Centro Cultural Alfredo Keil, em Ferreira do Zêzere. Foto: mediotejo.net

A Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere vai atribuir o nome do compositor Alfredo Keil ao Centro Cultural da vila. A iniciativa acontece no âmbito das comemorações dos 800 anos do Foral de Povoamento de Ferreira do Zêzere, a terem lugar no sábado, dia 24 de setembro.

A proposta aprovada por unanimidade a 25 de agosto refere-se a Alfredo Keil como “uma personagem incontornável de várias manifestações artísticas que determinam a identidade portuguesa e da história ferreirense”.

A partir do dia 24 de setembro, a fachada do Centro Cultural vai, assim, ostentar o nome de Alfredo Keil, figura marcante da cultura portuguesa no final do séc. XIX e início do séc. XX.

Na reunião de Câmara, o presidente Bruno Gomes deu conta dos contactos estabelecidos com a família Keil do Amaral no sentido de se conseguir trazer para Ferreira do Zêzere a parte do espólio do compositor e pintor referente ao concelho e à região, como seja quadros, cartas, cadernos e outros objetos.

Segundo a vereadora Elisabete Ferreira, todo o espólio está arrumado em 300 caixas em casa da família Keil do Amaral e vai ser necessário fazer um levantamento e registo de cada um dos objetos, um trabalho que pode demorar de quatro a seis meses.

Este projeto está a ser desenvolvido em parceria com a Fundação Maria Dias Ferreira.

Foi na Frazoeira, na atual freguesia de Nª Srª do Pranto, que a Banda Filarmónica Frazoeirense interpretou pela primeira vez “A Portuguesa”, perante a presença do seu autor, Alfredo Keil, durante uma das suas passagens pelo concelho.

Em 1890, em Portugal, viviam-se momentos de exaltação provocado pelo ultimato de Inglaterra, o que inspirou Alfredo Keil a compor uma marcha de sentido patriótico chamada “A Portuguesa”, com a letra de Henrique Lopes de Mendonça.

Com a implantação da República, em 5 de outubro de 1910, esta marcha foi adotada para Hino Nacional pelos republicanos, sendo considerado um dos símbolos maiores da nossa identidade nacional.

No site da Junta de Freguesia de Nª Srª do Pranto, refere-se que “Alfredo Keil, percorreu montes e vales na região, assistiu às festas populares, aos arraiais, às romarias, às procissões e aos trabalhos campestres. São as tradições, os usos e costumes que o artista foi registando ora com o lápis ora com o pincel”.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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