Entre 6 e 29 de março, o lagostim e o peixe do rio regressam às mesas de Ferreira do Zêzere, numa edição do Festival Gastronómico do Lagostim e Peixe do Rio que decorre nos cafés e restaurantes aderentes e que, este ano, acontece num contexto particularmente exigente para o concelho.
Serão 12 os estabelecimentos participantes – mais três do que na edição anterior – num mês dedicado à valorização de dois produtos endógenos que distinguem o concelho ferreirense.
A edição de 2026 realiza-se depois dos danos e prejuízos provocados pela tempestade Kristin, que afetou o território a 28 de janeiro e por isso não contará com as habituais atividades paralelas. O formato será apenas gastronómico, desenrolando-se nos restaurantes, cafés e pastelarias aderentes.


“Vai ter um formato exclusivamente gastronómico. Não vamos ter outras atividades, até porque temos um conjunto de infraestruturas que ainda aguardam pela sua requalificação na totalidade. Além de que, fruto daquilo que é um conjunto necessário de custos de investimentos para poder reparar e normalizar este concelho, entende-se a ter que ter aqui este formato”, explicou o presidente da Câmara, Bruno Gomes.
Apesar do contexto, o município optou por manter o festival gastronómico do lagostim e peixe do rio.
“Nós de todo queremos parar o concelho. Temos um conjunto de compromissos assumidos para com a nossa comunidade e um deles é o de apoiarmos aquilo que é o nosso comércio local, a hotelaria, a restauração e não podia ser de outro modo”, afirmou o autarca, sublinhando que este é “um evento de extrema importância” e “um evento que mostra o que nós de melhor temos”.







Segundo o município, os 12 cafés e restaurantes aderentes vão apresentar pratos tradicionais e propostas criativas à base de lagostim e peixe do rio Zêzere, entre os quais lagostim de coentrada, açorda de lagostim, sopa de peixe com lagostim, massada de peixe com lagostim, lagostim na broa, feijoada de lagostim, risotto de lagostim, ensopado de peixe do rio com lagostim, lúcio frito e peixe do rio frito com migas e arroz de tomate, entre outros.
Bruno Gomes reconheceu o impacto sentido pelos empresários locais. “Se falarmos com qualquer comerciante, com qualquer lojista, com qualquer proprietário de um restaurante ou hotel, percebe-se que houve aqui uma queda muito grande, um receio muito grande por parte das pessoas e um conjunto de prejuízos grande que depois tem reflexo naquilo que é o dia a dia desta comunidade e deste concelho”, disse, defendendo que “tem que haver apoio, tem que continuar a haver investimento para que os nossos empresários não tenham ainda uma perda maior naquilo que é o seu dia a dia”.

O presidente da Câmara Municipal destacou ainda a evolução do número de participantes.
“É um ano atípico, mas é um ano que, pelo menos naquilo que toca aos estabelecimentos, aumentámos de nove para 12, o que é positivo também”, referiu, acrescentando que o objetivo é que o festival continue “a ter um crescendo na qualidade, um crescendo na comunicação, um crescendo até naquilo que é a promoção dos produtos endógenos”.

Sobre os produtos em destaque, Bruno Gomes vincou que “não são muitos os concelhos que se possam gabar de ter a qualidade dos nossos peixes e do lagostim. Nós temos das águas mais límpidas do mundo e isso é também algo que se reveste de muito importância, porque temos aqui um conjunto de produtos endógenos que, de facto, são muito diferenciadores.”
Também o chefe de Divisão da Área do Turismo, Miguel Carvalho, enquadrou esta edição num ciclo de regeneração.
“É importante que vejamos a nossa vida, em Ferreira do Zêzere e em qualquer lugar, como feita de ciclos, ciclos esses que têm de ser de regeneração e de crescimento”, afirmou, reconhecendo que “a nossa paisagem foi afetada, a nossa condição emocional também foi afetada”, mas sublinhando que o concelho está “cheio de vontade, cheio de força e de resiliência”.
A pedido dos restaurantes, o festival mantém o prazo estendido, abrangendo vários fins de semana e coincidindo com um período tradicionalmente mais baixo para o setor.
“O objetivo já era apoiar ainda mais a restauração num período de época mais baixa”, explicou Carvalho.

“O comércio local volta agora a normalizar. Precisamos que a nossa restauração e hotelaria voltem a receber pessoas e a reerguer-se. Este festival é a primeira atividade que não quisemos cancelar e quisemos manter porque simboliza união e resiliência, permitindo criar riqueza e dinamizar o território”, disse o presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere.
Mais do que uma celebração gastronómica assente nos produtos endógenos, o festival pretende afirmar-se como um sinal de apoio à restauração e ao comércio locais, setores particularmente afetados pelos danos provocados pelo mau tempo,.




“Precisamos muito de trazer pessoas ao território. O nosso comércio local, restauração e hotelaria precisam de continuar a trabalhar, manter postos de trabalho e faturação”, sublinhou Bruno Gomes.
Criado como forma de valorizar produtos endógenos e de transformar um recurso abundante num ativo turístico, o festival tem contribuído para afirmar Ferreira do Zêzere como destino gastronómico ligado à qualidade do peixe do rio e do lagostim capturados na albufeira de Albufeira de Castelo do Bode.
O presidente da autarquia adiantou ainda que alguns eventos anuais poderão ser cancelados para direcionar apoios à recuperação do concelho, enquanto outros se manterão, em articulação com as coletividades e associações, como as festas do concelho, previstas para o período de 07 a 09 de agosto.
“Pelas mais variadas razões, pela qualidade da nossa restauração e hotelaria, pela qualidade destes produtos endógenos e também por aquilo que é uma necessidade de resiliência e de apoio à nossa comunidade, deixo o convite a todos para que possam vir até Ferreira do Zêzere experienciar todos estes sabores”, apelou Bruno Gomes.




















