Dupla traz a Ferreira do Zêzere uma história sobre a descoberta do amor Foto: mediotejo.net

A madrinha de Dornes nas 7 Maravilhas, Patrícia André, e o ator Jorge Silva sobem ao palco do Cine-teatro Ivone Silva, em Ferreira do Zêzere, este domingo, 20 de maio, pelas 16h00, com a peça “Amor de Dom Perlimplim com Belisa em seu jardim”. Uma abordagem sobre a amor dos jovens e dos mais velhos, num texto poético e intemporal.

O trabalho é do espanhol Federico Garcia Lorca (1898-1936) e narra a história de Dom Perlimplim (por Jorge Silva), um velho com uma alma pura que vive isolado, e Belisa (por Patrícia André), uma jovem cruel e egoísta. A encenação da peça é do próprio Jorge Silva, que a representou pela primeira vez há cerca de 30 anos na sua terra natal, a Chamusca, com uma boa aceitação do público, e encontra-se há um ano em digressão.

A equipa garante ao mediotejo.net que há um pouco de tudo nesta peça: alegria, lágrimas, temor, suspiros. “Sempre gostei muito deste texto, sempre gostei muito do Lorce”, admite Jorge Silva, pois embora esta seja considerada uma peça pequena, “não é uma peça menor. É um texto que bruta poesia por todo o lado. Um texto que fala da descoberta do amor num velho e numa jovem, a dois, em tempos diferentes”.

Espetáculo é este domingo, dia 20, pelas 16h30 Foto: mediotejo.net

A expetativa é pois ter casa cheia, até porque Patrícia André é uma filha da terra e esta é a primeira vez que traz uma peça sua a Ferreira do Zêzere. “Este espetáculo é muito bonito”, comenta a atriz, “é muito direto, as pessoas conseguem identificar-se rapidamente”, salientando também o lado comovente e cómico. “Dá para todos os gostos”, frisa, afirmando ser “um enorme orgulho” trazer o grupo de teatro, que é a sua família, à sua outra família, “que é a minha terra”.

Patrícia André sempre sonhou com representação, embora, atendendo à família, tenha chegado a iniciar um curso de Direito. “Fugia da universidade para ir para o teatro”, recordou ao mediotejo.net, tendo acabado por seguir a veia artística. Já Jorge Silva atua desde jovem, tendo vivido o frenesim criativo do 25 de abril e possuindo uma longa carreira na representação.

Face à ideia de que as populações do interior não estarão tão interessadas em teatro menos popular, ambos os atores contrapõem, afirmando ser uma ideia errada. “É de louvar as autarquias que apostam em trazer companhias, espetáculos e outros eventos. Porque as pessoas aderem, as pessoas enchem as salas”, sublinhou Jorge Silva. “As pessoas estão sequiosas de cultura, de concertos, de teatro”, concordou Patrícia André.

Existem boas salas espalhadas pelo país, constatam os atores, com condições para receber em contínuo bons eventos. Uma rede cultural de espetáculos que circulasse pelos concelhos permitiria oferecer às populações fora de Lisboa e Porto a oferta e diversidade que hoje não existe. “As pessoas se tiverem acesso, se tiverem várias coisas para escolher” procuram oferta cultural, frisou Patrícia André.

A peça insere-se na programação do Festival de Teatro Ivone Silva, promovido pelo terceiro ano pelo município de Ferreira do Zêzere. Segundo o vereador Hélio Antunes esta é uma forma de homenagear a atriz Ivone Silva, que nasceu no concelho, promovendo-se o teatro nacional e local. O concelho tem aliás várias atores nacionais, da nova geração, com raízes em Ferreira do Zêzere, não só Patrícia André mas também Nuno Lopes, Leonor Seixas ou Diogo Morgado.

O Festival tem corrido bem, com recetividade do público. “Dá vontade de continuar”, afirma Hélio Antunes.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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