, disse Carlos Graça ao mediotejo.net, afirmando que as pessoas estão a demonstrar “muita vontade”, exemplificando com números, ao garantir que a festa já conta com 75% entradas a mais do que na última edição, adiantando ainda que “podemos considerar que vamos ter noites esgotadas que não vamos poder deixar entrar mais gente no recinto”, disse.
Acreditando que a Festa da Bênção do Gado é a “festa do concelho”, o presidente da Bênção do Gado Associação Cultural, considera que esta é uma festa “muito importante” para o concelho de Torres Novas, funcionando também como “ponto de encontro” para a apelidada “família riachense”, afirmando que existem inclusivamente pessoas a viver no estrangeiro que tiram férias para vir à festividade.
Engalanando-se com luzes, pinturas murais ou peças agrícolas antigas expostas às portas das casas, a vila de Riachos recebe assim durante mais de uma semana diversos espetáculos noturnos, contando com a presença de variados artistas, entre os quais HMB, David Carreira, Teresa Tapadas, Rosinha, Moco, Maninho, Nuno Barroso, FH5, Xambra, Siul Sotnas, Sociedade Velha Filarmónica Riachense, Vozes d’Art & Nar e o Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Riachos, entre outros grupos musicais e diversos DJs.
O certame conta ainda com corridas columbófilas, saraus de ginástica, largadas à corda, passeios equestres ou de mota, caminhadas ou gincanas de tratores, mas o momento alto da festa é o Cortejo da Bênção do Gado no dia 31 (dom, 16h), antecedido pela procissão e chegada dos lavradores no dia 29 (sex, 19h), revelando-nos Carlos Graça que a organização se está a aperceber que vai haver mais gente a participar no cortejo e que existe muita gente interessada em recuperar carros antigos, fazendo réplicas de carros usados antigamente, recorrendo a fotografias desse tempo, destacando o presidente da associação as ruas engalanadas e a “forte adesão dos riachenses ao trajar à moda antiga durante a festa”.
Pode consultar o programa completo AQUI.
Aos possíveis visitantes, Carlos Graça deixa a garantida de que Riachos é uma vila acolhedora para todos:
“Quem vier de fora, nós estamos lá para os receber de braços abertos e para lhes dar as melhores explicações de tudo o que vão encontrar, nas ruas, porque é que antigamente se trajava daquela forma, porque é que era este fato, se era um fato de domingo, se era um fato de trabalho, as coisas antigas que vão estar expostas, vai haver sempre um riachense para dar uma explicação a quem queira, e vamos conviver com eles e partilhar certamente algo enriquecedor com esses visitantes”, afirma.
Organizada de quatro em quatro anos, a Bênção do Gado figurou entre os finalistas do programa 7 Maravilhas da Cultura Popular, não tendo chegado a alcançar o pódio vencedor.
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