“Muitas pessoas nunca fizeram um donativo”, mas a verdade é que as instituições que desenvolvem o seu trabalho na área social e dos direitos humanos precisam das contribuições dos cidadãos para não ficarem dependentes de fundos ou de apoios que podem terminar a qualquer momento. Esta ideia foi defendida por Joana Brandão, consultora com larga experiência na angariação de fundos para organizações não governamentais, no âmbito de um jantar-palestra organizado pelo Rotary Club de Abrantes (RCA), no dia 18 de fevereiro.
Joana Brandão, com quase 20 anos de experiência em organizações como a Amnistia Internacional, Portugal com ACNUR e as Aldeias de Crianças SOS, esteve em Abrantes a convite do presidente do RCA, Isidro Bernardino, para falar sobre “Direitos Humanos – Trabalho das Organizações e a Importância dos Fundos”. De uma forma muito clara, explicou que a sustentabilidade interna deste tipo de organizações é fundamental: “A angariação de fundos é mais do que apenas uma forma das organizações sem fins lucrativos angariarem dinheiro; é uma ferramenta essencial que suporta as suas atividades principais.”
A consultora defendeu que a questão da angariação de fundos pode não ser um tema tão apelativo como o trabalho no terreno, mas o certo é que a sua concretização origina mais impacto, mais motivação nas equipas, mais projetos e mais beneficiários.
Por outro lado, “sem fundos adequados, as organizações sem fins lucrativos podem ter dificuldades em manter as suas operações, o que pode levar a reduções de pessoal ou mesmo a encerramentos”. Ou seja, “a angariação de fundos garante que podem continuar a sua missão mesmo perante desafios financeiros”.

As campanhas pontuais, como é o caso da consignação do IRS ou da doação de heranças são muito importantes para as organizações sem fins lucrativos, mas Joana Brandão sublinhou a importância dos donativos regulares. São estes que permitem assegurar o funcionamento contínuo dos organismos que trabalham na área social, a começar pelo pagamento dos salários e das despesas correntes.
O que acontece é que muitas vezes quem está a desenvolver este tipo de trabalho não tem ferramentas nem competências para desenvolver estratégias de angariação de fundos.
Joana Brandão, que tanto desenvolve campanhas de Marketing como cria e implementa estratégias de comunicação nas Redes Sociais para conseguir donativos para instituições sem fins lucrativos, considera que quando se pede um contributo financeiro aos cidadãos se está a dar-lhes “a oportunidade de se envolverem numa causa na qual acreditam”.
Quando o debate se abriu aos participantes no jantar-palestra surgiu uma questão fundamental: como é que se pode confiar nas instituições que pedem donativos? A resposta de Joana Brandão passou pela importância de as organizações saberem transmitir “credibilidade e transparência”.
Sugeriu ao cidadão comum interessado em fazer donativos que, em caso de dúvida, consulte as informações públicas das organizações, uma vez que estas têm de demonstrar o trabalho desenvolvido e de prestar contas através de relatórios. No caso das organizações com uma dimensão muito grande será mais fácil aferir, mas as organizações de menor dimensão também precisam de apoios, defendeu a consultora. Neste caso, a proximidade permitirá conhecer o trabalho desenvolvido, por exemplo, através de pessoas conhecidas.
Questionada sobre a sua disponibilidade para ajudar as instituições de solidariedade social da região a definir uma estratégia de angariação de fundos, Joana Brandão mostrou-se claramente recetiva. Considera que teve o privilégio de aprender muito nas organizações com as quais já colaborou e que agora tem “o dever de retribuir”.





Esta palestra foi organizada pelo RCA no âmbito das celebrações dos 120 anos do movimento rotário que o Distrito 1960 decidiu promover. Para o respetivo governador, Paulo Taveira de Sousa, a angariação de fundos é um assunto também pertinente para este movimento, uma vez que os clubes rotários contam com a colaboração de toda a comunidade para concretizar as suas causas.
No fundo, trata-se de mostrar que “o futuro do mundo depende de cada um de nós”.


Como um clube, associação ou ONG pode angariar fundos? Com altruísmo *.
É só fazer as contas… Para obter 60, 50 ou 40 mil euros? São 50 associados beneméritos a prescindir anualmente, por exemplo, de uma semana, fim de semana de férias ou alguns jantares fora e doar 1200, 1000 ou 800 euros.
* Altruísmo in Dicionário on-line Infopédia: “orientação de quem procura garantir o bem de outro(s), mesmo se à custa dos próprios interesses”.