PSD exige fecho urgente de "lixeira" na Gravulha, Bruno Gomes pede "bom senso" e anuncia medidas. Foto: PSD

Os vereadores do PSD na Câmara de Ferreira do Zêzere alertaram para a situação “inaceitável” de um terreno municipal na Gravulha (Águas Belas) que, segundo a oposição, se transformou numa “autêntica lixeira a céu aberto”. Em resposta, o presidente da autarquia, Bruno Gomes (PS), rejeitou o cenário de “descontrolo”, pediu “bom senso” face aos tempos de exceção vividos após a tempestade Kristin e anunciou em primeira mão a criação de um Gabinete do Ambiente.

A polémica subiu de tom na sequência da última reunião de câmara ordinária, realizada a 12 de junho, e de uma nota de imprensa enviada pelos vereadores eleitos pelo PSD, Hugo Azevedo e Alexandre Cruz. Na base do descontentamento está um terreno propriedade do município, localizado junto à rotunda da empresa “Construções Viasmanso”, na localidade de Gravulha.

O espaço foi originalmente aberto à população pela autarquia para permitir a deposição de resíduos florestais e restos de obras na sequência dos estragos provocados pela tempestade Kristin, uma medida excecional com a qual os sociais-democratas concordaram na altura.

Contudo, a oposição defende que o local deveria ter sido fiscalizado e acompanhado por trabalhadores municipais a cada descarga.

Sem esse controlo, acusam Hugo Azevedo e Alexandre Cruz, o terreno “transformou-se numa autêntica lixeira a céu aberto, onde são depositados indiscriminadamente resíduos de toda a natureza, numa situação que envergonha o concelho e representa um claro atentado ao ambiente”.

Os episódios de deposição ilegal estendem-se também à zona envolvente, junto aos ecopontos.

Apesar de reconhecerem os esforços dos trabalhadores municipais na separação e remoção de alguns resíduos, os vereadores do PSD consideram que a situação atingiu “limites insustentáveis” e exigem cinco medidas urgentes: o encerramento imediato do terreno ao público, a instalação de um portão com acessos restritos, a proibição de novos resíduos, a implementação de videovigilância e a aplicação efetiva de coimas aos infratores.

“Não podemos aceitar que um terreno municipal se transforme numa lixeira, à vista de todos, sem que sejam tomadas medidas firmes para responsabilizar quem infringe as regras”, sustentam os eleitos do PSD.

Confrontado pelo mediotejo.net com as críticas da oposição, o presidente da Câmara Municipal, Bruno Gomes (PS), explicou que a abertura do espaço foi uma “decisão de exceção” para responder a “tempos excecionais”, de forma a dar destino aos resíduos verdes, monos e restos de obras da população.

PSD exige fecho urgente de “lixeira” na Gravulha, Bruno Gomes pede “bom senso” e anuncia medidas. Foto: PSD

“Seria muito difícil para nós termos ali, por exemplo, a Guarda Nacional Republicana, ou um fiscal, a impedir as pessoas de colocar um conjunto de resíduos quando aquilo que mais queremos é que as pessoas possam chegar ao inverno com os seus telhados preparados”, argumentou o edil, apelando ao “bom senso” dos vereadores da oposição.

O autarca assegurou que o executivo está atento e a atuar no local, tendo inclusive ordenado a contratação de uma empresa especializada para retirar placas de fibrocimento que ali foram ilegalmente depositadas, um processo que decorre neste momento.

Bruno Gomes revelou ainda que os vereadores do PSD “souberam, antes do envio desta nota de imprensa”, em sede de reunião de câmara, que o município já tem delineada e decidida a solução.

“Estamos para colocar um portão que terá acesso restrito naquela zona e, inclusive, estamos a pensar em colocar câmaras de videovigilância”, adiantou o presidente, prevendo que a situação fique “normalizada dentro de semanas”.

“Para nós não há descontrolo, há uma situação devidamente referenciada”, vincou.

Aproveitando a oportunidade, o líder do município avançou, “publicamente em primeira mão”, que a autarquia está a avançar com uma reorganização interna que incluirá a criação de um Gabinete do Ambiente.

Este novo departamento, declarou, contará com um “recurso humano dedicado exclusivamente ao ambiente”, que terá como missão propor soluções ao executivo e ouvir os anseios da comunidade.

“Este [da Gravulha] é um dos problemas, está mais do que delineado e decidido aquilo que vai ser feito e acredito que dentro de semanas essa situação ficará normalizada”, concluiu Bruno Gomes.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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