Município de Ferreira do Zêzere apresentou o plano estratégico de desenvolvimento para a década. Foto: DR

“Acima de tudo nós queríamos ter um instrumento que balizasse um conjunto de premissas, de caminhos que o concelho tem de fazer para que chegue ao patamar de desenvolvimento que nós queremos”, disse hoje o presidente do município de Ferreira do Zêzere, relativamente a um plano orientador que “não existia”, que demorou cerca de um ano a realizar, e que foi apresentado à comunidade na sexta-feira.

Segundo Bruno Gomes (PS), a cumprir o primeiro mandato enquanto presidente de Câmara, “este instrumento vem identificar as grandes prioridades que nós entendemos serem estratégicas e depois traz também aqui o modelo de desenvolvimento do território que congrega, sendo resultado de uma simbiose entre o município, as empresas, as associações, o poder político, as juntas de freguesia, a comunidade escolar, enfim, estão aqui um conjunto de agendas neste documento que será a base de trabalho para a próxima década”.

Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, e Bruno Gomes, presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere. Foto: DR

ÁUDIO | BRUNO GOMES, PRESIDENTE CM FERREIRA DO ZÊZERE:

O Plano Estratégico “Ferreira do Zêzere 2030” define a estratégia e as prioridades de desenvolvimento para os próximos anos, tendo como objetivo afirmar o município de Ferreira do Zêzere no ano 2030 como um “território atrativo, inclusivo e resiliente que aposta nas áreas de especialização ligadas à sua diversidade e riqueza natural e patrimonial como âncoras de um modelo de desenvolvimento competitivo, coeso e sustentável”, lê-se no documento.

O Plano Estratégico 2030 representa um “cenário prospetivo de médio prazo, assente numa lógica de valorização de oportunidades”, através de um diagnóstico que permitiu “identificar um conjunto de pontos fortes associados a fatores positivos e que contribuem para um contexto favorável e impulsionador do desenvolvimento local”, a par de um “conjunto de áreas de melhoria que se afirmam como dimensões de fragilidade e condicionantes para o desenvolvimento sustentado do concelho, as quais se pretendem mitigar”.

Deste modo, segundo o documento, pretende-se que, em 2030, o concelho de Ferreira do Zêzere se distinga pela “valorização e preservação dos seus recursos naturais e recursos endógenos, pelo reforço e diversificação da base económica, assim como pela aposta numa comunidade mais empreendedora e digital”.

Por outro lado, a “aposta na sustentabilidade, na ação climática e na resiliência ambiental” correspondem a “importantes fatores com impacto na melhoria do bem-estar e da qualidade de vida das comunidades” locais.

A plateia que assistiu à apresentação do plano estratégico em Ferreira do Zêzere. Foto: DR

Com a concretização deste plano, espera-se que, até 2030, Ferreira do Zêzere se afirme “como um território atrativo, inclusivo e resiliente que aposta nas áreas de especialização ligadas à sua diversidade e riqueza natural e patrimonial como âncoras de um modelo de desenvolvimento competitivo, coeso e sustentável, com a definição de três eixos estratégicos: Emprego e competitividade; Inclusão social e qualidade de vida e Sustentabilidade e resiliência do território”.

Ferreira do Zêzere foi o município do Médio Tejo onde, apesar da pandemia de covid-19, se conseguiu gerar mais emprego. Foto: Arlindo Homem

Questionado sobre alguns exemplos de investimento a realizar, Bruno Gomes apontou o setor do turismo, a indústria agropecuária e agroalimentar, a cultura, a educação e o desporto como “eixos estratégicos a desenvolver” e que se “ramificam com outros projetos” identificados.

“Acima de tudo, é um documento que orienta para um turismo de excelência que aposta nestas áreas de especialização e que possamos com isso ancorar aqui o desenvolvimento que queremos que seja muito competitivo, que seja coeso e, também, sustentável”, disse o autarca, apontando a uma previsão de investimento na ordem das “várias dezenas de milhões de euros”, do município e de privados, e que candidaturas a fundos comunitários deverão alavancar.

O documento está também alinhado, em boa medida, com a programação do Portugal 2030 e que é feita em torno de cinco objetivos estratégicos da União Europeia: uma Europa mais inteligente, mais verde, mais conectada, mais social e mais próxima dos cidadãos; tendo como enquadramento estratégico a Estratégia Portugal 2030, estruturada em torno de quatro agendas temáticas centrais, as quais serviram de suporte ao diagnóstico do contexto atual do território de estudo.

