José Casanova novo Presidente da Assembleia Municipal. Foto: mediotejo.net

Num tom mais pessoal, o presidente da Assembleia Municipal de Ferreira do Zêzere fez uma intervenção no início da sessão do dia 26 de fevereiro em que recordou os tempos da sua juventude nos anos 70 na vila onde nasceu e cresceu.

José Casanova, médico de profissão, emocionou-se por regressar ao cineteatro Ivone Silva, espaço cultural que marcou a sua vivência nos tempos conturbados do 25 de Abril.

“Aquilo que aqui vivi, o que fiz e assisti, contribuíram de forma decisiva, para valorizar as minhas origens e para me sentir orgulhoso de ser ferreirense”, disse o autarca, salientado o “turbilhão de emoções e de recordações” por, décadas depois, voltar a subir ao palco do cineteatro onde decorria a sessão da Assembleia Municipal.

“Em 1975, este edifício estava arruinado, e à beira do seu desmoronamento, e uma geração de jovens a que pertenci, forjou, na sua amizade e na sua união, os passos necessários para impedir a total ruína e contribuiu para que hoje possamos estar aqui, neste histórico edifício, que mantém um quase total respeito arquitetónico pelo seu desenho original, e que representa uma época, e é um dos raros teatros-enfermaria existentes no país”, recordou.

De seguida, homenageou “essa força e empenho da juventude que conseguiram o milagre de mobilizar um concelho, e de incluir nessa homenagem um momento de particular emoção para os que já partiram, mas que estarão para sempre presentes, por direito próprio, neste espaço e nestas paredes”.

Na opinião de José Casanova, o cineteatro “representa o que de melhor há nos ferreirenses”.

Passou em revista “momentos em que foi preciso congregar os concidadãos em torno de objetivos concretos, mas de relevância, os ferreirenses foram capazes de ultrapassar o que os divide, e unirem-se em torno desses objetivos. Foi assim, na fundação dos Bombeiros Voluntários, na fundação das Filarmónicas, das Associações Culturais e desportivas e na defesa dos seus costumes e valores. Foi também assim neste edifício”.

“Um ano após o 25 de Abril de 74, tínhamos demolido, tudo o que estava em risco de cair, já não existia telhado nem vigamentos podres, e o palco tinha sido reconstruído. Tudo feito pelas mãos desses jovens com a ajuda voluntária de muitos populares que aqui vinham trabalhar gratuitamente após a saída dos seus empregos, e com o contributo, de comerciantes e de empresas”, realçou.

Cineteatro Ivone Silva em Ferreira do Zêzere. Foto: mediotejo.net

O teatro foi aberto a um primeiro espetáculo na noite de 1 de maio de 1975. E nesses tempos em que se juntavam vontades, todos os proprietários dos cafés existentes na vila, trabalhando lado a lado, fizeram no cineteatro um bar, servindo bebidas, bifanas e oferecendo toda a receita para a reconstrução do teatro.

Foram tempos em que, recorda o autarca, “havia um mar de gente para assistir ao espetáculo, que embora não conseguindo entrar, encheu o espaço envolvente, espreitando pelas portas, por locais mais elevados, e oferecendo dinheiro e dias de trabalho para essa obra de reconstrução”.

José Casanova fala em “momentos de unidade de cidadania”, em que “as opções políticas de cada um, a sua vida pessoal, transcenderam-se na construção de objetivos comuns”.

Daí recusar-se a acreditar que “estes momentos da nossa história comum, sejam momentos do passado e que não passem de recordações felizes”.

Disse acreditar, “firmemente, que seguindo o exemplo dos seus representantes eleitos, quer nesta assembleia, quer no executivo, e ainda nas Juntas de freguesia, seguindo o exemplo de união em torno dos interesses dos cidadãos ferreirenses, não nos seja possível mobilizar os nossos concidadãos para construirmos um futuro melhor para todos nós”.

Numa intervenção em que procurou galvanizar autarcas e cidadãos, considerou ser possível “unir os nossos concidadãos, para a intransigente defesa do ambiente, para a organização e estruturação da componente mais valiosa que possuímos o turismo e o rio, para a recuperação do património edificado, impedindo a ruína de solares e quintas espalhadas pelo concelho, e transcendermo-nos na preservação da nossa história criando um museu”.

Na sua opinião, “todas estas atividades são urgentes, e são elas também capazes de criar oportunidades de criação de empresas e de emprego”.

“Devemos unir os nossos esforços com as juntas de freguesia, para motivar o concelho, no combate à solidão e lutar contra a pobreza, colaborando com as IPSS”, desafiou.

O presidente da Assembleia defende que “a definição de um plano estratégico para o concelho é fundamental”, e, como já apontara antes, “a capacidade de preparar de forma eficiente candidaturas a fundos europeus, e de captar investimentos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, dirigindo-os de forma capaz de complementar e incentivar a mobilização dos nossos concidadãos em torno dos objetivos atrás referidos, são uma tarefa dos órgãos de soberania eleitos”.

“Vamos assim, desta forma unir vontades, e eleger também como uma função desta assembleia a congregação de todos os esforços para mobilizar os cidadãos nestes projetos capazes de despertar o melhor que há em cada um de nós, em todos nós ferreirenses”, afirmou, em jeito de apelo final.

“Sejamos capazes de fomentar o orgulho em ser ferreirense, como parte integrante da nossa cidadania”, concluiu.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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