Até domingo, cerca de oito dezenas de expositores tornam a cidade de Torres Novas na verdadeira "capital dos frutos secos". Foto: mediotejo.net

São mais de 80 os expositores que marcam presença em Torres Novas para mais uma edição do certame que arrancou esta quinta-feira e se prolonga até domingo. Por estes dias, a 37.ª edição da Feira Nacional dos Frutos Secos torna o concelho na “capital dos frutos secos”, procurando dinamizar um setor com fortes raízes na tradição e na cultura torrejanas.

As portas da feira abriram na tarde desta quinta-feira, dia 3 de outubro, num momento que contou com a presença do secretário de Estado da Agricultura, João Moura, para além dos membros do executivo torrejano, liderado pela autarca socialista Pedro Ferreira, e da vice-presidente da Turismo do Centro, Anabela Freitas.

Inserido em pleno centro histórico da cidade, o recinto integra mais de oito dezenas de expositores de frutos secos e derivados, artesanato, produtos alimentares, bem como uma área de restauração e programa de animação ao longo dos quatro dias de um certame que assinala também a XX edição da Feira do Figo Preto.

Na sessão de inauguração da mostra, Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, sublinhou a importância do evento que se afigura como uma verdadeira montra do melhor que se produz no concelho torrejano. “Esta feira é uma aposta forte que já se estendeu a outros concelhos”.

“Os frutos secos foram e são uma riqueza para o nosso concelho, são pepitas de ouro ao nosso nível, mas que também têm de ser escavadas (…) e para isso tem de se tratar das figueiras, das amendoeiras e das nogueiras… Às vezes parece um trabalho desperdiçado, mas não é”, afirmou o autarca.

“Muitos ainda o fazem, não pela parte financeira, mas por quererem honrar os avós e os pais, a sua meninice. Mas também já há muitos jovens e alguns com muito sucesso”, acrescentou.

ÁUDIO | Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas

Pedro Ferreira aproveitou ainda a ocasião para apelar a “todos os que tenham essa característica, que tenham jeito para produzir e para vender, que apareçam no mercado mundial e que haja mais dinheiro para essas pessoas, mais dinheiro para o concelho de Torres Novas e também mais emprego”.

Durante a sua intervenção, o secretário de Estado da Agricultura, João Moura, começou por sublinhar o abandono da atividade agrícola em Portugal, destacando ainda a qualidade dos produtos “da nossa terra e do nosso tão belo país”, vincando a necessidade de valorizar os produtos nacionais.

A propósito da feira, João Moura defende que o concelho de Torres Novas se tem “afirmado com este certamente dos frutos secos”, no entanto, recordou a “depreciação significativa” e o “abandono do território nacional” no setor da agricultura.

“Não há uma atratividade pela atividade agrícola e pelo mundo rural. Esta montra e este tipo de eventos são uma forma de promover aquilo que de bom se faz em Portugal (…). A vocação do ministério da agricultura tem sido, precisamente, inverter esta tendência e esta lógica deste abandono [da agricultura]”.

ÁUDIO | Secretário de Estado da Agricultura, João Moura

João Moura aproveitou ainda a ocasião para anunciar a criação da marca “Made In Portugal”, pelo ministério da Agricultura, de forma a identificar e certificar a qualidade dos produtos com origem no território português.

“Estas mostras, estas feiras e montras são as provas disso mesmo, de que temos produtos de excelência que quando vão para fora, quando os exportamos, encantam o mundo”, conclui.

Anabela Freitas, vice-presidente da Turismo do Centro, sublinhou a importância do setor primário – a agricultura – para o turismo, tendo vincado ainda a necessidade de atrair pessoas através daquilo que “é autêntico em cada território”.

“O figo preto de Torres Novas só existe em Torres Novas. Este tipo de feiras permite manter a autenticidade dos produtos que temos no território e isso contribui para manter a autenticidade e a competitividade daquilo que é o destino região Centro e o destino Portugal”, salientou a representante.

ÁUDIO | Anabela Freitas, vice-presidente da Turismo do Centro

Na Feira Nacional dos Frutos Secos, o figo preto de Torres Novas é rei, mas, com as oito dezenas de expositores que marcam presença no recinto a oferta é muito variada e distinta. Da amêndoa à uva passa, passando pelas nozes e castanhas, até domingo é possível degustar a adquirir fruta desidratada, doces regionais, mel e licores, e até artesanato, a par de um programa de animação.

Embora todos anos os existam novidades, há expositores que marcam presença desde a primeira edição da mostra. Vítor Gameiro, proprietário da Frutorres Secos, está ligado à produção de frutos secos desde tenra idade, tendo acompanhado o pai e o avô num negócio de família com décadas de história.

