O PS votou contra as grandes opções do plano e orçamento para 2019 na reunião camarária de 25 de outubro, considerando que o documento “não tem uma visão estratégica, com medidas e investimentos concretos, visando o desenvolvimento do Concelho”. O orçamento para 2019 está estimado neste momento em cerca de 10 milhões de euros, mas o presidente Jacinto Lopes (PSD) acredita que até ao fim do ano possa subir para 14 milhões, graças ao saldo positivo nas contas.
Os números estão equilibrados e o município de Ferreira do Zêzere tem apresentado uma saúde financeira sustentada ao longo dos últimos anos, esperando-se um saldo de cerca de três milhões de euros no final do ano, constatou Jacinto Lopes. Os documentos votados na quinta-feira estão assim incompletos, admitiu, uma vez que as rubricas assinaladas com um euro podem aumentar dependendo dos resultados líquidos finais. No geral, espera-se um orçamento para 2019 na ordem dos 14 milhões de euros.
Não obstante o equilíbrio financeiro, o vereador Bruno Gomes (PS) apontou a falta de estratégia do executivo PSD e uma visão de longo prazo. “Continua a ser chapa cinco” em relação a outros anos, não se arriscando numa estratégia mais ousada para o município.
O vereador referiu, como exemplo, a educação, onde “não basta pagar livros e pagar refeições”. “Acho que falta de clareza a este orçamento”, argumentou, constatando a ausência de planos para o rio ou para uma incubadora de empresas, entre outros setores.
Posteriormente, numa declaração enviada à redação, o PS de Ferreira do Zêzere refere que o voto contra deveu-se ao orçamento não ter uma “visão estratégica, com medidas e investimentos concretos, visando o desenvolvimento do Concelho. Este plano e orçamento centra-se na gestão corrente, na gestão do imediato, sendo pouco claro e objectivo quanto a perspectivas de futuro. Com este plano e orçamento, não sabemos quais os investimentos que serão feitos em 2019, pois eles não estão mencionados categoricamente nos documentos”.
“É um orçamento com pouca ambição, limitado a uma política de execução a curto prazo, e não define linhas orientadoras para uma estratégia de desenvolvimento a médio e longo prazo”, continua.
“Não contém valores para a descentralização de competências para as Juntas de Freguesia, o que limita o papel das Juntas e centraliza-as no executivo camarário, tornando-as mais lentas, burocráticas e afastadas de uma resolução de proximidade”, refere.
O PS destaca ainda que o documento “não contém investimentos objectivos para uma política centrada no Turismo, com forte aproveitamento na totalidade dos recursos do Concelho”. Também “não contém objectividade quanto às obras a realizar nas Freguesias”.
Os argumentos de Bruno Gomes foram largamente contestados em reunião, com o executivo social-democrata a constatar as dificuldades práticas de várias das suas objeções. Na questão do rio Zêzere, por exemplo, Jacinto Lopes comentou que o município não tem conseguido atrair investimentos. Já quanto às obras nas freguesias, o autarca adiantou que tem 120 pedidos de obras para estradas e terá ainda que ser definido às quais dar prioridade.
“Se reparem nas rubricas todas, o dinheiro passa-nos por entre os dedos”, refletira já aquando a apresentação dos números.