Concertos na igreja de Dornes assinalaram restauro do órgão de tubos. Ferreira do Zêzere tem um vasto património histórico, religioso e cultural. Foto: mediotejo.net

Segundo o plano e respetivo diagnóstico, são inúmeros os programas setoriais em matérias de especial interesse para o concelho de Ferreira do Zêzere, tendo-se destacado os domínios do turismo, património natural, desporto/cultura e sustentabilidade ambiental. Estes domínios possuem, na maioria dos casos, diretrizes de escala macro (nacional ou regional) que carecem da adequada territorialização concelhia, para que numa escala de proximidade se possa contribuir para objetivos maiores e potenciar o desenvolvimento integrado do concelho, valorizando, sempre que possível, oportunidades de financiamento existentes.

Decorrente do quadro de desenvolvimento concelho apresentado no âmbito do “Relatório de Diagnóstico do Potencial de Desenvolvimento Municipal”, foram apresentados os principais pontos fortes, áreas de melhoria, oportunidades e ameaças relativos ao concelho de Ferreira do Zêzere organizados por agenda temática.

Como pontos fortes destaque para a localização geográfica e acessibilidades, um saldo migratório positivo, melhoria progressiva dos indicadores de educação, condições favoráveis para a prática de desporto, reduzida expressão de população fragilizada perante o emprego, tecido económico local robusto e dinâmico, condições de excelência para a atração de investimento, especialização económica agropecuária, setor do turismo em ampla expansão, património rico e diverso, programação cultural em rede, associativismo forte e dinâmico, mobilidade mais próxima das populações, conectividade do território em franca expansão, elevada cobertura de infraestruturas básicas, e os elementos naturais estruturantes de grande valia ambiental.

Nas áreas de melhoria a efetuar salienta-se o despovoamento progressivo, envelhecimento da população, mercado de habitação pouco dinâmico, oferta formativa pouco enquadrada no perfil produtivo local, baixo nível de escolaridade da população, fragilidades sociais relacionadas com o envelhecimento da população, e debilidades estruturais do setor da saúde.

Ferreira do Zêzere. Foto: Arlindo Homem

As oportunidades elencadas passam por uma recuperação económica gradual, apesar do atual contexto (COVID -19 e guerra na Ucrânia), novo quadro financeiro e apoios disponíveis, descentralização de competências nos municípios que poderão gerar novas oportunidades de desenvolvimento local, atração de novos residentes com crescente procura por locais de residência em territórios do interior e de baixa densidade, políticas públicas orientadas para aumento da qualificação e competências dos recursos humanos e para o apoio às empresas, através da valorização crescente do empreendedorismo, da inovação e das redes de cooperação.

Destaca-se ainda o crescimento empresarial, a qualificação do público mais jovem, um rápido crescimento da sociedade digital ao qual se associam novas oportunidades nos negócios e no mercado de trabalho, o que pode favorecer a captação de investimento e de população para o concelho, oportunidades de investimento direcionadas para as potencialidades e recursos de cada território, oportunidades de valorização de recursos endógenos e maior aposta em projetos culturais em rede, retoma do turismo, povoamento e ocupação urbana, consciência ambiental e redes de cooperação.

Festivais gastronómicos em Ferreira do Zêzere refletem aposta no turismo e nos produtos endógenos. Foto: DR

“É um documento que, como é lógico, dada a volatilidade do tempo que atravessamos é sempre objeto de melhoramento, de adaptação”, notou Bruno Gomes.

Segundo o autarca, “este documento tem de ir crescendo e tem que ir, à medida que os anos vão passando, sofrer atualizações e aquilo que eu peço à nossa comunidade é que procurem ajudar, que procurem fazer a sua parte para que o nosso território possa desenvolver-se mais, possa ser mais inclusivo e que isso se traduza numa melhor qualidade de vida para todos nós, num melhor ambiente, em termos mais rendimento e em termos, ao fim ao cabo, um gosto maior em sermos ferreirense e em fixarmo-nos em Ferreira do Zêzere.

Elementos da equipa que elaborou o plano e o presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere. Foto: DR

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência Lusa

Agência de Notícias de Portugal

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *