A Tigelada foi uma vez mais a Rainha da Feira Mostra de São Brás que proporcionou uma viagem no tempo a todos os que se deslocaram ao centro da vila de Ferreira do Zêzere no domingo, 4 de fevereiro. Este doce de origem conventual, que deve o seu nome às tigelas de barro onde são cozidas e que se popularizou por todo o país, esteve presente em 38 tasquinhas das associações que marcaram presença neste evento onde o rigor histórico não foi esquecido e todos trajaram à época.

Nesta 9.º Mostra da Tigelada foram apresentadas várias especialidades deste doce de origem conventual Foto: mediotejo.net

O evento foi dinamizado pela Junta de Freguesia de Ferreira do Zêzere, sendo que o executivo, liderado por Pedro Alberto, visitou cada um dos stands, entregando uma placa de madeira alusiva à participação da Mostra da Tigelada. No recinto, não faltou a música com o Grupo de Concertinas da Casa do Povo de Ferreira do Zêzere a contribuir para a animação desta manhã.

Delfina Vilar e Maria de Lurdes Pegas, voluntárias da Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Zêzere revelaram a receita das suas tigeladas Foto: mediotejo.net

Delfina Vilar e Maria de Lurdes Pegas, voluntárias da Santa Casa Misericórdia de Ferreira do Zêzere, aprenderam a receita pelo que leram mas, sobretudo, porque a experimentaram e quiserem saber como se fazia este doce.

“É sempre preciso uma forma própria, em barro. Há a tigelinha pequena e a maior. Para uma dúzia de ovos (tigelada grande), pomos um litro de leite, 180 de farinha, 400 gramas de açúcar e raspa quatro ou cinco limões para lhe dar paladar”, indica Maria de Lurdes.

O segredo para sair bem passa por aquecer bem o forno. “As tigelas devem estar dentro do forno pelo menos 20 a 25 minutos. Depois vamos vendo e tiramos, consoante está mais bem ou mal cozida”, explicam.

Em relação à Feira de São Brás de Ferreira do Zêzere consideram que é uma excelente “montra” do que era o antigamente, sendo que foi uma boa ideia obrigar as pessoas que nela participam a trajar à antiga. “É um dia diferente e bonito. Dá muita vida ao concelho e é bom recordar os outros tempos”, atestam em uníssono.

Emília de Figueiredo ( à direita) conta que aprendeu a fazer tijeladas experimentado a receita por intuição, sendo que a tigelada grande é muito apreciada Foto: mediotejo.net

Emília de Jesus Perna Figueiredo, da Associação “Ninho de Pitágoras”, uma das 28 associações participantes, conta que aprender a fazer tigeladas por ela própria.

“Aprendi por mim. Mesmo o pão que faço. Gosto muito de cozinhar. Esta tigelada que faço leva ovos, leite, farinha, casca de limão, sumo de limão e depois vai ao forno”, indica, acrescentando que as tigelas são sempre pré-aquecidas. Normalmente, as reacções de quem as prova são sempre positivas. “Há muita gente que aprecia a minha tigelada grande”, acrescentando que a temperatura do forno é crucial para que o doce saia bem e faça as delícias de quem o come.

Executivo da Junta de Freguesia de Ferreira do Zêzere, promotora do evento, visitou todos os stands desta Feira Mostra. Foto: mediotejo.net

Vestido a rigor, como habitualmente, Pedro Alberto, presidente de Junta de Freguesia de Ferreira do Zêzere, disse ao mediotejo.net que para além do Folclore, das concertinas e Jogos Tradicionais, o evento tem muitos outros atrativos. “A Tigelada é a Rainha deste Evento. Há cerca de 28 associações inscritas neste evento e todas participam na Mostra da Tigelada que vai na sua 9.ª edição”, refere o autarca.

Pedro Alberto frisou ainda o facto dos participantes estarem trajados a rigor, sendo que este desafio também é lançado a todos os visitantes para dar “uma maior grandeza e brilho a esta festa”, disse. Durante a tarde, pelo segundo ano consecutivo, foram ainda dinamizados quadros que recriaram vários ofícios e profissões tais como o lenhador, serrador, agricultor ou a lavadeira.

 

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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