As palavras entre aspas são do próprio presidente da Câmara, Bruno Gomes, que no final da sessão solene no Centro Cultural mostrava-se visivelmente satisfeito por ter conseguido concretizar um protocolo com a família Keil do Amaral para que o espólio de Alfredo Keil relacionado com Ferreira do Zêzere fique no concelho e possa ser apreciado numa exposição.
Para Bruno Gomes, “o concelho está vivo e a pulsar energia”. Disse-o no primeiro discurso da sessão solene, em que destacou a “política cultural estruturada, descentralizada e atrativa” do município, e a resiliência e capacidade do povo ferreirense.
Enquanto decorriam os 800 minutos de atividades culturais e desportivas em frente ao edifício da Câmara, no Centro Cultural agora denominado Alfredo Keil, evocava-se a história secular da vila fundada por Pedro Ferreiro. Foi já no século XIX que a Vila Ferreiro deu lugar a Ferreira do Zêzere através da associação ao nome do rio que por ali passa.
O presidente da Câmara anunciou a intenção de se erigir uma estátua de Pedro Ferreiro na sede do concelho como homenagem a uma figura que esteve na génese do que hoje é Ferreira do Zêzere e como forma de revelar a importância de perceber “de onde vimos para saber para onde vamos”.
ÁUDIO | BRUNO GOMES, PRESIDENTE CM FERREIRA DO ZÊZERE:
Também o presidente da Assembleia Municipal, José Casanova, defendeu a criação do Museu do Colecionismo que congregasse as diferentes coleções existentes no concelho. Este autarca revelou que foi convidado o Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, para a cerimónia mas que este declinou argumentando questões de agenda.
Em jeito de recado, Casanova aproveitou para realçar a importância da cultura no interior do país e a vitalidade cultural e artística que aqui se vive.
ÁUDIO | JOSÉ CASANOVA, PRESIDENTE AM FERREIRA DO ZÊZERE:
Seguiu-se a apresentação do 15º livro da coleção Lendas e Narrativas de Ferreira do Zêzere, intitulado “Pedro Ferreiro, o Besteiro do Rei”, com texto de Risoleta Pinto Pedro e ilustração de Teresa Sá da Bandeira.
Em representação da Fundação Maria Dias Ferreira, parceira na publicação, interveio Cátia Salgueiro que explicou como surgiu o livro e a importância histórica de Pedro Ferreiro, “uma figura basilar para a história de Ferreira do Zêzere”, “mítico pai do que viria a ser esta vila”.
A seguir, a autora do texto, Risoleta Pinto Pedro, uma ferreirense por adoção, justificou a necessidade de usar a sua “imaginação delirante” para escrever a obra já que as informações histórias são escassas. Ao mesmo tempo, enalteceu o trabalho de equipa que foi essencial para se concretizar o desafio.
Do séc. XIII, saltámos para o séc. XIX para destacar outra figura marcante na história de Ferreira do Zêzere, Alfredo Keil, o autor da composição “A Portuguesa” adotada como hino nacional após a implantação da República em 1910.
Conforme relatou o seu bisneto, Francisco Keil do Amaral, o compositor conheceu a região quando em 1885 veio aqui caçar com o rei D. Carlos. Gostou tanto que nos anos seguintes era nesta zona que vinha passar férias sozinho ou com a família.
Dessa paixão surgiram pinturas, fotografias, desenhos e poemas que retratam Ferreira do Zêzere e a região envolvente, um espólio que surpreendeu a própria família.
ÁUDIO | BRUNO GOMES, PRESIDENTE CM FERREIRA DO ZÊZERE:
ÁUDIO | JOSÉ CASANOVA, PRESIDENTE AM FERREIRA DO ZÊZERE:
É esse espólio que a Câmara pretende trazer e mostrar no Centro Cultural agora designado Alfredo Keil. O presidente da Câmara fez questão de agradecer a “pronta generosidade da família” e o presidente da Assembleia frisou a importância de, com esta doação, “se reconciliar a justiça com a história”.
Da plateia para o palco subiu o arquiteto Francisco Keil do Amaral que discorreu sobre o seu bisavô e a forte ligação que criou com Ferreira do Zêzere, “aquela terra minha amada”, como a apresentava.
ÁUDIO | FRANCISCO KEIL DO AMARAL, BISNETO DE ALFREDO KEIL:
Contou como surgiu “A Portuguesa”, como evoluiu o tema do piano para filarmónica e como foi a Carrilense, atual Frazoeirense, a primeira a interpretá-lo.
Keil do Amaral disse estar “muito feliz” e referiu-se a Ferreira do Zêzere como “uma terra muito bonita com paisagens lindíssimas”.
Seguiu-se a assinatura do protocolo entre a autarquia e a família Keil que visa a cedência do espólio de Alfredo Keil, ligado a Ferreira do Zêzere, para que possa ali ser exposto de forma permanente.
Terminada a sessão no Centro Cultural, os presentes deslocaram-se para o exterior onde foi descerrada a nova denominação Alfredo Keil ao som da Filarmónica Frazoeirense.
Dali deslocaram-se para a praça central da vila onde decorriam os 800 minutos de atividades culturais e desportivas numa alusão aos 800 anos do Foral Pedro Ferreiro. Foi ainda descerrada a placa toponímica Dr. Guilherme Godinho, médico benemérito e fundador do hospital de todos os Santos, na antiga praça Egas Moniz, culminando um dia que envolveu as forças vivas do concelho e no qual se celebrou a história e se brindou ao futuro de Ferreira do Zêzere









