O orçamento de 16,3 milhões de euros do município de Ferreira do Zêzere para o ano de 2024 foi aprovado pela maioria PS, em Assembleia Municipal. O documento, que prevê um aumento de 3.8 ME relativamente ao ano de 2023 (12.5 ME), tem 5,8 ME destinados a investimento, com especial enfoque na habitação.
De acordo com Bruno Gomes (PS), presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, a grande variação orçamental do documento “acontece sobretudo devido aos investimentos previstos” para 2024, “na ordem dos 5.8 ME”, e para os quais existe uma “previsão de financiamento europeu de 5.3 ME” para as obras previstas.
Durante a sua intervenção, o autarca sublinhou um conjunto de “investimentos muito relevantes e estruturantes” para o futuro do concelho ferreirense, valores que justificam o aumento orçamental face ao ano transato. Entre os principais investimentos encontra-se a nova escola, que rondará os 10 ME, a requalificação do Centro de Saúde, cerca de 500 mil euros, e a construção de habitação social e de habitação com rendas a custos controlados.
Bruno Gomes, que conquistou a autarquia ao PSD nas autárquicas de há dois anos, definiu como prioridades de investimento o “melhoramento do Parque Escolar”, com a construção da Escola EB 2,3/S Pedro Ferreiro, com uma dotação de 1,9 ME para 2024, e a habitação, com a construção de edifícios de habitação social (630 mil euros), a recuperação do edifício de habitação social existente (350 mil euros), e a construção de edifícios para arrendamento a custos acessíveis (512 mil euros).
Ao mesmo tempo, indicou um investimento previsto de 265 mil euros em 2024 no “reforço na capacidade de resposta de cuidados primários”, com a requalificação do Centro de Saúde, e perto de meio milhão de euros em equipamentos sociais, através do Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais.

O autarca socialista destacou ainda do pacote de 5.8 ME de investimento previsto para este ano a requalificação do espaço público na Rua Eduardo Mota (587 mil euros), a aquisição de equipamento de projeção digital de cinema (DCP) e de vídeo, imagem e tecnologia para o Centro Cultural Alfredo Keil e Cine Teatro Ivone Silva (322 mil euros), e melhoramentos de infraestruturas em Dornes “Aldeia 7 Maravilhas”, com instalação de cabos elétricos e telecomunicações no subsolo (428 mil euros).
O ano de 2024 vai também ficar marcado pela transferência de competências para as Juntas de Freguesia, programa que irá ser implantado pela primeira vez em Ferreira do Zêzere, rubrica que tem alocada uma verba de 321 mil euros para as sete freguesias do concelho, e a criação de uma nova praia fluvial na zona balnear de Bairrada/Bairradinha.
Jorge Castro, do CDS, sublinhou que muitas das obras previstas estão “baseadas em fundos comunitários, que não são 100% seguros. Se não vierem, tudo isto corre um risco de não se poder vir a realizar”. Quanto ao setor turístico, considera ser a “bandeira deste executivo”, realçando um “desinvestimento” na ordem dos 91 mil euros.
“Os apoios às freguesias também não são muito grandes, penso que se houvesse algumas transferências de verbas de uns lados para os outros se pudessem fazer alguns apoios às freguesias que bastante precisam”, acrescentou.

Quanto às despesas com pessoal, o CDS considera ser um “peso excessivo”, uma vez que representa cerca de 4,5 ME. “Durante estes dois anos nada se fez praticamente, esperamos agora que se venham a fazer nestes dois próximos anos, principalmente porque 2025 serão eleições e há muitas coisas que é importante que estejam feitas nessa data”, concluiu.
O deputado João Silva (PS) interveio na sessão referindo um orçamento que é “exigente, mas é proporcional às necessidades do nosso concelho. Mas quando dizem que dois anos se passaram e nada fizeram não é bem verdade, porque para se fazer as obras é preciso projetos e foram aqui apresentados uma série de projetos. Portanto, esta gente não esteve propriamente a descansar estes dois anos”.
“O investimento no pessoal tem sido uma das mais valias deste executivo”, afirmou Armando Cotrim, presidente da Junta de Freguesia de Ferreira do Zêzere. “É apostar nas pessoas, é apostar na massa crítica, nos gabinetes de estratégia e desenvolvimento que este concelho anda para a frente. Ao longo dos últimos anos vimos os outros concelhos a ultrapassarem-nos porque aproveitaram os fundos comunitários e Ferreira do Zêzere não tinha projetos a apresentar (…) Ferreira do Zêzere tem perdido muito isso”.
Filipe Figueiredo, deputado do PPD/PSD, sublinhou a preocupação do PSD relativamente à execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), afirmando a necessidade de “alguma elasticidade do município de não se dotar neste momento de técnicos e quadro técnicos para estes três anos e daqui a três anos ter técnicos em excesso. É esta elasticidade e esta capacidade que nós apelamos ao bom senso deste executivo”, afirmou.

Seria interessante dar a conhecer as intervenções de moradores que colocam problemas a que o executivo camarario e o Presidente da Assembleia também deixam no vazio, ou sem resposta. É que nao basta informar o que os eleitos autarcas dizem. Os cidadãos quando colocam problemas é porque eles existem, não acha?