Sobreposição de marcações Fotos: Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima

As novas marcações da Associação Caminhos de Fátima, nomeadamente as da Rota Carmelita que se sobrepõem a um antigo percurso da Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima, estão a confundir os peregrinos a pé que se dirigem a Fátima. O programa Sexta às 9, da RTP, deu conta na sexta-feira, 11 de maio, do impacto das novas marcações para quem caminha até à Cova da Iria, com setas que apontam para direções opostas e muita desinformação.

A Associação Caminhos de Fátima, atualmente uma colaboração entre o Centro Nacional de Cultura (detentor da marca Caminhos de Fátima), os 14 municípios que criaram a nova associação e o Turismo de Portugal, está a realizar a marcação da Rota Carmelita (Coimbra – Fátima) por cima das antigas marcações da Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima.

Ainda sem um site com a informação organizada e ausente dos guias de peregrinação, as novas marcações dos Caminhos de Fátima, com a nova nomenclatura dos troços, estão a desorientar os peregrinos, havendo situações com marcações contraditórias, constata a reportagem.

Em abril o presidente da Associação Caminhos de Fátima, Diogo Mateus, esclareceu à agência Lusa que não se está a apagar a sinalização já existente da Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima, mas “a dar uniformidade de sinalização e informação nos percursos Caminhos de Fátima”, adiantando desconhecer a eventual existência de mapas oficiais já divulgados sem a sinalética prévia no terreno.

Diogo Mateus adiantou que quando se constituiu esta associação uma das primeiras entidades a ser convidada foi a Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima, “para, em nenhuma circunstância”, ser desconsiderado “o trabalho e a experiência desta entidade nos últimos anos”.

“Também, em nenhuma circunstância, os municípios envolvidos neste processo deixaram de ter competências que, aliás são das obrigações mais antigas no municipalismo português, na marcação de estradas e caminhos, competência que deve ser respeitada”, salientou Diogo Mateus, também presidente da Câmara de Pombal, no distrito de Leiria.

O autarca acrescentou que a Rota das Carmelitas tem como “interlocutor a Rede de Muralhas e Castelos Medievais do Mondego, em absoluta sintonia com a Associação dos Caminhos de Fátima, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Associação de Peregrinos Via Lusitana, juntas de freguesia por onde passa a rota e, também, a colaboração do Turismo de Portugal”.

“É uma iniciativa que tem uma coerência funcional, de comunicação e identidade que queremos estender a todo o país, mas que tinha desde há praticamente uma dezena de anos um projeto desenvolvido pelo interior da região Centro, a sul de Coimbra – a Rota das Carmelitas -, que integrou esta primeira fase dos nossos trabalhos, com a atualização da imagem criada para criar a nova sinalética que vai ser utilizada nos municípios que se associaram ou querem associar à Associação Caminhos de Fátima”, referiu.

Segundo Diogo Mateus, “as entidades envolvidas neste projeto reconhecem que a imagem oficial de promoção e divulgação nacional e internacional dos caminhos de Fátima é esta que está agora a ser utilizada”.

Notando que o financiamento comunitário não paga 100 por cento o investimento e garantindo abertura “para a colaboração de todas as pessoas e entidades”, o presidente da associação sublinhou que “os caminhos não têm dono” e frisou não haver desprezo pelo trabalho de ninguém.

Em 3 de maio de 2017, a poucos dias da visita do Papa Francisco a Fátima, o Turismo de Portugal, o Centro Nacional de Cultura e a Associação Caminhos de Fátima assinaram um protocolo para desenvolver e dinamizar o projeto Caminhos de Fátima. Na ocasião, a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, disse que os Caminhos de Fátima são um projeto “para todos e para ser feito com todos”.

A Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima fez mais de 8 mil marcações dos percursos pelo país e tem realizado a manutenção dos mesmos ao longo dos anos. Por outro lado, existem também os troços “Caminhos de Fátima”, mais antigos, do Centro Nacional de Cultura.

A Associação Caminhos de Fátima nasceu em 2016 no objetivo de criar troços seguros, começando pelo que liga Gaia a Fátima e passa pelos 14 municípios aderentes. Com o protocolo com o Centro Nacional de Cultura e o Turismo de Portugal iniciou-se a uniformização da oferta, mas a Associação dos Amigos tem criticado a ação exclusivamente centrada na utilização de fundos europeus e mais virada para o marketing turístico.

O Santuário de Fátima não se encontra associado oficialmente a nenhum dos projetos.

c/LUSA

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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