Recuperação do fontanário foi um esforço da junta de freguesia em colaboração com a população Foto: mediotejo.net

A união de freguesias de Areis e Pias, concelho de Ferreira do Zêzere, inaugurou no domingo, 1 de julho, a recuperação do Fontanário do Poço d’Ordem. A estrutura, no lugar de Cidral, estava bastante degradada e a sua recuperação pretendeu não só recuperar um símbolo da localidade, como também reativar o arraial de São Pedro, uma tradição perdida há alguns anos.

Não se sabe bem ao certo qual a idade do Fontanário. Garantem-nos que um século terá de certeza, eventualmente até dois. Noutros tempos foi ponto de encontro de namoricos, paragem certeira para convívio depois da missa. As suas águas regaram os campos, lavaram as roupas e saciaram a sede de quem ali se deslocava. Depois caiu no abandono, degradou-se, até que o ensejo da autarquia, em colaboração com a população, permitiu que tivesse nova vida.

Inicialmente, recordou ao mediotejo.net um morador, Fernando Ribeiro dos Santos, 80 anos, era apenas um poço particular, por onde se recolhia a água originária de uma nascente da serra. Mas a abundância era tal, recordou, que o dono acabaria por deixar a vizinhança usufruir da água. Nasceria assim um fontanário, por onde se escoava água para os campos e as mulheres vinham lavar a roupa nos tanques, sendo também a água conhecida pela sua qualidade. “Até de Tomar vinham aqui buscar água”, garante.

Ponto de encontro para namoros e convívios, fontanário faz parte da memória do Cidral Foto: mediotejo.net

Eventualmente o Poço tornou-se de utilização pública e assim se manteve anos a fio, até a mudança de hábitos e a diminuição da população terem ditado a sua progressiva degradação. Em 2017 a união de freguesias de Areias e Pias levou a cabo a recuperação da estrutura.

“É um dos fontanários mais completos” da zona, explicou ao mediotejo.net o presidente da união, Hugo Azevedo. Os trabalhos de recuperação contemplaram sobretudo o muro de suporte e a substituição do telhado de amianto, referiu. A população contribuiu com 800 euros, a junta de freguesia investiu o restante dos cerca de 4 mil euros gastos com toda a empreitada.

“Esta é uma pequena intervenção, mas que diz muito” à população, constatou, sendo o Poço d’Ordem o símbolo do Cidral. O fontanário “ainda é usado”, “muita gente vem aqui buscar água”, que é famosa pela boa qualidade, “mas não é vigiada”, alertou.

Com esta recuperação, o objetivo é também trazer de volta o arraial de São Pedro, tradição que se fez reviver no domingo com uma sardinhada e música. Presente na ocasião, o presidente da Câmara, Jacinto Lopes, lembrou o quanto o fontanário se encontra na memória de toda a população. Apelaria assim à utilização da estrutura, destacando que “é preciso que se dê novamente uso ao espaço” e lançando o desafio para se realizem encontros no local. “Há coisas que só se conseguem fazer todos juntos”, salientou, por forma a que se preserve o trabalho concretizado.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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