Ao lado do pai, participou na primeira edição da mostra tendo, mais tarde, criado a sua própria marca – Frutorres Secos – com a qual tem mantido a sua ligação ao certame que corresponde a uma forma de “dar a conhecer a produção da empresa”.

“É a feira mesmo mais forte a nível nacional de frutos secos. Para além da venda, eu acho que todos nós gostamos pelo facto de que os mais fortes do ramo, todos juntos a fazer a feira, faz com que esta realmente se torne forte… dá-nos um certo orgulho, a cada um de nós, fazer a melhor exposição possível. Também pelo gosto de estarmos na nossa terra a vender nesta que é realmente uma boa feira”, afirma.

Quanto à procura, Valter Gameiro afirma que no início a feira “até era muito mais procurada só pelos figos e pela passa de uva, que as pessoas secam em casa, para além da produção também de nozes e amêndoas”.

“Mas entretanto, como aquilo que se fabricava em Torres Novas era curto, quase todos nós começamos a adquirir outras coisas que também vêm de fora. (…). Temos produto que não é da nossa produção mas fazemos fabrico. Ou seja, há muita coisa torrada, frita e caramelizada, compramos tudo em cru para sermos nós a fazer a própria transformação. Hoje em dia o figo continua a ser rei, mas há um grande diversidade de outros produtos que vendemos aqui”, explica.

Também Ana Cristina, da Quinta do Portinho, localizada em Carreiro de Areia, no concelho de Torres Novas, é já um rosto conhecido no certame. Ligada ao setor e à produção de frutos secos há cerca de 30 anos, contou ao nosso jornal que a sua participação na feira é tão antiga quanto a própria produção.

Quando questionada sobre o motivo pelo qual todos os anos decide regressar, a produtora explica que, ficando a produção localizada no concelho torrejana e produzindo uma grande quantidade de figos pretos de Torres Novas, figos pingo de mel e ainda passas de uva, corresponde a uma importante forma de dar a conhecer o seu produto, escoar stocks e promover a marca “Quinta do Portinho”.

Mas nem só de Torres Novas se faz a Feira dos Frutos Secos, há quem venha do Pinhal Novo e marque presença há mais de 15 anos, reconhecendo a importância do certame. É o caso da “Horta Caramela”, representada por José Canhoto.

“Vimos porque é uma feira que tem a sua dimensão no mundo dos frutos secos e como temos um produto de qualidade, vimos até Torres Novas para dar a conhecer”. Quanto às expectativas para mais uma edição, José Canhoto mostrou-se expectante, desejando que “seja tão boa ou melhor que em anos anteriores”.

De acordo com a autarquia, o evento, que decorre na Praça 5 de Outubro e na Praça dos Claras, tem um cariz tradicional que espelha “uma aliança entre a tradição e a inovação, conjugando objetivos de diferenciação e de qualidade, de transmissão de conhecimento e de envolvimento da comunidade torrejana e dos visitantes”.

Para além de “dinamizar e dignificar o setor dos frutos secos e passados”, a Feira Nacional dos Frutos Secos procura “criar momentos etnográficos representativos da cultura rural local”, afirmar o figo preto de Torres Novas enquanto “produto diferenciador e de identidade local”, preservar os saberes e sabores associados aos frutos secos e “afirmar Torres Novas enquanto palco de eventos nacionais de destaque e de qualidade”.

Horário:

Praça 5 de Outubro

Quinta e sexta . 18h-23h | Sábado . 12h-23h | Domingo . 12h-21h

Praça dos Claras

Quinta e sexta . 18h-24h | Sábado . 12h-24h | Domingos . 12h-21h

Programa

3 de outubro . quinta-feira

18h00 | Camisas Negras

21h00 | As meninas de Alcorriol

22h00 | Candy e Hélio

4 de outubro . sexta-feira

Tarde | Farra Tuga

22h30 | Liliana Jordão

5 de outubro . sábado

Tarde | BOT A RUFAR

16h00 | TorresFARRA

17h00 | Rancho Folclórico «Os Ceifeiros» de Liteiros

Tarde | Ceirões Passas e Barrões

18h30 | Showcooking com a Chef Bruna Simões – cozinha vegan com frutos secos

Tarde | Bandinha Mirense

20h30 | Dora Oliveira

22h00 | Zé Magico – O quê?

6 de outubro . domingo

Tarde | Ruído à Portuguesa

Tarde | Ceirões Passas e Barrões

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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