Organizado pela Madrasta Dance, associação cultural que desenvolve projetos na área da “dança contemporânea e cruzamento disciplinar, com foco na música experimental e vídeo”, o evento vai contar ao longo dos dois dias com música, dança, conversas e outras atividades no âmbito da “criação, colaboração e investigação artística”.
Em declarações à Lusa, Clara Marchana, da organização, destacou um programa recheado de propostas em ambiente rural que visam a “democratização cultural”, tendo afirmado que “o grande desafio” da primeira edição do Arado é o de “abrir caminhos e ofertas diferenciadoras no território ao nível das artes performativas”, incluindo residências artísticas.

ÁUDIO | CLARA MARCHANA, ASSOCIAÇÃO MADRASTA DANCE:
Em comunicado, a organização indica que o festival, que “pretende ser anual”, apresenta nesta primeira edição um “caráter híbrido, que explora a dança como paisagem e diálogo, reinventando a realidade e corporizando a mesma, no lavrar de uma constante sementeira, acerca das novas possibilidades de habitar o corpo e a vida”.
O festival vai decorrer na localidade de Pias, no espaço sede da Casa Artística e Rural da Madrasta Dance (CARMA) e na paisagem rural circundante, “em modo site-specific”, ou seja, com as obras a serem criadas de acordo com o ambiente e o espaço, e em que os elementos dialogam com o meio circundante, incorporando-o ou transformando-o, refletindo uma das tendências da produção contemporânea.
A Madrasta Dance, criada enquanto companhia de dança em 2018, em Sintra, “mudou-se em 2023 da cidade para o interior”, nomeadamente para Pias, em Ferreira do Zêzere, o que conferiu ao projeto “novos estímulos”, que conduziram à organização do ARADO – Festival de Dança e Artes Performativas, juntando coreógrafos e bailarinos.
“Outras necessidades começaram a surgir, a mudança de território puxou-nos para outras direções, novos estímulos, e, desse lugar, nasceu a necessidade de criar este festival. Apesar dos recursos financeiros, este ano, se terem revelado reduzidos, queremos ainda assim fazer acontecer e arar a dança contemporânea neste interior e seu território”, indica a companhia, na nota informativa.
O evento inicia sexta-feira, dia 7, às 18:12, com o lançamento do Festival Arado e inauguração da instalação PANG – Performative Arts for the Next Generation, seguido, às 20:04, da exibição do filme-concerto “A Dança dos Paroxismos”, filme mudo português, realizado em 1929 por Jorge Brum do Canto.
O sábado inicia com uma “caminhada artística”, por Manuel Val do Rio, sob o mote ‘0 Corpo Autóctone’, em dia que vai ser preenchido com sessões sobre a “Liberdade e corpo na dança”, no âmbito das conversas do Arado, e os espetáculos WindHorse, de Tiago Correia, In.erte de Cecília Hudec, ‘Me as you’, de Bem Mucznik, coreógrafo e professor israelita radicado em Portugal, e o espetáculo de dança ‘Cultura de Cogumelos’, de Beatriz Pereira, seguidos de conversas com os artistas.

c/LUSA

