A união de freguesias de Areias e Pias, concelho de Ferreira de Zêzere, inaugurou no domingo, 4 de março, as obras de requalificação da sede da junta, em Areias. Um investimento de 49 mil euros que contemplou desde a eficiência energética a várias modificações no edifício, num esforço realizado pela própria autarquia. Na ocasião esteve presente o Secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, e o tema foi a descentralização.
Promover o progresso e o desenvolvimento solidário foi o tema da intervenção do presidente da união de Areias-Pias, Hugo Azevedo, que lembrou que logo em 2013 o novo executivo da junta percebeu a necessidade de intervir na sede da junta de freguesia. Este foi um “esforço considerável”, que ascendeu os 49 mil euros (25% da despesa previsional da autarquia), mas que permitiu melhorar o conforto, eficiência térmica e tecnológica do edifício.
Hugo Azevedo destacou a interioridade da união de Areias-Pias e o perigo da desertificação, enumerando as várias atividades que têm sido desenvolvidas para promover a dinamização da freguesia. “Trabalhar em prol da população” e dotar a autarquia dos equipamentos necessários à qualidade de vida da população tem sido assim o foco deste executivo.
Neste sentido, foi inaugurado também no domingo a nova farmácia, uma iniciativa privada que resultou do esforço da junta em trazer este serviço para Areias.

Jacinto Lopes, presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, constatou que cada vez mais as autarquias prestam serviços, deixando de ser meras executantes de grandes obras. Adiantaria assim que dentro em breve Pias também terá “novidades”, a fim de tornar a freguesia “simétrica”.
O presidente salientou que o município está “disponível para receber novas competências”, no âmbito da prometida descentralização, desde que o envelope do Estado permita a sustentabilidade dessas responsabilidades. Jacinto Lopes destacou em particular as dificuldades que já são vividas no fornecimento das refeições escolares, cujo financiamento fica aquém dos valores reais deste serviço.
Dirigiu-se assim a Carlos Miguel, apelando a que seja “o provedor dos municípios nestas matérias de descentralização”. “Tem que ser suportável”, afirmou.
“Tenho perfeita consciência que o edifício do municipalismo faz-se de salas e salinhas”, começou por constatar o Secretário de Estado. O responsável defendeu que tudo o que foi descentralizado ao longo do tempo contribuiu para um melhoramento do serviço prestado aos cidadãos. Os valores a atribuir, explicou, terão que ser definidos caso a caso.
“A descentralização é um bicho papão”, admitiu. Reafirmou porém a convicção de esta redistribuição de competências vai permitir um melhor serviço de proximidade, onde as freguesias também terão que ser incluídas. Sendo que a interioridade é um problema cada vez mais litoral, “a solução está no poder local”, concluiu.
