O antes e depois do incêndio no Moinho de Avecasta, em Ferreira do Zêzere. Foto: DR

A reportagem do mediotejo.net esteve no local e constatou o cenário de destruição que o incêndio de 9 de julho deixou numa grande mancha florestal à volta do local.

Sobe-se uma estrada de terra batida, íngreme, até se chegar ao alto da colina onde se ergue o baloiço panorâmico, que resistiu às chamas, e, uns metros ao lado, jazem as cinzas e destroços do moinho.

Apenas sobrou a estrutura circular em pedra, com algumas lajes danificadas com o calor. Centenas de pregos e cavilhas, negras, estão espalhadas pelo chão, ao lado está um ferro retorcido, pedras e um tronco queimado que fazia parte da estrutura das velas.

O que resta do moinho da Avecasta. Foto: mediotejo.net

Também a placa que marca a inauguração do moinho em 1995, pelo então Governador Civil de Santarém, José Eduardo Marçal, está pintada de negro.

O cenário é desolador e permite perceber o quanto era bonita a envolvente verde da paisagem que se perde no horizonte. Agora o objetivo é reerguer o moinho. “Houve uma primeira conversa com o Presidente da União de Freguesias de Areias e Pias, Márcio Cabral e foi decidido que teríamos de começar a trabalhar nesse sentido”, disse o Presidente da Câmara, em declarações ao mediotejo.net.

ÁUDIO | BRUNO GOMES, PRESIDENTE CM FERREIRA DO ZÊZERE:

Bruno Gomes explicou que “o moinho é da comunidade e faz todo o sentido que seja ela a tomar a liderança para que possamos reerguer o moinho”. Da parte da autarquia, procura-se que surja algum programa que permita o financiamento para a reconstrução do moinho, mas também para a requalificação da zona envolvente.

“Gostava de enquadrar num programa financiado porque tínhamos a possibilidade de fazer algo com maior qualidade do que aquilo que estava anteriormente”, argumentou o autarca.

Outra possibilidade aberta pela Junta de Freguesia foi a recolha de donativos, sendo certo que, com ou sem financiamento, a obra vai avançar.

Bruno Gomes reconhece que aquela zona da Avecasta “é um local que muito dignifica, publicita e exponencia o concelho”.  

Calcula-se que só para a reconstrução do moinho o orçamento rondará os 50 ou 60 mil euros. O Presidente da Câmara revelou que já foram contactados alguns técnicos que construíram moinhos em concelhos vizinhos.

“Temos de, com a maior brevidade possível, voltar a ter ali aquele spot tão bonito”, disse Bruno Gomes apontando para 2023 a concretização desse desiderato.

“Queremos muito voltar a ter aquele ativo turístico de enorme importância para Ferreira do Zêzere. Esperamos que em 2023 seja possível que isso aconteça”, concluiu.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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