Apesar dos bons indicadores ambientais e sociais, o presidente da Câmara de Abrantes alertou que, na componente da criação de novas dinâmicas territoriais e económicas, "ainda há muito por fazer". Foto: CMA

“Desde que a central termoelétrica a carvão do Pego foi encerrada, em 2021, as emissões de CO2 [dióxido de carbono] do setor da energia do concelho de Abrantes diminuíram mais de 70%, o que não pode ser senão uma ótima notícia”, afirmou a ministra Ana Abrunhosa, tendo indicado que, “no entanto, perderam-se 420 postos de trabalho diretos e indiretos, houve efeitos negativos na cadeia de valor e um impacto significativo nas atividades económicas locais que gravitavam à volta da central”, encerrada em novembro de 2021.

A governante, que participou na conferência “Explorar a diversificação económica e as oportunidades de investimento no Médio Tejo” em Abrantes, com uma mensagem gravada, assegurou que o Plano Territorial para uma Transição Justa do Médio Tejo, incluído no Programa Regional do Centro, “vem responder a estes impactos, e tem 65 milhões de euros ao serviço desta missão”.

O objetivo, segundo Ana Abrunhosa, “é que os invista de forma a que a região tire o melhor proveito possível da transformação em curso, se possível alicerçando o seu desenvolvimento em atividades económicas sustentáveis e rentáveis”, e, acrescentou, “sem deixar nenhuma das pessoas que perderam o seu trabalho para trás”.

Ana Abrunhosa disse que o fecho da central a carvão do Pego fez baixar 70% das emissões de CO2 em Abrantes e lembrou os 420 desempregos gerados. Foto: CMA

ÁUDIO | ANA ABRUNHOSA, MINISTRA DA COESÃO TERRITORIAL:

O presidente da Câmara de Abrantes, presente na sessão, indicou como positivos os vários instrumentos em curso no concelho e no Médio Tejo no âmbito do Fundo de Transição Justa (FTJ), desde a formação profissional, à proteção social dos trabalhadores, criação de uma Zona Livre Tecnológica, abertura de dois avisos de apoio financeiro, um para PME’s e um outro dedicado a grandes empresas, tendo feiro notar, no entanto, não haver ainda, quase dois anos depois, contratos assinados para financiamento a empresas.

“Na componente do território e na criação de novas dinâmicas territoriais e económicas, todos temos de reconhecer que ainda há muito por fazer”, afirmou Manuel Jorge Valamatos (PS), tendo indicado que o 1º aviso do FTJ foi lançado há dois anos, “22 meses para ser preciso, a 30 de novembro de 2021, e hoje ainda não há contratos assinados” para financiamentos.

“O tempo dos empresários é outro e temos todos de estar despertos para essa questão sob pena de deixarmos fugir, ou mesmo cair, investimentos importantes para a nossa região””, alertou o autarca, tendo lembrado que o fecho da central a carvão no Pego “deixou marcas profundas” e que o FTJ “é absolutamente determinante para mitigar os efeitos desta decisão”.

Valamatos lembrou que o fecho da central no Pego “deixou marcas profundas” e que o FTJ “é absolutamente determinante para mitigar os efeitos desta decisão”. Foto: CMA

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

Em Portugal, e no âmbito do PT2030, estabeleceram-se três Planos Territoriais de Transição Justa nos territórios que viram encerrar instalações industriais. Na zona abrangida pela refinaria de Matosinhos, na Região Norte; na área da central termoelétrica a carvão do Pego, Abrantes, na Região Centro; e em Sines, na Região do Alentejo.

No caso específico do Médio Tejo, indicou hoje Ana Abrunhosa, “a prioridade é apoiar os trabalhadores afetados pelo encerramento da central, através de ações de qualificação e requalificação e de apoio a projetos de empreendedorismo de base local, e ainda diversificar a atividade económica do território, através de projetos de investimento produtivo, de reforço da capacitação empresarial para o desenvolvimento de bens e serviços e da promoção da transferência de tecnologia e projetos de I&D” [Investigação e Desenvolvimento].

“O Fundo de Transição Justa serve, sobretudo, para financiar intervenções que visam reduzir o impacto económico e social da transição climática, apoiando a diversificação e modernização da economia local e atenuando as repercussões negativas sobre o emprego”, concluiu a ministra da Coesão, numa declaração gravada e, como tal, sem espaço a perguntas.

No final o presidente da Câmara de Abrantes deu conta aos jornalistas das suas expectativas, preocupações e prioridades, no âmbito do desenvolvimento económico e social para Abrantes e para o Médio Tejo.

Central a carvão do Pego foi encerrada em novembro de 2021. Foto arquivo: mediotejo.net

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

A conferência “Explorar a diversificação económica e as oportunidades de investimento no Médio Tejo”, organizada pela CCDR Centro, em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, decorre nos dias 26 e 27 de setembro, na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes [ESTA], no contexto da mobilização do Fundo para uma Transição Justa pelo Programa Regional Centro 2030, disponível para o território do Médio Tejo, na sequência do encerramento da Central termoelétrica a carvão do Pego.

O objetivo, segundo a organização, é “identificar oportunidades de investimento e reunir contributos e ideias para apoiar o desenvolvimento de projetos sustentáveis no território do Médio Tejo, focando três áreas em particular: a economia circular no setor agroalimentar, a valorização da biomassa no setor florestal, e a cadeia de valor do hidrogénio.

c/LUSA

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