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Celebrámos esta semana mais um Dia Internacional da Mulher.

Para quem não sabe e acha que o dia da Mulher é aquele dia em que “elas” saem à noite com as amigas e se descabelam a ver um strip masculino, desengane-se. Infelizmente, sublinho: Infelizmente é necessário assinalar este dia. Não para as mulheres terem desculpa para saírem à noite. Não precisamos disso. É um dia que assinala a luta pelos direitos das mulheres. O triste é que nos dias de hoje, ainda tenhamos de lutar pelos nossos direitos. Que continuemos a ter salários mais baixos que os homens, mesmo desempenhando as mesmas funções. Que continuemos a ter a responsabilidade da maioria das tarefas domésticas e dos cuidados aos filhos e não sejamos valorizadas por isso. Que se continuem a dizer que os homens “ajudam nas tarefas de casa” como se isso fosse responsabilidade das mulheres e não houvesse a obrigação de uma partilha das mesmas. Já não estamos no século passado, mas as diferenças entre os diferentes géneros mantêm-se e em alguns casos, até fazem piadas.

Se no passado, se promoveu o aleitamento artificial das crianças, como forma de autonomia das mulheres para que pudessem trabalhar, hoje os movimentos são para promover o aleitamento materno, sabendo-se quais as vantagens em questões de saúde para o bebé e para a mãe, bem como as vantagens em questões de desenvolvimento e vinculação. No entanto, crucificam-se mulheres que referem estar a amamentar, em casos de regulação das responsabilidades parentais e nos locais de trabalho, como se usassem esta fase maravilhosa da vida e o melhor que podem dar aos filhos, para não trabalharem (as mandrionas) e para ficarem com os filhos só para si, em detrimento do convívio com os pais.

Como em tudo na vida, há que existir bom senso e avaliar os prós e contras de todas as decisões, mas choca-me que se continuem a tratar as mulheres desta maneira, acusando-as de feministas insensíveis.

Tristes tempos estes em que temos de justificar tudo e continuar a ter de afirmar a importância das mulheres na sociedade, na criação dos indivíduos que a constroem. Ser mulher é maravilhoso. E teríamos um mundo melhor se todos os homens fizessem um simples exercício de reflexão quando estão a criticar negativamente as mulheres e a sua luta por iguais direitos: “como quero que tratem a minha filha no futuro?” ou  no caso de não terem filhas, “como gostava que tratassem a minha mãe?”.

Sou mulher, com muito orgulho, e continuarei a lutar para que o futuro das outras mulheres possa ser melhor que o meu presente.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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