António Flores Ribeiro venceu em março o "handling júnior" do Crufts Foto: mediotejo.net

O desporto canino é sua casa. António Flores Ribeiro, 16 anos, é filho de um dos casais que mais aposta no “handling” a nível nacional (foi promotor da raça cão de água português), tendo vencido em março, em Inglaterra, o Crufts, uma das maiores competições internacionais na área, na categoria júnior. Em termos práticos trata-se de treinar cães, conseguindo que estes apresentem as suas melhores características independentemente da raça e dos traços de personalidade a ela associada. Um desporto nem sempre consensual, admite, mas do qual reconhece a responsabilidade envolvida e do respeito necessário aos animais. Não vai tornar, para já, a competir. 

Em Ferreira do Zêzere, António tornou-se em março uma jovem celebridade. Apaixonado por cães e pelas exposições caninas e respetivas apresentações, ficou registada nas redes sociais a reação emocionada com que recebeu a notícia de que era o vencedor do “handling júnior” do Crufts. Passados alguns meses e já em férias escolares, reorganizam-se ideias e pensa-se no futuro.

Treinador ou “handler” há vários anos, acompanhando o percurso da família que se encontra na área há 25 anos, António é um rapaz humilde que gosta de desafios. Tânia, uma cadela basset hound, raça que considera uma das mais difíceis de treinar, é disso exemplo, respondendo ao seu chamado e ordens apesar de ser bastante teimosa.

A forma como consegue interagir e apresentar as melhores características do animal é o trabalho de um “handler”, que numa competição tem poucos minutos de treino com um cão desconhecido antes de avançar para palco e mostrar a sua técnica. António obteve a vitória na primeira vez que participou no Crufts júnior, em Inglaterra, uma das maiores competições caninas do mundo.

Tânia é uma cadela basset hound, uma raça que António considera difícil de treinar mas da qual gostava de tornar-se criador Foto: mediotejo.net

O sucesso não se fez esperar, tendo António recebido elogios de profissionais da modalidade e uma receção entusiasta ao regressar a Ferreira do Zêzere. Entretanto já faz de júri em competições nacionais e conseguiu cativar a irmã a entrar no “handling” e despertar o interesse em colegas. Não pensa, porém, em voltar a competir. Tendo alcançado o topo, prefere, por enquanto, ficar por aqui, regressando eventualmente na idade adulta. “Dar a vez a outros”, repete, sem perder o sorriso.

A área não é fácil, reconhece, não traz grande retorno económico, há poucos adeptos em Portugal e possui alguma má fama relacionada com os movimentos de defesa dos animais. António frisa que não critica a ação dos grupos, apenas alguns excessos que criam preconceito em relação ao “handling”. “Tratar mal os animais para mim é deixá-los no carro a torrar ao sol”, sintetiza, defendendo a preocupação pelo seu bem estar, pelo uso adequado do equipamento e a responsabilidade dos treinadores.

Não descura porém o facto do desporto canino estar a torna-se cada vez mais competitivo, com os treinadores a pensarem apenas nas probabilidade de vitória e não no desenvolvimento das potencialidades das espécies. António gostava de ser criador da raça basset hound, não obstante considerar ser uma raça difícil. O mundo das raças caninas é variado, exige conhecimento e cuidados, estando a espécie de cão, e em consequência a sua personalidade, muito associada a diferentes funções na vida (um pastor alemão, por exemplo, é um excelente cão de guarda).

O desinvestimento em certas espécies, por não terem características de competição, faz com que algumas estejam em extinção, explica. Salienta por tal o trabalho dos pais na divulgação, em termos de apresentação, do cão de água português, entretanto tornado conhecido mundialmente por o presidente Obama ter adquirido a espécie.

António treina duas vezes ao dia, de manhã cedo e ao fim do dia, porque os cães não lidam bem com o calor, explica. Não obstante a vitória, refere que ainda comete erros e quer continuar a treinar, mantendo a atividade como hobbie. A caminho do 10º ano, pensa em seguir gestão hoteleira, área que não tendo tanto a ver com desporto canino pode abrir oportunidades relacionadas. “Os handlers profissionais viajam muito”, constata, sendo uma boa estadia também parte da experiência.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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