A proposta, apresentada pelo vereador Samuel Fontes, eleito pelo Chega mas com pelouros atribuídos pelo presidente do executivo, Tiago Carrão, (AD – Coligação PSD-CDS) determina que a edição deste ano decorra “nos moldes habituais”, mantendo um layout “em tudo semelhante aos anteriores”, embora com algumas alterações consideradas significativas pelo executivo.
A principal novidade será a instalação de uma tenda na zona da Várzea Grande para acolher os concertos musicais. Segundo o vereador, a solução permitirá “melhores condições para artistas e público”, garantindo igualmente a realização dos espetáculos independentemente das condições atmosféricas.
O autarca revelou ainda que é intenção do município que alguns concertos deixem de ser gratuitos, estando atualmente a ser estudado o modelo de entradas pagas, que será apresentado posteriormente.
Samuel Fontes destacou também mudanças na organização do recinto, nomeadamente a relocalização dos vendedores de frutos secos para a zona do mercado. De acordo com o vereador, a alteração pretende proporcionar maior proteção aos vendedores e potenciar o negócio, sobretudo às sextas-feiras e sábados, dias de maior afluência ao mercado.
Outra das alterações prende-se com a deslocação dos vendedores de enchidos e doces tradicionais para junto do tribunal, numa zona considerada mais protegida da exposição solar.

Durante a discussão da proposta, a vereadora socialista Filipa Fernandes considerou que, apesar de à primeira vista a feira parecer semelhante às edições anteriores, existe “uma mudança clara” no paradigma social e económico do evento.
A eleita do PS criticou o facto de os vendedores de frutos secos passarem a pagar pela participação na feira, recordando que, durante os mandatos socialistas, estes participantes estavam isentos de pagamento como forma de apoio à economia local e aos pequenos produtores.
Filipa Fernandes mostrou ainda preocupação com a nova localização destes vendedores, defendendo que o espaço junto aos divertimentos poderá ser “constrangedor” para pessoas de idade mais avançada devido ao ruído constante.
A vereadora socialista criticou igualmente o aumento do valor cobrado às associações para exploração dos bares na tenda dos concertos. Segundo Filipa Fernandes, além do aumento dos custos para as associações, a possibilidade de concertos pagos poderá reduzir a circulação de público e limitar as oportunidades de receita para o movimento associativo local.

A socialista defendeu que a Feira de Santa Iria devia continuar a assumir-se como “uma feira popular”, ligada à história, cultura e identidade do concelho, privilegiando o apoio à economia local em detrimento da obtenção de receitas pelo município.
Em resposta, Samuel Fontes afirmou que os vendedores de frutos secos foram previamente ouvidos e concordaram com a nova localização. O vereador sustentou ainda que a instalação da tenda poderá beneficiar as associações, já que estas poderão servir público tanto no interior como no exterior do espaço dos concertos.
Também o vereador socialista Hugo Cristóvão, ex-presidente da Câmara, deixou críticas ao novo modelo da feira, acusando o executivo de estar a olhar para o evento “como um fim em si mesmo”, sem considerar a sua dimensão social e comunitária.
O eleito do PS recordou a origem histórica da Feira de Santa Iria enquanto “feira franca” e criticou a possibilidade de existirem concertos pagos e com lotação limitada, considerando que isso poderá criar “uma feira só para alguns”.

O ex-presidente da autarquia criticou igualmente o regresso das tasquinhas individuais para as associações, defendendo que o modelo anterior, de funcionamento conjunto, promovia maior espírito comunitário e cooperação entre coletividades.
Quanto à nova localização dos vendedores de frutos secos, Hugo Cristóvão considerou que a solução poderá não funcionar, classificando-a como “uma experiência” cujos resultados terão de ser avaliados futuramente.
Hugo Cristóvão questionou ainda os argumentos do executivo relativamente à qualidade dos espetáculos e mostrou dúvidas quanto à capacidade da nova tenda para acolher o público que, nos últimos anos, encheu a Várzea Grande nos concertos principais.

Talvez os vereadores do PSD de Abrantes já tenham informado o Presidente e colega de partido que pode vir até à Esplanada 1.° de Maio para ouvir os Metro, gratuitamente.
É uma ideia interessante a de cobrar o acesso a alguns concertos, mas para ser realmente um evento rentável deveriam cobrar o acesso a todo o espaço, que é claro teria de estar concentrado em uma determinada área devidamente delimitada/ vedada.
No Entroncamento tiveram a ideia de fazer os privados pagar por publicidade no evento, se não me engano: um patrocinador principal e quatro patrocinadores de menor relevância (mais barato) mas que também serão promovidos durante o evento.
Para que o conceito de pagar para assistir a um concerto convença, só me ocorre algo do género o som só ser ouvido através de auscultadores que são entregues a quem paga, de outra forma podem simplesmente estar do lado de fora e ouvem tudo na mesma. E não, não é um conceito novo, já foi feito, e teria a vantagem de não incomodar o resto da população com o som. Provavelmente não seria rentável a menos que seja algum cantor(a)/ banda tão famoso(a) que as pessoas venham de longe para assistir.