Cerca de uma dezena de encarregados de educação do Jardim de Infância e Escola Básica de 1º ciclo (JI/EB1) de Águas Belas foi à reunião camarária de Ferreira do Zêzere de quinta-feira, 24 maio, entregar uma petição pela manutenção da estrutura. Porém, para o presidente da autarquia, Jacinto Lopes, a decisão de encerramento da escola é “irreversível”.
O encerramento do JI/EB1 de Águas Belas está previsto desde a revisão da carta educativa, em 2008, com a transição das crianças para o Centro Escolar de Ferreira do Zêzere. Na viragem da década, no entanto, a crise e o regresso ao interior de vários casais fez com que o concelho recebesse mais alunos do que esperado, tendo a escola de Águas Belas permanecido de portas abertas e recebendo inclusive obras de requalificação.
Atualmente o Centro Escolar de Ferreira do Zêzere tem quatro salas livres, segundo foi mencionado em reunião de câmara, tendo o município recebido uma indicação da Direção Regional de Educação de Lisboa para que atendesse à nova realidade da estrutura escolar. Na reunião de 26 de abril, Jacinto Lopes confirmou esta situação, informando que a escola de Águas Belas não funcionará no próximo ano letivo.

A situação não agradou aos pais, que na assembleia municipal de 27 de abril foram mostrar o seu descontentamento com a situação, uma vez que a instituição escolar de Águas Belas tem apresentado bons resultados.
Na quinta-feira um conjunto de pais e mães manifestaram-se frente à Câmara pela manutenção da escola, intervindo na reunião pública. A porta-voz, Ana Júlia Sampaio, começou por ler o texto de uma petição que se encontra a decorrer, já tendo contabilizadas 640 assinaturas (ao mediotejo.net adiantaria posteriormente que há muitas mais por contar).
No documento é pedido a continuação do funcionamento da EB1/JI de Águas Belas, alegando-se que “é socialmente exigível o acordo das comunidades, designadamente dos pais e encarregados de educação, para qualquer reorganização ou reestruturação da rede escolar que implique o encerramento de escolas”.
Defendendo-se que em determinadas decisões devem “prevalecer critérios de natureza pedagógica sobre critérios de natureza administrativa”, lembrou-se que esta foi a única escola do concelho que viu aumentar o número de alunos e tem obtido bons resultados pedagógicos.
As boas condições do edifício, com obras recentes, a perda de qualidade de vida na freguesia caso se dê o encerramento e a necessária estabilidade ao desenvolvimento das crianças foram outros argumentos apresentados.
Da parte da junta de freguesia de Águas Belas, o presidente Sérgio Morgado explicou que não obstante a escola já ter estado para encerrar em 2011, “hoje como presidente de junta tenho a percepção que ter uma escola primária na freguesia faz muita falta”. Mostraria assim o seu apoio aos pais presentes.
Intervieram ainda algumas mães, apresentado os motivos pelos quais optaram pela JI/EB1 de Águas Belas e as razões que as levam a querer manter os filhos na instituição, frisando-se sobretudo a boa dinâmica pedagógica que existe na instituição.
Jacinto Lopes afirmaria que percebia o lado dos pais, mas que a decisão de fechar a escola era “irreversível”, lembrando o historial da estrutura. Adiantaria inclusive que apenas 40% dos atuais alunos de Águas Belas são efetivamente da freguesia, sendo os restantes das freguesias envolventes, como se comprovava pela naturalidade dos pais presentes. “Não pensem que é má vontade, mas há decisões que têm que se tomar”, afirmaria.
O tom do presidente não agradou porém aos pais, que continuaram a apelar a que se tenha em consideração a vontade da população. Da parte do PS, Bruno Gomes comentou que houve várias mudanças na última década, desde que foi aprovada a carta educativa, e que se poderia dar um compasso de espera para avaliar melhor a situação.
À saída, uma das mães presentes deixou um dos cartazes, que havia sido feito com a ajuda das crianças, na sala de reuniões.
Ao mediotejo.net, Ana Júlia Sampaio referiu que os pais vão continuar a reunir assinaturas e que a petição será entregue ao Delegado Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo. “Vamos reunir-nos e continuar em frente”, afirmou.
