O centro da vila de Ferreira do Zêzere conta agora com dois murais de grande escala que celebram a identidade e a memória coletiva da comunidade. As obras, assinadas pelos artistas Mantraste e C’Marie, integram um esforço de valorização do espaço público através da arte urbana.
Na entrada da vila, o mural de Mantraste presta homenagem a Ti João dos Gelados, figura emblemática local, conhecida por vender gelados no verão e castanhas no inverno e que ficou “gravado na memória coletiva como símbolo de proximidade, generosidade e tradição local”, sublinha a nota divulgada.
A obra nasceu da vontade da própria comunidade em eternizar no espaço público esta presença icónica, representando o rosto familiar e afetivo que atravessou gerações com um sorriso e uma palavra amiga. “Com um estilo inconfundível que funde o grafismo contemporâneo com elementos da cultura popular portuguesa, Mantraste criou um verdadeiro cartão de visita para a região que celebra “o que mais de genuíno” tem para oferecer – a sua população”, acrescenta.

C’Marie criou o mural “Ferreira do Zêzere – Terra de Sentidos”, que retrata aspetos marcantes da história, natureza e figuras da terra. Em destaque, encontra-se a figura de uma mulher idosa a amanhar um peixe, num gesto ancestral que “homenageia as mulheres que moldaram a vida da zona, simbolizando a transmissão de saberes, o trabalho árduo e a ligação à terra. No ombro, repousa um verdilhão, ave representativa da natureza viva da região”, explica a informação.
O mural incorpora ainda ícones naturais, históricos e culturais, como a gruta de Avecasta, a capela de São Pedro de Castro, o rio Zêzere e o novo Moinho, bem como referências ao passado templário através da representação da Torre de Dornes e dos símbolos da Ordem dos Templários. Do lado esquerdo superior, surgem os retratos de figuras marcantes da terra, Maria Dias Ferreira, António Baião, Alfredo Keil e Ivone Silva, num tributo à memória coletiva de Ferreira do Zêzere.
A obra foi desenvolvida com o apoio da Fundação Maria Dias Ferreira e “destaca-se como um verdadeiro manifesto visual que entrelaça a beleza natural, a herança histórica e a alma do município. Para além disso, estes dois projetos artísticos reforçam a aposta na valorização do espaço público, na promoção da arte como expressão identitária e no enaltecimento das suas raízes culturais”, conclui a autarquia.
