A Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Zêzere foi uma 29 Misericórdias do país contempladas com o Fundo Rainha D. Leonor. O mediotejo.net foi falar com o Provedor Luís Ribeiro Pereira para saber mais sobre o projeto que ambicionam erguer no concelho: um Centro Intergeracional de Artes e Ofícios, ATL e Centro de Convívio de Idosos, orçamentando em 370 mil euros. 

Luís Ribeiro Pereira junto ao edifício que se prepara para ser intervencionado Foto: mediotejo.net

Com que objetivos foi pensada a candidatura a este Fundo Rainha D. Leonor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa?
O Fundo Rainha D. Leonor resulta de um protocolo que foi assinado com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a União das Misericórdias, sendo que há um montante que todos os anos é transferido para esse fundo onde nós, Misericórdias, podemos candidatar-nos. Foi o que fizemos. Apresentamos a candidatura em 2017, embora em 2016 já tivéssemos andado em conversações. Tratámos do projeto de reconstrução para um edifício que existe ao lado da Igreja de Ferreira do Zêzere.

E que tipo de projeto foi pensado para esse edifício?
Aquele edifício era uma creche antiga, a única que existiu no concelho. O edifício estava a degradar-se e a Mesa deliberou que avançássemos para um projeto de reconstrução sabendo já que havia o compromisso de, mais ano menos ano, haver esta comparticipação. O valor do orçamento para a obra são 340 mil euros (+ Iva) sendo que do Fundo Rainha D. Leonor recebemos cerca de 170 mil euros, 50% do valor necessário.

E o que se pretende construir?
Um Centro Intergeracional de Artes e Ofícios, ATL e Centro de Convívio de Idosos. É um ATL e Centro de Dia para Idosos, um espaço que permite um encontro de gerações e foi com esse argumento que nos candidatámos ao Fundo, o que foi bem aceite. Convém frisar que é uma obra única no concelho. Não existe um ATL com estas condições, sendo uma mais valia para as crianças e jovens. Vai servir para ajudar os jovens a fazerem os trabalhos de casa, uma vez que a maior parte dos pais não estão em casa para os apoiar. Vamos dar-lhes tempos lúdicos mas também obrigá-los a trabalhar. Os séniores também vão lá estar para lhes ensinar as Artes e os Ofícios, numa partilha de saber.

É um objetivo ambicioso…
Agora temos a grande responsabilidade de fazer a obra. Porque são 170 mil euros de investimento próprio e nem sequer sabemos se temos direito ao reembolso do IVA. A Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere já se comprometeu a apoiar-nos com um subsídio de 25% do valor da adjudicação.

Como vai decorrer esse processo de adjudicação de obra?
Não é necessário Concurso Público mas nós já contactámos quatro empresas do concelho para perguntar se estavam interessadas em fazer a obra. Estamos a ultimar o projeto, fazendo medições e orçamentos através de um gabinete que contratámos (por 3800 euros) e que vai definir o tipo de materiais a ser usados. Todos eles terão uma lista onde podem ver quais são os materiais que pretendemos e, deste modo, apresentarem a sua proposta. O projeto já está feito e aprovado pela câmara.

Quanto tempo vai demorar a começar a obra?
De acordo com o protocolo assinado com o Fundo Rainha D. Leonor temos dois meses para começar a obra. Vai durar um ano, devendo abrir portas no primeiro semestre de 2019.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Zêzere gostaria de concluir a obra no espaço de um ano. Foto: mediotejo.net

A Instituição está preparada financeiramente para assegurar a componente própria da obra?
Nós não estamos financeiramente preparados para suportar o que falta mas começámos a fazer contactos com empresas para ver se entendem a figura do mecenato e nos podem ajudar a completar este objetivo. É uma obra que beneficia toda a comunidade e isso deve ser valorizado e merecedor de apoio.

Que apelo gostaria de fazer a quem queira apadrinhar, através de mecenato, este Centro Interageracional?
Apelo à sensibilidade dos industriais para o cariz social desta obra. Consideraria um verdadeiro milagre se houvesse meia dúzia de industriais que nos batessem à porta para nos ajudar. É preciso que as pessoas acreditem nesta mais valia para o concelho.

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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