Jacinto Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere. Foto: mediotejo.net

Na página 223 do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses 2019, lançado em novembro último, o nome de Ferreira do Zêzere surge em 1º lugar na lista dos Municípios com menor Prazo Médio de Pagamentos (zero dias). É assim desde há três anos para cá. O pequeno concelho situado a norte do distrito de Santarém é o melhor pagador aos fornecedores entre os 308 municípios portugueses.

Graças a uma situação financeira “quase à prova de bala”, como caracteriza o Presidente da Câmara, Jacinto Lopes (PSD), há três anos que os fornecedores recebem na hora os pagamentos.

Como é que isto se consegue? O autarca Jacinto Lopes explica: “é um trabalho de muitos anos de muita gente, muito planeamento, muita cabeça no sítio, e depois de atingido o objetivo é uma questão de manter. O difícil foi chegar lá, aos zero dias, agora é uma questão de manter esta linha.

Enquanto eu cá estiver, tem de ser sempre esta a linha porque sabemos que pagando a zero dias estamos a ajudar a economia, em particular a economia local”.

Para o Presidente da Câmara a preocupação não é o ranking, mas sim “pagar rapidamente” aos fornecedores porque “a partir do momento em que fazemos o compromisso, o dinheiro já não é nosso, é deles”.

Sendo o único concelho do país que, em três anos consecutivos, mantém o 1º lugar no prazo médio de pagamento, “é motivo de orgulho para todos os ferreirenses”, sublinha o autarca.

Esta garantia tem sido muito bem recebida pelos fornecedores, os quais não hesitam quando se trata de trabalhar com a autarquia ferreirense. Para esta também há vantagens, a primeira das quais é a redução no preço. Sabendo o comerciante que vai receber a pronto pagamento, faz aquilo a que popularmente se chama “uma atenção”, que se vai repercutir no preço final do produto ou serviço. Ao fim do ano, “isto significa uma poupança de milhares de euros”, garante Jacinto Lopes.

Por vezes acontece que o processo não flui tão rapidamente quanto seria desejável porque, para o fornecedor receber o dinheiro, tem de apresentar os necessários documentos, como seja a certidão de não dívida às Finanças e à Segurança Social.

Até que ponto o facto de Jacinto Lopes ser licenciado em Contabilidade e ter uma empresa na área contribui para esta preocupação de ser certinho nas contas, foi o que quisemos saber.

“Sem dúvida. Porque estou muito mais atento aos números e sei qual o caminho que temos de seguir para chegar lá. É a minha formação. E claro que tento incutir isso nos quadros da câmara municipal para que, de futuro, continuem a estar atentos à tesouraria da câmara e às suas contas”, responde o autarca.

Da análise que vai fazendo de outras câmaras, regista com apreço que a política adotada por Ferreira do Zêzere está a ser seguida por outras autarquias. Basta comparar o ranking do prazo de pagamento de 2019 com anos anteriores para perceber que a maior parte das autarquias tem vindo a baixar esses prazos.

Pagar a tempo e horas aos fornecedores também é revelador da boa saúde financeira da autarquia ferreirense, como confirma Jacinto Lopes.

“Não temos dívidas a fornecedores. São valores residuais. A médio e longo prazo temos algum endividamento aos bancos, mas era para pagar em muitos anos, também não é nada de significativo e nestes três mandatos que levo à frente da Câmara reduzimos o endividamento aos bancos em cerca de 6 milhões e meio de euros. Portanto, eu diria que temos uma situação financeira quase à prova de bala”, conclui o autarca.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

Entre na conversa

2 Comments

  1. Não deixa de ser interessante o jornalista se ter esquecido de mencionar que o município de Ferreira do Zêzere é também o 27.º município português com pior equilíbrio orçamental, de acordo com os dados da página 166 do mesmo documento. Ou que é o 14.º com menores resultados económicos (quando está longe de ser o 14.º com menor população; página 235). Quando a política oficial é “quanto menos, melhor”, é natural que seja fácil pagar a fornecedores.

  2. Dizer também e lamentar que os fornecedores e prestadores de serviços do concelho não tenham lugar enquanto tal para a CMFZ.

    Cerca de 90% da faturação com fornecedores e prestadores de serviços vai para fora do concelho.

    No concelho pouco mais fica que a enorme carteira de seguros que o atual presidente Jacinto Lopes tem junto da Câmera Municipal enquanto mediador!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *